Solidarity Forever

"Solidarity Forever"
Hino sindical
Publicação1915
Lançamento1915
Gênero(s)Folk
protesto sindical
Idioma(s)inglês
LetraRalph Chaplin
Cartaz para a Liga para a Democracia Industrial [en], desenhado por Anita Willcox durante a Grande Depressão, mostrando solidariedade com as lutas dos trabalhadores e dos pobres nos Estados Unidos.

Solidarity Forever é uma música de protesto sindical composta no ano de 1915 por Ralph Chaplin para promover a solidariedade entre os trabalhadores através dos sindicatos.[1] É cantado acompanhada com os hinos patrióticos abolicionistas John Brown's Body [en] e The Battle Hymn of the Republic.

Embora tenha sido escrito como uma canção para os Industrial Workers of the World (IWW), outros movimentos sindicais, como a Federação Americana do Trabalho e Congresso de Organizações Industriais (AFL-CIO), passaram a apropriar-se da marcha.[2]

A canção foi interpretada por músicos como Utah Phillips, Pete Seeger e John Darnielle [en].[3][4][5] Foi regravada por Emcee Lynx e The Nightwatchman, projeto solo do músico Tom Morello da banda Rage Against the Machine.[6] Ainda é comumente cantada em reuniões sindicais, protestos e comícios em diversos países falantes da língua inglesa, como os Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia e Canadá, e também foi cantada em conferências do Partido Trabalhista Australiano (ALP) e do Novo Partido Democrático (NDP).[7][8] Isso também pode ter inspirado o hino do movimento cooperativo de consumidores, a The Battle Hymn of Cooperation [en], que é cantado com a mesma melodia.[9]

Foi traduzido para diversos idiomas, incluindo francês, alemão, polaco, espanhol, suaíli e iídiche.[10]

Composição

Ralph Chaplin começou a compor Solidarity Forever no ano de 1913, enquanto trabalhava como jornalista a cobrir a greve de Paint Creek–Cabin Creek de 1912 [en] no condado de Kanawha, localizado na Virgínia Ocidental, inspirado pela determinação e bom humor dos mineiros em greve e das suas famílias, que tinham suportado a violenta greve, que matou cerca de 50 grevistas, e viviam há um ano em tendas.[11][12] Chaplin concluiu a canção em 15 de janeiro de 1915, em Chicago, na data de uma manifestação contra a fome.[8] Chaplin foi um membro dedicado do Industrial Workers of the World (IWW), escrevendo para a revista Solidarity, a publicação oficial da IWW no leste dos Estados Unidos, e cartunista da organização.[13] Ainda compartilhava a análise da IWW, incorporada no seu famoso Preâmbulo, impresso na contracapa de cada edição do Little Red Songbook [en], uma coletânea de músicas que expressam o apoio da classe trabalhadora.[14]

Trecho da música cantada em uma reunião do dia das eleições sindicais em Wisconsin, nos Estados Unidos.

O Preâmbulo começa com uma declaração clássica de uma análise de duas classes do capitalismo: "a classe trabalhadora e a classe empregadora não têm nada em comum. A luta de classes continuará até à vitória da classe trabalhadora: "entre estas duas classes, a luta deve continuar até que os trabalhadores do mundo se organizem como classe, tomem posse da terra e dos meios de produção e abolam o sistema salarial".[15] O Preâmbulo denuncia os sindicatos como incapazes de lidar com o poder da classe patronal. Ao negociar contratos, afirma o Preâmbulo, os sindicatos enganam os trabalhadores, dando a impressão de que estes têm interesses em comum com os empregadores.[15]

O Preâmbulo apela aos trabalhadores para que criem uma organização de todos os "membros de qualquer indústria ou de todas as indústrias". Embora isso se pareça muito com o sindicalismo industrial [en] desenvolvido pelo Congresso das Organizações Industriais [en], a IWW opôs-se à campanha de John L. Lewis para se separar da Federação Estadunidense do Trabalho e organizar sindicatos industriais na década de 1930. O Preâmbulo explica: "Em vez do lema conservador, "Um salário justo por um dia de trabalho justo”, devemos inscrever na nossa bandeira o lema revolucionário, “Abolição do sistema salarial”. A IWW abraçou o sindicalismo e opôs-se à participação na política eleitoral: "ao nos organizarmos industrialmente, estamos a formar a estrutura da nova sociedade dentro da casca da antiga".[15]

A visão do Preâmbulo está incorporada em Solidarity Forever, que enuncia vários elementos da análise da IWW. A terceira estrofe (Fomos nós que aramos as pradarias) afirma a primazia do papel dos trabalhadores na criação de valor. Isso é repetido nas estrofes quatro e cinco, que fornecem uma justificação ética para a reivindicação dos trabalhadores de todo o mundo. A segunda estrofe (Há algo que tenhamos em comum com o parasita ganancioso) pressupõe as duas classes antagónicas descritas no Preâmbulo. A primeira e a quinta estrofes fornecem a estratégia para o trabalho: a solidariedade sindical. E a sexta estrofe projeta o resultado, um novo mundo nascido das cinzas do antigo.[16]

Chaplin não estava satisfeito com a popularidade generalizada de Solidarity Forever no movimento trabalhista. Ao final de sua vida, depois de se ter tornado uma voz contrária aos comunistas (estatais) no movimento sindical, Chaplin escreveu um artigo intitulado Why I wrote Solidarity Forever[nota 1], no qual denunciava os "sindicatos industriais, não tão necessários, não tão dignos, gerados por uma era de sindicalismo obrigatório". Ainda afirmou que entre os IWW "não há ninguém que não veja com olhos bastante críticos o “sucesso” de Solidarity Forever".[17] "Não escrevi Solidarity Forever para políticos ambiciosos ou para falsos trabalhadores ávidos por emprego que procuram aproveitar-se da situação... Todos nós nos ressentimos profundamente ao ver uma canção que era exclusivamente nossa ser usada como um comercial cantado para o tipo brando de sindicalismo industrial pós-[[Lei Nacional das Relações Laborais de 1935 |lei Wagner]] [en], que usa fundos secretos de milhões de dólares para persuadir os seus assistentes no Congresso a fazerem tarefas para eles." Por fim, acrescentou: "Eu também afirmo que, quando o movimento trabalhista deixa de ser uma causa e se torna um negócio, o produto final dificilmente pode ser chamado de progresso."[17]

Apesar dos questionamentos de Chaplin, Solidarity Forever manteve um apelo geral para o movimento trabalhista mais amplo devido à aplicabilidade contínua de sua mensagem central. Alguns artistas não cantam todas as seis estrofes de Solidarity Forever, omitindo normalmente a segunda (Há algo que temos em comum com o parasita ganancioso) e a quarta (Todo o mundo que pertence aos preguiçosos é nosso e somente nosso), deixando de fora o conteúdo mais radical.[18]

Bandeira anarquista com a mensagem Solidarity Forver em três idiomas, em Portland, Óregon, nos Estados Unidos.

Solidarity Forever aparece no filme Pride, de 2014, no qual a organização londrina Lesbians and Gays Support the Miners [en] (Lésbicas e Gays Apoiam os Mineiros) arrecada fundos para apoiar os mineiros de uma vila galesa durante a greve dos mineradores do Reino Unido de 1984-1985 [en].[19]

O Little Red Songbook [en], da IWW, inclui uma versão satírica de Solidarity Forever, rebatizada de Aristocracy Forever[nota 2], zombando da adoção da canção pela Federação Americana do Trabalho e Congresso de Organizações Industriais (AFL-CIO).[20]

Ver também

Notas e referências

Notas

  1. Em tradução livre, Por que eu escrevi Solidarity Forever.
  2. Em tradução livre, Aristocracia para sempre.

Referências

  1. «The Industrial Workers of the World | American Experience». PBS (em inglês). Consultado em 5 de março de 2026. Cópia arquivada em 13 de fevereiro de 2016 
  2. «Solidarity Forever». Zinn Education Project (em inglês). Consultado em 5 de março de 2026. Cópia arquivada em 30 de dezembro de 2025 
  3. Utah Phillips - We Have Fed You All A Thousand Years (em inglês), Discogs, 1983, consultado em 5 de março de 2026 
  4. Villers, Paul (3 de maio de 2019). «Pick of the Political Pops: Pete Seeger "Solidarity Forever"». Americana UK (em inglês). Consultado em 5 de março de 2026. Cópia arquivada em 6 de agosto de 2025 
  5. Kelly, Kim (26 de abril de 2018). «The protest songs that drove the Wobblies a century ago are still lighting fires». Chicago Reader (em inglês). Consultado em 5 de março de 2026. Cópia arquivada em 28 de janeiro de 2026 
  6. «Tom Morello: The Nightwatchman's Union Town EP - By Workers FOR Workers». No Depression: Roots Music and Culture Journalism (em inglês). 20 de maio de 2011. Consultado em 5 de março de 2026. Cópia arquivada em 7 de outubro de 2025 
  7. ABC News (16 de maio de 2012), Bob Hawke belts out 'Solidarity Forever' | ABC News, consultado em 5 de março de 2026 
  8. a b «Ralph Chaplin finishes writing Solidarity Forever, perhaps the most famous labour anthem of all.». Canadian Labour Congress (em inglês). 15 de janeiro de 2018. Consultado em 5 de março de 2026. Cópia arquivada em 15 de dezembro de 2025 
  9. Walker, Najee (23 de setembro de 2024). «Solidarity Forever is still a union classic over 110 years later». PEF Communicator (em inglês). Consultado em 5 de março de 2026. Cópia arquivada em 9 de dezembro de 2025 
  10. «Antiwar Songs (AWS): Ralph Chaplin - Solidarity Forever». Anti War Songs (em inglês). Consultado em 5 de março de 2026. Cópia arquivada em 30 de novembro de 2024 
  11. «Paint Creek and Cabin Creek Strikes». Serviço Nacional de Parques (em inglês). Consultado em 6 de março de 2026. Cópia arquivada em 11 de março de 2026 
  12. «Coal Mining and Labor Conflict – Energy History». Universidade Yale. Consultado em 6 de março de 2026. Cópia arquivada em 13 de dezembro de 2025 
  13. «Solidarity official organ of the Industrial Workers of the World (1909-1917)». Marxists. Consultado em 6 de março de 2026. Cópia arquivada em 6 de junho de 2024 
  14. The Little Red Song Book. [S.l.]: Industrial Workers of the World. Consultado em 6 de março de 2026 
  15. a b c «Preamble – Industrial Workers of the World». Industrial Workers of the World (em inglês). Consultado em 6 de março de 2026. Cópia arquivada em 19 de janeiro de 2026 
  16. «Solidarity Forever». Union Song. Consultado em 6 de março de 2026. Cópia arquivada em 3 de fevereiro de 2026 
  17. a b Chaplin, Ralph (1968). «Why I Wrote Solidarity Forever | Industrial Workers of the World». Industrial Workers of the World. Consultado em 6 de março de 2026. Cópia arquivada em 18 de dezembro de 2025 
  18. Pete Seeger & Chorus / The Almanac Singers - The Original Talking Union With The Almanac Singers & Other Union Songs With Pete Seeger And Chorus (em inglês), 1960, consultado em 6 de março de 2026 
  19. «Full tracklist». Universal Music Operations Limited. Consultado em 18 de dezembro de 2025. Arquivado do original em 18 de dezembro de 2025 
  20. «Aristocracy Forever». Industrial Workers of the World. Consultado em 6 de março de 2026. Cópia arquivada em 23 de maio de 2025 

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