Son-Rise

Son-Rise é um programa para tratamento de crianças com autismo ou outras dificuldades de desenvolvimento similares,[1] desenvolvido por Barry Neil Kaufman e Samahria Lyte Kaufman para seu filho Raun, que foi diagnosticado com autismo e que se diz recuperado totalmente de sua condição.[2]

Os pais são treinados no Kaufman's Autism Treatment Center of America (ATCA) - a divisão do The Option Institute em Sheffield, Massachusetts, que ensina o Programa Son-Rise. Lá, a família Kaufman e seus colegas da equipe ensinam às famílias e aos profissionais como estar cientes de suas atitudes - um princípio fundamental da terapia - para criar vínculos e relacionamentos, bem como criar uma sala de jogos com pouco estímulo e sem distrações ou um ambiente de sala de atenção para que a pessoa autista (criança ou adulto) possa se sentir segura e no controle da superestimulação. Os pais e facilitadores participam do comportamento de estimulação exclusivo e restrito da pessoa autista, até que ela mostre sinais sociais de envolvimento voluntário. Em seguida, o incentivo a atividades sociais mais complexas é feito de forma não coercitiva. Se a pessoa autista se afastar da interação social, o facilitador lhe dá espaço, usando brincadeiras paralelas para ganhar a confiança da criança ou do adulto. Para estimular a aquisição de habilidades, o programa usa a motivação específica da pessoa autista para o aprendizado.[3]

Os desenvolvedores do programa afirmam que, se os pais aprenderem a aceitar seu ente querido sem julgamentos, eles aprenderão a interagir com os outros e isso permitirá que eles se envolvam em interações sociais, porque escolheram aprender as habilidades.[2][4] Um estudo de 2003 constatou que o envolvimento com o programa resultou em mais desvantagens do que benefícios para as famílias envolvidas ao longo do tempo, embora houvesse uma forte correlação entre os padrões de implementação da intervenção e as percepções dos pais sobre a eficácia da intervenção.[5] Um estudo de 2006 constatou que o programa nem sempre é implementado conforme descrito na literatura, o que significa dificuldade em avaliar sua taxa de sucesso e fracasso.[6]

História

Raun Kaufman

Na década de 1970, Barry e Samahria Kaufman criaram a modalidade de tratamento para seu filho, Raun, que havia sido diagnosticado com autismo grave. Entretanto, ainda não está claro se Raun Kaufman chegou a ser autista. Das cinco clínicas que avaliaram o menino no Estado de Nova York - cada uma descrevendo-o como "socialmente retraído e pouco comunicativo" - apenas a sexta clínica considerou que ele era autista.[7]

Em 1976, Barry Neil Kaufman publicou Son-Rise, um livro que alegava que seu filho teria se recuperado totalmente do autismo, que ele mesmo publicou em 1995 com o título Son-Rise: The Miracle Continues.[2] O livro foi adaptado em um filme documentário para a televisão, chamado Meu Filho, Meu Mundo, e foi ao ar na NBC em 1979.[8]

Atualmente, Raun Kaufman é o Diretor de Educação Global do Autism Treatment Center of America.[9]

Críticas

Foi questionado se Raun Kaufman seria realmente autista antes de ser tratado,[7] já que ainda não há cura para o autismo. Não há casos documentados de normalização em crianças mais velhas e é possivel que o sucesso dependa de "um certo nível de potencial intelectual".[10] Alguns profissionais questionam a ênfase posta no contato visual e os seus potenciais problemas para algumas crianças.[11]

O consenso na comunidade médica é que não há cura para o autismo, e que apenas alguns tratamentos apresentam evidências empíricas de melhoria nos sintomas.[7][12][13][14][15] Um estudo de 2003 concluiu que a participação no programa Son-Rise levou a mais prejuízos do que benefícios para as famílias envolvidas, embora os níveis de estresse familiar não tenham subido em todos os casos.[16] Posteriormente esse estudo foi refutado[carece de fontes?] por não apresentar bases cientificas para tal conclusão. Um estudo de 2007 concluiu que o programa nem sempre é implementado como descrito na literatura, o que sugere que é difícil avaliar a sua eficácia.[17]

Ligações externas

Referências

  1. «Treating Autism, Aspergers and Other Developmental Disorders (em inglês)». Autism Treatment Center. Consultado em 2 de fevereiro de 2010 
  2. a b c Kaufman BN (1995). Son-Rise: The Miracle ContinuesRegisto grátis requerido. [S.l.]: HJ Kramer. ISBN 0-915811-61-8 
  3. «Autism Speaks, "The Son Rise Program"». Consultado em 9 de agosto de 2010. Arquivado do original em 9 de agosto de 2010 
  4. Houghton, Kat; Schuchard, Julia; Lewis, Charlie; Thompson, Cynthia K. (setembro 2013). «Promoting child-initiated social-communication in children with autism: Son-Rise Program intervention effects». Journal of Communication Disorders. 46 (5–6): 495–506. PMID 24209427. doi:10.1016/j.jcomdis.2013.09.004Acessível livremente 
  5. Williams KR, Wishart JG (2003). «The Son-Rise Program intervention for autism: an investigation into family experiences». J Intellect Disabil Res. 47 (4–5): 291–9. PMID 12787161. doi:10.1046/j.1365-2788.2003.00491.x 
  6. Williams KR (2006). «The Son-Rise Program intervention for autism: prerequisites for evaluation». Autism. 10 (1): 86–102. PMID 16522712. doi:10.1177/1362361306062012 
  7. a b c Herbert JD, Sharp IR, Gaudiano BA (2002). «Separating fact from fiction in the etiology and treatment of autism: a scientific review of the evidence». Sci Rev Ment Health Pract (em inglês). 1 (1). pp. 23–43 
  8. Lopes, Bruna Alves (18 de junho de 2019). Não Existe Mãe-Geladeira Uma análise feminista da construção do ativismo de mães de autistas no Brasil (1940-2019) (Tese). Universidade Estadual de Ponta Grossa. Consultado em 27 de dezembro de 2020 
  9. «Raun R Kaufman». Autism Treatment Center of America. Consultado em 18 de junho de 2014 
  10. Jordan R, Powell S (1993). «Reflections of the Option method as a treatment for autism». J Autism Dev Disord (em inglês). 23 (4). pp. 682–5. PMID 8106309. doi:10.1007/BF01046111 
  11. Hauser C (2005). «The Son-Rise Program» (em inglês). National Autistic Society 
  12. Aman MG (2005). «Treatment planning for patients with autism spectrum disorders». J Clin Psychiatry (em inglês). 66 (Suppl 10). pp. 38–45. PMID 16401149 
  13. Francis K (2005). «Autism interventions: a critical update» (PDF). Dev Med Child Neurol (em inglês). 47 (7). pp. 493–99. PMID 15991872. doi:10.1017/S0012162205000952 
  14. Howlin P (2005). «The effectiveness of interventions for children with autism». In: Fleischhacker WW, Brooks DJ. Neurodevelopmental Disorders. [S.l.]: Springer. p. 101–119. ISBN 3211262911. PMID 16355605. doi:10.1007/3-211-31222-6_6 
  15. Rao PA, Beidel DC, Murray MJ (2008). «Social skills interventions for children with Asperger's syndrome or high-functioning autism: a review and recommendations». J Autism Dev Disord (em inglês). 38 (2). p. 353–61. PMID 17641962. doi:10.1007/s10803-007-0402-4 
  16. Williams KR, Wishart JG (2003). «The Son-Rise Program intervention for autism: an investigation into family experiences». J Intellect Disabil Res (em inglês). 47 (4–5). pp. 291–9. PMID 12787161. doi:10.1046/j.1365-2788.2003.00491.x 
  17. Williams KR (2006). «The Son-Rise Program intervention for autism: prerequisites for evaluation». Autism (em inglês). 10 (1). pp. 86–102. PMID 16522712. doi:10.1177/1362361306062012 

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