Rubroshorea stenoptera

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Classificação científica
Reino: Plantae
Clado: Tracheophyta
Clado: Angiosperma
Clado: Eudicotyledoneae
Clado: Rosids
Ordem: Malvales
Família: Dipterocarpaceae
Género: Rubroshorea
Espécie: R. stenoptera

A Rubroshorea stenoptera, comummente conhecida pelo nome vernacular ilipé ou tengkawang, é uma espécie botânica de porte arbóreo pertencente à família Dipterocarpaceae, sendo endémica das florestas tropicais húmidas da ilha de Bornéu. Esta espécie desempenha um papel ecológico fundamental na estrutura das florestas de planície e de transição, onde frequentemente habita as margens de rios e zonas aluviais, adaptando-se a solos periodicamente inundados. Morfologicamente, caracteriza-se por um tronco robusto e cilíndrico que pode atingir alturas imponentes, sustentado por contrafortes na base que lhe conferem estabilidade no solo argiloso e instável. A sua copa densa é composta por folhas coriáceas de formato elíptico a oblongo, com uma nervação peninérvea bem marcada, que contribuem para o dossel florestal denso característico do Sudeste Asiático. A taxonomia da espécie sofreu revisões recentes, sendo anteriormente classificada no género Shorea, mas estudos filogenéticos modernos baseados em evidências moleculares e morfológicas levaram à sua reclassificação no género Rubroshorea, destacando a sua posição única dentro da tribo Shoreae.[1][2][3][4][5][6][7][8][9]

O ciclo reprodutivo da Rubroshorea stenoptera é um exemplo notável do fenómeno biológico conhecido como floração em massa ou «masting», típico das dipterocarpáceas, onde a produção de flores e sementes ocorre em intervalos irregulares, por vezes com vários anos de separação, frequentemente desencadeada por mudanças climáticas subtis como o fenómeno El Niño. Quando a floração ocorre, a árvore cobre-se de pequenas flores hermafroditas, geralmente polinizadas por tripes e outros pequenos insetos, que dão lugar a frutos alados de morfologia singular. Estes frutos possuem apêndices semelhantes a asas que facilitam a dispersão anemocórica (pelo vento) ou, dada a sua proximidade com cursos de água, a dispersão hidrocórica, permitindo que as sementes colonizem novas áreas ao longo das bacias hidrográficas. As sementes são recalcitrantes, o que significa que não sobrevivem à dessecação e devem germinar quase imediatamente após a queda no solo húmido da floresta, uma estratégia evolutiva que garante uma rápida ocupação do espaço, mas que torna a espécie vulnerável a períodos de seca prolongada ou a alterações drásticas no regime de chuvas.

Do ponto de vista económico e etnobotânico, a Rubroshorea stenoptera é extremamente valorizada devido à extração da gordura vegetal contida nas suas sementes, um produto conhecido mundialmente como manteiga de ilipé ou sebo de Bornéu. Esta gordura possui propriedades físico-químicas muito semelhantes às da manteiga de cacau, apresentando um ponto de fusão elevado e uma composição rica em triglicéridos que a torna ideal para a indústria cosmética, onde é utilizada em batons, cremes hidratantes e bálsamos labiais, e para a indústria alimentar, servindo como substituto ou extensor em produtos de chocolate. Para as comunidades locais de Bornéu, a colheita dos frutos de tengkawang representa uma fonte de rendimento sazonal crucial e uma tradição cultural profundamente enraizada, envolvendo métodos de processamento ancestrais que incluem a secagem ao sol ou sobre o fogo e a prensagem mecânica. Além do valor das sementes, a madeira da árvore, classificada no grupo do «meranti vermelho», é apreciada na construção civil e carpintaria pela sua durabilidade e estética, embora a exploração madeireira intensiva represente uma ameaça à sustentabilidade das populações selvagens.

Atualmente, a conservação da Rubroshorea stenoptera é um tema de preocupação crescente entre botânicos e ambientalistas, uma vez que a espécie enfrenta pressões significativas decorrentes da desflorestação, da conversão de florestas nativas em plantações de dendezeiros (óleo de palma) e da exploração madeireira não regulamentada. Embora existam esforços para cultivar a espécie em sistemas agroflorestais, que podem oferecer uma alternativa sustentável à colheita selvagem e ajudar a preservar a biodiversidade local, a destruição do seu habitat natural coloca em risco a variabilidade genética necessária para a sua sobrevivência a longo prazo face às alterações climáticas. A inclusão da espécie em listas de vigilância ambiental e o desenvolvimento de programas de certificação para os produtos derivados do tengkawang são passos vitais para garantir que o aproveitamento económico não resulte na extinção desta árvore majestosa. A proteção das florestas ribeirinhas de Bornéu não é apenas essencial para a sobrevivência da Rubroshorea stenoptera, mas também para a manutenção dos serviços ecossistémicos vitais que estas florestas proporcionam, incluindo a regulação hídrica e o suporte a uma vasta gama de fauna e flora endémicas.

Referências

  1. Ashton, P. S.; Heckenhauer, J. (dezembro de 2022). «Tribe Shoreae (Dipterocarpaceae subfamily Dipterocarpoideae) Finally Dissected». Kew Bulletin (em inglês). 77 (4): 885–903. ISSN 0075-5974. doi:10.1007/s12225-022-10057-w 
  2. Kalkman, C., ed. (1982). Indonesien, Lembaga Ilmu Pengetahuan Indonesia. «Flora Malesiana: being an illustrated systematic account of the Malaysian flora including keys for determination, diagnostic descriptions, references to the literature, synonymy, and distribution, and notes on the ecology of its wild and commonly cultivated plants. Ser. 1 Vol. 9, Pt. 2: Spermatophyta: flowering plants Dipterocarpaceae». Leiden: Rijksherbarium, Hortus Botanicus. ISBN 978-90-247-2696-7  Parâmetro desconhecido |editor2-sobrenome= ignorado (ajuda); Parâmetro desconhecido |editor2-nome= ignorado (ajuda); Parâmetro desconhecido |editor3-nome= ignorado (ajuda); Parâmetro desconhecido |editor3-sobrenome= ignorado (ajuda)
  3. Ashton, P. S.; Heckenhauer, J. (dezembro de 2022). «Tribe Shoreae (Dipterocarpaceae subfamily Dipterocarpoideae) Finally Dissected». Kew Bulletin (em inglês). 77 (4): 885–903. ISSN 0075-5974. doi:10.1007/s12225-022-10057-w 
  4. IUCN (30 de junho de 2019). «Shorea stenoptera: Randi, A., Barstow, M., Julia, S. & Kusumadewi, Y.: The IUCN Red List of Threatened Species 2019: e.T33623A125629727» (em inglês). doi:10.2305/iucn.uk.2019-3.rlts.t33623a125629727.en 
  5. admin (30 de dezembro de 2025). «Indonesia Species Profile of Rubroshorea stenoptera (Malvales: Dipterocarpaceae)». SSRS Publishing (em inglês). Consultado em 28 de março de 2026 
  6. Suzuki, Eizi (11 de janeiro de 2024). «FRUIT PRODUCTION OF A SIX-YEAR OLD SHOREA STENOPTERA PLANTATION AT HAURBENTES, BOGOR, INDONESIA». BIOTROPIA (2): 1–7. ISSN 1907-770X. doi:10.11598/btb.1989.0.2.90 
  7. Darmawan, Muhammad A.; Abd‐Aziz, Suraini; Gozan, Misri (27 de fevereiro de 2024). Abd‐Aziz, Suraini, ed. «Cocoa Butter Substitute from Tengkawang ( Shorea stenoptera )». Wiley (em inglês): 235–254. ISBN 978-3-527-35186-2. doi:10.1002/9783527841141.ch12. Verifique |doi= (ajuda)  Parâmetro desconhecido |editor4-sobrenome= ignorado (ajuda); Parâmetro desconhecido |editor3-nome= ignorado (ajuda); Parâmetro desconhecido |editor2-sobrenome= ignorado (ajuda); Parâmetro desconhecido |editor2-nome= ignorado (ajuda); Parâmetro desconhecido |editor4-nome= ignorado (ajuda); Parâmetro desconhecido |editor3-sobrenome= ignorado (ajuda)
  8. Hidayat, N; Darmawan, M A; Intan, N; Gozan, M (1 de junho de 2019). «Refining and Physicochemical Test of Tengkawang oil Shorea stenoptera Origin Sintang District West Kalimantan». IOP Conference Series: Materials Science and Engineering. 543 (1). 012011 páginas. ISSN 1757-8981. doi:10.1088/1757-899X/543/1/012011 
  9. Blicher-Mathiesen, Ulla (julho de 1994). «Borneo Illipe, a fat product from differentShorea spp. (Dipterocarpaceae)». Economic Botany (em inglês). 48 (3): 231–242. ISSN 0013-0001. doi:10.1007/BF02862321 

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