Silvana Mendes

Silvana Mendes
Nascimento1991 (35 anos)
São Luís
CidadaniaBrasil
Alma mater
Ocupaçãoartista

Silvana Mendes (São Luís, 1991) é uma artista visual brasileira indicada ao prêmio PIPA em 2023 e 2025. Sua obra lida com questões raciais e está presente em acervos de espaços como Instituto Inhotim, Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Museu Afro Brasil e Museu Nacional de Belas Artes.[1][2][3]

Educação e carreira

Silvana Mendes trabalha com diferentes meios artísticos, sendo o registro fotográfico sua principal ferramenta. Seu interesse pela fotografia surgiu ainda na infância, através do acesso a uma câmera analógica emprestada por uma amiga. Aos 18 anos, ao ganhar um celular, intensificou o ato de fotografar.[4][5]

O contato com essa técnica foi ainda mais explorado durante a graduação em artes visuais na Universidade Federal do Maranhão, onde pesquisou a reprodução esteriotipada de figuras negras, com foco em mulheres, e iniciou sua busca artística por caminhos para romper com essa tradição. Foi também lá que ampliou sua pesquisa para outros meios, como colagem, pintura e vídeo.[6][7][4]

Silvana Mendes, Afetocolagem: Desconstrução de Visualidades Negativas em Corpos Negros, 2019.

Desde 2015, a artista tem trabalhado com colagens digitais, através das quais cria novos cenários e narrativas para figuras negras, de modo a retirá-las de um registro tradicionalmente conectado à subalternação. A artista também maximalizou sua produção, adotando suportes de maiores dimensões e usando de técnicas como lambe-lambe e pintura mural.[4][8]

Seu interesse específico pela técnica de lambe-lambe também foi motivado pelo baixo custo financeiro do material e por um desejo de romper com meios mais conservadores para suporte das obras de arte. A técnica também se conecta diretamente com os espectadores, ao ter as ruas como seu lugar mais comum, de modo a romper com os espaços tradicionais da arte, em geral voltados para um grupo seleto.[5][9] Alguns de seus lambes foram exibidos na Bienal do Cairo e serviram como referência para a oficina Lambe-Lambe: the Brazilian paste art workshop. Nesta oficina, crianças, dentre as quais encontravam-se refugiadas da Síria, produziram lambes inspirados nos artistas apresentados e os colaram em muros do Cairo.[10]

Através destas experimentações artísticas, Silvana promove uma reimaginação do corpo negro e da história oficial, de modo a valorizar a ancestralidade negra, devolver o protagonismo de figuras retratadas apenas pelo caráter etnográfico (sem que suas identidades fossem citadas, diferentemente dos retratos da alta classe europeia[9]) e desmontar códigos estéticos coloniais.[4][11][12][13]

A curiosidade em antigas fotografias de pessoas negras também tange a perspectiva privada da artista, que reflete, através de sua obra, sobre a ausência de registros de seus antepassados, como os avós paternos ou outros conhecidos. Tal análise reforça seu interesse por figuras anônimas em uma busca pessoal de reencontrar traços de familiaridade através de uma história de apagamento.[12][14]

Atualmente, também trabalha com o que chama de "didática descolonizadora", a partir de oficinas e palestras que a artista ministra com uma pespectiva de promoção de uma educação transformadora.[15][16]

Exposições

Coletivas

  • 2025: Ladino-Amefricanas, Sesc Nova Iguaçu, Rio de Janeiro.[17]
  • 2025: Afro-brasilidade, uma homenagem a dois Valentins e a um Emanoel, FGV Arte, Rio de Janeiro.[2]
  • 2025: Encruzilhadas da Arte Afro-Brasileira, Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira, Salvador.[18]
  • 2025: Maranhão na Jamaica, Martins&Monteiro, São Paulo.[19]
  • 2025-2024: Artistas do vestir: uma costura dos afetos, Itaú Cultural, São Paulo.[20][21]
  • 2025-2024: Dos Brasis – Arte e Pensamento Negro, Centro Cultural Sesc Quitandinha, Petrópolis.[22]
  • 2024-2023: Encruzilhadas da Arte Afro-Brasileira, Centro Cultural Banco do Brasil, São Paulo.[23]
  • 2024: Quilombo: vida, problemas e aspirações do negro, Galeria do Lago (Inhotim Brumadinho), Brumadinho.[24]
  • 2024: Um defeito de cor, SESC Pinheiros, São Paulo.[25]
  • 2024: Notícias do Brasil, Centro Cultural PGE-RJ, Rio de Janeiro.[26][27]
  • 2024: Nordeste expandido, Centro Cultural Banco do Nordeste, Fortaleza.[28]
  • 2024: Direito à memória: arte afro-brasileira e indígena em debate com o modernismo, Casa Zalszupin, São Paulo.[29]
  • 2024: Encruzilhadas da Arte Afro-Brasileira, Centro Cultural Banco do Brasil, Belo Horizonte.[30]
  • 2023: Something Else, Bienal do Cairo, Cairo.[2][31]
  • 2023: Dos Brasis, Sesc Belenzinho, São Paulo.[2]
  • 2023: Imagens que Não Conformam, Centro Cultural do Vale do Maranhão, São Luís.[2]
  • 2023: Um defeito de cor, Museu de Arte do Rio, Rio de Janeiro.[32][13]
  • 2022: Preamar, Lima Galeria, São Luís.[33]
  • 2022: Raio a Raio pelo Solar dos Abacaxis, Museu de Arte Moderna do Rio, Rio de Janeiro.[2]
  • 2022: Olhares: uma janela histórica para a independência na Caixa Cultural, Caixa Cultural, Brasília.[2]
  • 2022: 40º Arte Pará, Belém.[34][13]
  • 2022: Empoderamento, Kunstmuseum Wolfsburg Museum, Wolfsburg.[2]
  • 2022: Carolina Maria de Jesus: um Brasil para os brasileiros, Instituto Moreira Salles/Bienal de São Paulo, Sesc Sorocaba e Museu de Arte do Rio, São Paulo, Sorocaba e Rio de Janeiro.[2][35][36][37]
  • 2020: Vozes contra o racismo, Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania e Coordenadoria de Promoção da Igualdade Racial, São Paulo.[38]
  • 2019: Imagina(R)Existências, São Luís.[39]
  • 2019: Festival Cultural da Mulher, Bangalore.[39]
  • 2019: Mural do Festival, Recife.[39]
  • 2019: Festival Concreto #6, Fortaleza.[39]
  • 2018: O Lugar Dentro e Fora que o Feminino Habita em Nós, São Luís.[2]
  • 2018: Lambes Brasil, Egito/Beirute.[2]
  • 2018: Fotofestival SOLAR, Fortaleza.[2]
  • 2017: III Bienal de Artes Visuais do Sertão, Vitória da Conquista.[2]
  • 2017: Entrelaços: Reabertura do Palácio Gentil Braga, São Luís.[2]
  • 2016: VI Salão de Artes Visuais de São Luís, São Luís.[2]

Individuais

  • 2023: Solo Silvana Mendes Arpa, Galeria Almeida e Dale e Lima, São Paulo.[11][2]
  • 2018: Libertadores Brasileiros, Sesc Maranhão, São Luís.[11][2]
  • 2018: Divina Presença, Galeria Trapiche, São Luís.[2][40]

Prêmios e reconhecimentos

  • 2025: Indicada ao Prêmio PIPA.[2]
  • 2023: Indicada ao Prêmio PIPA.[2]
  • 2025: 1º lugar no concurso Prix Photo Aliança Francesa 2025[41]
  • 2023: Menção honrosa no o concurso Prix Photo Aliança Francesa 13.[2]
  • 2022: Membra do Júri de Honra do PHotoFUNIBER’22.[42]
  • 2019: 1º lugar na BANDEIRARTE | – Ensaio para as possibilidades de mais bandeiras, Rio de Janeiro.[2][43]
  • 2019: Artista selecionado para identidade visual do 12º Festival Maranhão da Tela, São Luís.[2][44]
  • 2016: Premiada no VI Salão de Artes Visuais de São Luís, São Luís.[2]

Referências

  1. Cultural, Instituto Itaú. «Silvana Mendes». Enciclopédia Itaú Cultural. Consultado em 27 de novembro de 2025 
  2. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x «Silvana Mendes». Prêmio PIPA. Consultado em 27 de novembro de 2025 
  3. Vilaseca, Equipe Portas; Studio, Vitor Butkus | Uint. «Silvana Mendes | Portas Vilaseca». www.portasvilaseca.com.br. Consultado em 27 de novembro de 2025 
  4. a b c d Cultural, Instituto Itaú. «Silvana Mendes». Enciclopédia Itaú Cultural. Consultado em 28 de dezembro de 2025 
  5. a b Alcântara, Bruna (8 de março de 2019). «Mina Que Lambe — Silvana Mendes». Lambes Brasil. Consultado em 28 de dezembro de 2025 
  6. Michelle (22 de abril de 2022). «Entrevista com Silvana Mendes, membra do Júri de Honra do PHotoFUNIBER'22». Estudar na Funiber. Consultado em 27 de novembro de 2025 
  7. Vilaseca, Equipe Portas; Studio, Vitor Butkus | Uint. «Silvana Mendes | Portas Vilaseca». www.portasvilaseca.com.br. Consultado em 27 de novembro de 2025 
  8. Nacca, Giovana (20 de dezembro de 2022). «Onde estão as mulheres negras? 15 artistas para conhecer». Arte Que Acontece. Consultado em 28 de dezembro de 2025 
  9. a b «Nossa Senhora Comparecida (2019), Silvana Mendes». NaPupila. 4 de janeiro de 2022. Consultado em 28 de dezembro de 2025 
  10. «Artista maranhense de 'lambes' tem suas obras exibidas no Egito». O Imparcial. 12 de novembro de 2018. Consultado em 28 de dezembro de 2025 
  11. a b c «Silvana Mendes». 2ª Bienal das Amazônias. Consultado em 27 de novembro de 2025 
  12. a b Dasartes (23 de novembro de 2022). «SILVANA MENDES». Dasartes. Consultado em 28 de dezembro de 2025 
  13. a b c «Artistas maranhenses participam da mostra Dos Brasis – Arte e Pensamento Negro | Sesc no Maranhão». www.sescma.com.br. Consultado em 28 de dezembro de 2025 
  14. Dasartes (24 de novembro de 2022). «Conheça a artista Silvana Mendes | Dasartes». Dasartes | Artes visuais em revista. Consultado em 28 de dezembro de 2025 
  15. Afro, Projeto. «SILVANA MENDES». Projeto Afro. Consultado em 28 de dezembro de 2025 
  16. «SP-Arte». www.sp-arte.com. Consultado em 28 de dezembro de 2025 
  17. Redação (23 de março de 2025). «RJ: mostra 'Ladino-Amefricanas' homenageia legado de Lélia Gonzalez». AlmaPreta. Consultado em 28 de dezembro de 2025 
  18. Cultural, Instituto Itaú. «Encruzilhadas da Arte Afro-Brasileira». Enciclopédia Itaú Cultural. Consultado em 27 de novembro de 2025 
  19. Cultural, Instituto Itaú. «Maranhão na Jamaica». Enciclopédia Itaú Cultural. Consultado em 27 de novembro de 2025 
  20. Cultural, Instituto Itaú. «Artistas do vestir: uma costura dos afetos». Enciclopédia Itaú Cultural. Consultado em 27 de novembro de 2025 
  21. Mira, Na (28 de novembro de 2024). «Silvana Mendes representa o Maranhão na exposição 'Artistas do Vestir' no Itaú Cultural - Imirante.com». Imirante. Consultado em 28 de dezembro de 2025 
  22. Cultural, Instituto Itaú. «Dos Brasis – Arte e Pensamento Negro». Enciclopédia Itaú Cultural. Consultado em 27 de novembro de 2025 
  23. Cultural, Instituto Itaú. «Encruzilhadas da Arte Afro-Brasileira». Enciclopédia Itaú Cultural. Consultado em 27 de novembro de 2025 
  24. Cultural, Instituto Itaú. «Quilombo: vida, problemas e aspirações do negro». Enciclopédia Itaú Cultural. Consultado em 27 de novembro de 2025 
  25. Cultural, Instituto Itaú. «Um defeito de cor». Enciclopédia Itaú Cultural. Consultado em 27 de novembro de 2025 
  26. «"Notícias do Brasil" no Centro Cultural PGE-RJ». Arte Que Acontece. Consultado em 27 de novembro de 2025 
  27. «Notícias do Brasil: Exposição retrata história do país sob olhar contemporâneo de novos artistas». Portal Sesc RJ. 22 de julho de 2024. Consultado em 28 de dezembro de 2025 
  28. Sampaio, Joanice (13 de março de 2024). «Programação especial "Nordeste Expandido: estratégias de (Re) existir" no CCBNB Fortaleza». Consultado em 27 de novembro de 2025 
  29. «Exposição "Direito À Memória: Arte Afro-Brasileira E Indígena Da Primeira Constituição Brasileira" - Artsoul». Artsoul - Marketplace de Arte Contemporânea. Consultado em 27 de novembro de 2025 
  30. Cultural, Instituto Itaú. «Encruzilhadas da Arte Afro-Brasileira». Enciclopédia Itaú Cultural. Consultado em 27 de novembro de 2025 
  31. Vilaseca, Equipe Portas; Studio, Vitor Butkus | Uint. «Silvana Mendes | Portas Vilaseca». www.portasvilaseca.com.br. Consultado em 28 de dezembro de 2025 
  32. «A ancestralidade em arte na exposição Um defeito de cor - Aline Alves Arruda - Literatura Afro-Brasileira». www.letras.ufmg.br. Consultado em 29 de novembro de 2025 
  33. «PREAMAR». preamaremrede.org. Consultado em 29 de novembro de 2025 
  34. «Arte Pará completa 40 anos de resistência e de incentivo à arte e educação» (PDF). O Liberal. 16 de outubro de 2022. Consultado em 29 de novembro de 2025 
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  36. Germano, Beta (24 de setembro de 2021). «IMS abre exposição sobre Carolina Maria de Jesus». Arte Que Acontece. Consultado em 29 de novembro de 2025 
  37. «Exposição 'Carolina Maria de Jesus: um Brasil para os brasileiros' chega ao seu último mês de exibição no Sesc Sorocaba». Agenda Sorocaba. 2 de setembro de 2022. Consultado em 29 de novembro de 2025 
  38. «Secretaria Municipal de Cultura lança projeto "Vozes Contra o Racismo"». Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa. Consultado em 29 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 24 de junho de 2025 
  39. a b c d Afro, Projeto. «SILVANA MENDES». Projeto Afro. Consultado em 29 de novembro de 2025 
  40. Rodrigues, Reginaldo. «Mostras na Galeria Trapiche da Prefeitura destacam protagonismo feminino nas artes visuais». Consultado em 27 de novembro de 2025 
  41. «Prix Photo Aliança Francesa 2025». Curso de Francês - Aliança Francesa Rio de Janeiro. Consultado em 30 de novembro de 2025 
  42. «JÚRI EDIÇÃO 2022». PHotoFUNIBER. Consultado em 27 de novembro de 2025 
  43. «Bandeirarte (2019)». Lambes Brasil. Consultado em 30 de novembro de 2025 
  44. «silvana mendes». Homem de vícios antigos. 12 de setembro de 2019. Consultado em 28 de dezembro de 2025 

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