Pix

 Nota: "PIX" redireciona para este artigo. Para o parque e terra indígena brasileira, veja Parque Indígena do Xingu.
Pix
DesenvolvedorBanco Central do Brasil
Lançamento inicial5 de outubro de 2020; há 5 anos[nota 1]
Repositóriogithub.com/bacen/pix-api
PlataformaPlataformas bancárias, Multiplataforma
TipoMeio de pagamento eletrônico
LicençaLicença Apache
Websitewww.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/pix

Pix é um modo de transferência monetária instantâneo e de pagamento eletrônico instantâneo em real brasileiro (R$).[3] Oferecido pelo Banco Central do Brasil a pessoas físicas e jurídicas, funciona 24 horas ininterruptamente e é o mais recente meio de pagamento do Sistema de Pagamentos Brasileiro.

O projeto começou a ganhar forma em 2016, quando uma equipe de trabalho do Banco Central do Brasil liderado pelo engenheiro Carlos Eduardo Brandt chefiou a equipe técnica no desenvolvimento do PIX e publicou um relatório com detalhes do projeto, mostrando a eficiência dos sistemas de pagamentos instantâneos.[4] Dois anos depois, em 2018, o Banco Central iniciou o processo de criação da plataforma. O sistema foi aberto a cadastramento de chaves e testes em outubro de 2020 e lançado oficialmente, de forma integral, em 16 de novembro do mesmo ano.[1][2]

Suas chaves de transação (conhecidas como chaves Pix) podem ser cadastradas utilizando os números do telefone celular, CPF ou CNPJ, e endereço de e-mail do usuário. Também é possível usar uma chave aleatória (sequência alfanumérica gerada aleatoriamente) para aqueles usuários que não desejam vincular dados pessoais ao Pix. A chave permite que o Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI) identifique os dados da conta transacional (que é uma conta de depósito à vista, conta de poupança ou conta de pagamento pré-paga) que o usuário mantém na instituição de sua escolha e que foram associados à chave Pix, realizando a transação imediatamente.

O Sistema de Pagamentos Instantâneos é a infraestrutura centralizada onde são liquidadas as transferências de fundos comandadas pelos usuários do Pix e pelas próprias instituições participantes do ecossistema Pix quando resultam em transferências de fundos que afetem as Contas de Pagamentos Instantâneos (conta PI) mantidas pelas instituições junto ao Banco Central do Brasil. Este tipo de conta é mantida no BC por um participante direto do SPI.[5][6]

O nome escolhido pelo Banco Central não é sigla, mas é um termo que remete a conceitos de tecnologia, como pixel, em que a ideia é ser tão simples como um bate-papo em redes sociais, inclusive no nome. O "x" vem da variável matemática, representando as diversas possibilidades de uso do sistema.[7][8]

História

Ilan Goldfajn (esquerda) foi o presidente do Banco Central quando começaram as pesquisas sobre o que mais tarde se tornaria o Pix, durante a administração de Michel Temer (direita).

Um relatório de 2022 do Banco Central do Brasil (BC) sobre o Pix falava sobre uma "soluções que permitam, a baixo custo, pagamentos de varejo em tempo real e ininterruptos" em 2014,[9] no Relatório de Vigilância do Sistema de Pagamentos Brasileiro durante o governo de Dilma Rousseff.[10]

O sistema começou a ser estruturado pelo Banco Central do Brasil, em 2016 pelo grupo de trabalho liderado pelo engenheiro Carlos Eduardo Brandt que chefiou a equipe técnica do Banco Central no desenvolvimento do PIX. Por conta dessa atuação, ele ficou amplamente conhecido como o "Pai do Pix" e reconhecido internacionalmente.[11] Os requisitos fundamentais que estabelecem as características básicas do sistema de pagamentos instantâneos foram estabelecidos em dezembro de 2018 pelo Banco Central.[12] O objetivo do sistema é diminuir as transações com dinheiro em espécie e oferecer uma alternativa em relação aos meios de pagamento já oferecidos, como o boleto e as transações com máquinas de cartões, que seja mais rápida e barata se comparada aos já ultrapassados sistemas de TED e DOC.[13][14] O presidente do órgão na época era o economista Ilan Goldfajn. Apesar de o grupo de trabalho para a implantação do sistema ter sido oficialmente estabelecido em 2018, a equipe responsável pelo projeto afirmou que o conceito da ferramenta já existia desde dezembro de 2016. Goldfajn já sinalizava na época que o Banco Central iria lançar uma ferramenta inspirada no Zelle [en],[4] uma plataforma de pagamentos de "pessoa para pessoa", anunciada pouco antes nos Estados Unidos pela fintech Early Warning Services.[15] Goldfajn declarou que novas tecnologias estavam revolucionando o sistema financeiro, com formas de pagamento mais eficientes. Naquele ano, a equipe técnica do Banco Central publicou um relatório no âmbito do Banco de Compensações Internacionais sobre a eficiência dos sistemas de pagamentos instantâneos, com detalhes do projeto. As discussões continuaram em 2017, com estudos em parceria com o mercado financeiro e outros bancos centrais. Depois dos estudos de viabilidade, os técnicos do Banco Central concluíram que implantar esse novo sistema de pagamentos instantâneos iria "aumentar a competição, eficiência, segurança e inclusão no sistema de pagamentos brasileiro". A proposta foi avaliada pela diretoria colegiada do BC e aprovada por Goldfajn. Em maio de 2018, o banco instituiu o grupo de trabalho "Pagamentos Instantâneos", que determinou as especificações básicas do sistema. Em dezembro, ainda durante a gestão de Goldfajn (que deixaria a presidência do Banco Central em fevereiro de 2019), o BC publicou um relatório definindo os requisitos fundamentais para uma eventual implementação do novo sistema de pagamentos. No relatório, o então diretor de política monetária do Comitê de Política Monetária, Reinaldo Le Grazie, descrevia o sistema como "um método de transação bancária eficiente, competitivo, seguro e inclusivo".[4] O projeto foi levado adiante por Roberto Campos Neto durante a gestão de Jair Bolsonaro.[4] Ao ser questionado por um apoiador sobre o lançamento do Pix em 2020, Bolsonaro demonstrou não ter conhecimento do sistema,[16][17][10] apesar disso, fez uso político do sistema em 2022, afirmando falsamente que teria sido o criador.[18][19]

A marca Pix foi lançada em 19 de fevereiro de 2020 pelo BACEN, junto a material informativo para a população. O novo meio de pagamento passou a permitir transações como transferências e pagamentos, incluindo de contas, em até dez segundos. Tal qual determinado no comunicado nº 34.836 do BCB, originalmente, o sistema estava previsto de ser disponibilizado para a população a partir de novembro de 2020 através de bancos, fintechs e serviços de comércio eletrônico,[20][21] porém, no dia 5 de outubro de 2020, o sistema foi lançado oficialmente e disponibilizado pelos primeiros bancos para fins de testes.[22] O sistema de pagamento começou a funcionar plenamente em 16 de novembro de 2020.[2]

Barraca de vendedor ambulante de morango com placa escrito "Morango - 3 por 12 reais - Aceito pix"
Pix também costuma ser aceito por vendedores ambulantes

Segundo levantamento realizado pela FGVcemif & Toluna em fevereiro de 2021, em cem dias após a sua adoção, o Pix era conhecido por grande parte dos brasileiros e mais de 70% dos que conheciam o novo sistema de pagamento cadastraram ao menos uma chave de acesso. Ainda de acordo com a pesquisa, o custo (inicialmente gratuito) do Pix ainda não era o maior motivador para o uso, mas que o principal interesse estava relacionado à facilidade e rapidez do sistema de pagamento.[23]

Em 2021, foram adicionadas diversas funcionalidades ao Pix. Em 16 de novembro, aniversário de um ano do sistema, passou a valer o Mecanismo Especial de Devolução. A finalidade da ferramenta é ajudar no combate a fraudes.[24] Já em 29 de novembro, também foram adicionadas as modalidades de Pix Saque e Pix Troco para trazer mais praticidade para pessoas físicas e comércio.[24]

Em 2021, Carlos Eduardo Brandt foi o único brasileiro a figurar na lista da Bloomberg das 50 pessoas mais influentes que definiram os rumores dos negócios globais. Destaque sobre sua contribuição para a inovação no sistema financeiro brasileiro através da criação do Pix.[25]

Investigação dos Estados Unidos liderada por Donald Trump

Donald Trump em reunião com Flávio e Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo, que precedeu anúncio de novas taxas contra o Brasil por causa do Pix

Em meados de julho de 2025, o governo dos Estados Unidos iniciou uma investigação formal sobre o Pix, sob suspeita de práticas comerciais digitais discriminatórias e favorecimento a sistemas nacionais, possivelmente prejudicando empresas americanas como Visa e Mastercard.[26]

Esse caso faz parte de um movimento mais amplo dos Estados Unidos para reforçar seu sistema de pagamentos instantâneos, o FedNow, e avaliar lições aprendidas com o Pix, que detém mais de 150 milhões de usuários e é reconhecido por sua adoção massiva na economia brasileira.[27]

Em julho de 2025, o economista Paul Krugman, ganhador do prêmio Nobel, elogiou o Pix e sugeriu que, com ele, o Brasil pode ter inventado o "futuro do dinheiro", pois o sistema de pagamentos brasileiro está "realmente alcançando o que os defensores das criptomoedas alegavam, falsamente, ser capazes de entregar".[28][3][29] Essa declaração veio na semana seguinte ao início da investigação pelo governo dos Estados Unidos sobre o Pix, sob alegação de concorrência desleal; segundo Krugman, o setor financeiro norte-americano concentra grande poder e jamais permitiria que um sistema público superior competisse com seus produtos.[30] O professor de finanças da Fundação Getulio Vargas, Fabio Gallo, sobre essa investigação afirmou que o Pix está inspirando outros países a desenvolverem suas próprias soluções, enfraquecendo assim o dólar. Segundo ele, Donald Trump não teme o Pix em si, mas o que ele representa: o "fim do monopólio financeiro ocidental", no qual os Estados Unidos não são mais capazes de rastrear, tributar ou bloquear transações.[31] O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva disse que Trump está "incomodado com o Pix" porque ele "vai acabar com os cartões de crédito"; segundo a Folha de S.Paulo, membros do governo brasileiro vinculam a pressão estadunidense ao lobby das big techs e das empresas de cartão de crédito, como Visa e Mastercard.[32] Em 25 de julho de 2025, a administração de Lula também planejava lançar uma campanha "massiva" em defesa do Pix, com transmissão em rádio e TV, reforçando o slogan "O Pix é do Brasil" e associando o sistema à soberania nacional.[33]

Funcionamento

Chave Pix

As chaves são utilizadas para vincular as informações do usuário à transferência bancária. Existem quatro tipos de chaves: CPF ou CNPJ, endereço de e-mail, número de telefone celular e uma chave aleatória gerada pelo sistema. A mesma chave não pode ser utilizada em contas diferentes, devendo ser necessário cadastrar chaves diferentes para cada conta da qual a pessoa é titular, como, por exemplo, o CPF em uma instituição A, e-mail em uma instituição B ou número de telefone celular na instituição C, não sendo possível o uso do CPF, mesmo número de telefone ou e-mail em mais de uma instituição.[34] As pessoas físicas podem criar até cinco chaves para cada conta da qual é titular, enquanto as pessoas jurídicas podem criar até vinte chaves.[35] As chaves aleatórias evitam que informações pessoais sejam transmitidas durante a transação, e podem ser apagadas a qualquer momento.[36][37]

Alternativamente, é possível realizar pagamentos por Pix por QR Code, que dividem-se em QR Code estático, onde o valor ou tipo de transação estão "congelados" (muito utilizado por MEIs) e o QR Code dinâmico, utilizado para transferências individuais.[8] Também é possível realizar o pagamento por Pix por Near Field Communication (NFC).[38]

Existe grande confusão de que a pessoa para receber uma transferência via Pix precisa ter uma chave gerada, porém é possível utilizar os dados bancários de maneira igual a TED e enviar a transferência via Pix, sendo necessário nesse caso que quem envia coloque o número do banco, da agência, da conta e do CPF (ou CNPJ) para realizar a transação. Portanto, a chave é mero facilitador e não uma necessidade.[39]

Sistema de pagamento

A maior vantagem do Pix é a exclusão de intermediários durante uma transação, como as máquinas de cartão e cartões de crédito ou débito, tornando a transferência praticamente instantânea.[8] A princípio, o sistema tinha duas maneiras de funcionamento diferentes: pagamento entre pessoas físicas e entre pessoas físicas e jurídicas. Em ambos, aquele que paga utilizará a chave Pix daquele que recebe para fazer a transferência (que no caso de pessoas físicas pode ser um código QR, um link de pagamento, o código da chave Pix ou algum dado pessoal como CPF, numero de telefone ou e-mail do receptor, já no caso de pessoa jurídica pode ser um código QR ou o código da chave Pix do estabelecimento).[40] As transações do sistema são feitas através do Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI), com as mensagens sendo enviadas em XML através da Interface de Comunicação do SPI (ICOM). Já o Diretório de Identificadores de Contas Transacionais (DICT) faz a gestão das chaves e outras formas de pagamento.[41] A API Pix pode ser usada para auxiliar na integração de instituições financeiras e de pagamento.[42]

Além do Pix Tradicional, o sistema possui diversas modalidades. No Pix Parcelado, é possível pagar parcelado com cartão de crédito. No Pix Saque, é possível realizar saques bancários através do sistema. No Pix Troco, é possível que o cliente receba parte do dinheiro de volta em uma transação.[38] No Pix Cobrança, é possível realizar cobranças, servindo de alternativa para o boleto bancário.[43] O Pix Garantido será uma alternativa de parcelamento.[44] O Pix Automático permitirá a que o usuário agende pagamentos para pessoas físicas. Já o Pix Agendado Recorrente funcionará para pessoas jurídicas.[45]

Taxas

Por determinação do Banco Central as contas de pessoa física, MEIs e EIs não podem sofrer cobranças tanto para envio (com as finalidades de transferência e de compra) quanto para recebimento através do Pix (com finalidade de transferência). O custo para as instituições financeiras cobrado pelo Banco Central é de R$ 0,01 a cada 10 créditos em conta Pagamentos Instantâneos (conta PI) própria em função da liquidação de ordem de pagamento instantâneo.

Esta restrição porém não atinge o resto das empresas que podem sofrer cobranças a critério exclusivo de seu banco, já instituídas por bancos como Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil.[46]

Desinformação sobre taxação, fragilização dos mecanismos de controle e identificação de operações do PCC

O deputado federal Nikolas Ferreira, do Partido Liberal (PL), lançou um vídeo viral que alimentou a disseminação da desinformação a respeito de uma suposta taxação e monitoramento do Pix por parte do Governo Federal. Essa desinformação afetou o aumento da fiscalização sobre transações via Pix e ajudou a atuação de esquemas criminosos ligados ao PCC[47][48]

Desde 2001 os bancos precisam informar movimentações (créditos mais débitos) superiores a um certo valor à Receita Federal. Essas informações são lançadas pelas instituições no sistema e-Financeira, criado em 2015. Nesse sistema, não se identifica a forma como os débitos e créditos foram realizados em uma conta (como depósitos, pagamentos de boleto, Pix, TED, compras com cartão etc.) Também não é informada a origem ou o destino dos pagamentos.[49] Porém, as fintechs não prestavam informações ao e-Financeira até 2024, gerando um vácuo regulatório. Isso permitia o uso de contas-bolsões para lavagem de dinheiro.[50] Mesmo grandes fintechs, como Nubank e C6 Bank, estavam isentas dessas obrigações.

Intensa polêmica foi suscitada pela tentativa de estabelecer igual tratamento para fintechs e bancos tradicionais, em setembro de 2024, através de uma Instrução Normativa (IN) da Receita Federal. Políticos de direita, em especial o deputado Nikolas Ferreira (PL), e influenciadores acusaram o governo federal de estar preparando a "taxação do pix" ou a ampliação do monitoramento de Pessoas Físicas para fins de arrecadação de Imposto de Renda. Em janeiro de 2025, Nikolas Ferreira publicou um vídeo criticando uma norma da Receita Federal criada pelo governo Lula para ampliar o monitoramento de transações financeiras realizadas via Pix e cartão de crédito por instituições financeiras digitais, envolvendo movimentações superiores a 5 mil reais para pessoas físicas e 15 mil reais para pessoas jurídicas. A medida tinha como objetivo fortalecer o combate a atividades ilícitas e à sonegação fiscal.[51] Em apenas 24 horas, o vídeo tornou-se o terceiro mais assistido da história da internet naquele momento, desconsiderando trailers de filmes e séries.[52] Segundo a agência de checagem Aos Fatos, a ampla repercussão da publicação contribuiu para a disseminação de informações enganosas sobre a fiscalização do Pix, tema que já dominava os debates nas redes sociais.[53] Após a intensa reação pública e a circulação de desinformação relacionada à medida, o governo federal decidiu revogar a norma.[54]

Posteriormente, a Receita Federal declarou que a revogação da fiscalização enfraqueceu o monitoramento de operações financeiras e favoreceu organizações criminosas, e Robinson Barreirinhas, secretário especial do órgão, declarou que a Receita Federal sofreu "o maior ataque da história":

"Publicamos essa instrução em setembro do ano passado [2024], para valer a partir de janeiro. O que aconteceu em janeiro todos nós sabemos. A Receita Federal recebeu o maior ataque da história dela, de mentiras, de fake news, dizendo mentirosamente que aquela instrução normativa tratava de tributação de meios de pagamento".[47][55]

Em agosto de 2025, quando a Operação Carbono Oculto detectou fintechs e fundos de investimento envolvidos em lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC), a necessidade de impor o igual tratamento voltou ao debate público. No dia seguinte à megaoperação, publicou-se nova IN obrigando as fintechs a prestar as mesmas informações que os bancos no sistema e-Financeira.[56] De acordo com a investigação, a ação do grupo criminoso teria sido favorecida pela falta de fiscalização, cenário que foi intensificado pela disseminação de informações falsas nas redes sociais. [57]

A Instrução Normativa RBF 2278/25 foi escrita de modo sucinto para tentar reduzir especulações. Nela, informa-se expressamente o objetivo de “combate aos crimes contra a ordem tributária, inclusive aqueles relacionados ao crime organizado, em especial a lavagem ou ocultação de dinheiro e fraudes”. Mais uma vez o PIX não é mencionado na IN.[58] Embora alguns acusem a medida de tentar ampliar o número de pessoas que cai na malha fina da Receita Federal, o valor de referência subiu em relação ao que vigorava até 2024, como se vê no quadro abaixo:[59]

Antes da IN RBF 2278/25 Depois da IN RBF 2278/25
Quem fornece à Receita Federal os dados sobre movimentação em conta? Bancos plenos Bancos plenos e fintechs
Valor das operações financeiras informadas ao e-Financeira (soma de débitos e créditos) A partir de R$ 2000 A partir de R$5000[59]
Necessidade de identificar origem ou instrumento de pagamento Nenhuma Nenhuma

Popularidade

Após seu lançamento, o Pix se tornou um meio de pagamentos muito utilizado, ultrapassando em pouco tempo outras tecnologias, como cheques, boletos e até mesmo cartões de crédito e débito.[60]

A utilização do Pix – o serviço brasileiro de pagamentos instantâneos – já supera a de outros meios de pagamentos mais antigos, como DOC, TED e boleto bancário. A constatação foi feita nesta quinta-feira, 20, pelo Banco Central por meio do documento “Pix: O novo meio de pagamento brasileiro”.[61]

Dois anos depois do lançamento, o Pix já contabilizava 523,2 milhões de chaves cadastradas e 26 bilhões de transações, consolidando-se como o meio de pagamento mais utilizado no Brasil.[62] Em 2023, esta forma de pagamento alcançou a marca de 152 milhões de usuários cadastrados. Isso significa que 7 em cada 10 brasileiros utilizam ou têm interesse em utilizar o Pix.[63] Durante o primeiro semestre de 2024, as transações via Pix atingiram R$ 29 bilhões, representando alta de 61% ante o mesmo período de 2023, segundo levantamento da Febraban.[64]

Além disso, no primeiro trimestre de 2024, lojistas da plataforma de e-commerce da Nuvemshop registram que o Pix representou quase metade de todas as compras realizadas, atingindo 46% do total. O cartão de crédito ficou em segundo lugar, com 44% dos pedidos pagos.[65]

O sistema de pagamento também tem sido utilizado em alguns locais da Argentina, devido a desvalorização do peso argentino e à grande quantidade de turistas brasileiros, evitando a necessidade de conversão de moeda e as taxas relacionadas.[66] Serviços globais como a Wise também aceitam e realizam pagamento em Pix.[67] Também tem sido utilizado em outros países, como Espanha e Portugal.[68]

Em junho de 2025 atingiu um novo recorde, quando foram realizadas 276,7 milhões de transferências via Pix em um único dia.[69][70][71]

Golpes, fraudes e problemas

Por facilitar a transferência de dinheiro, o Pix também facilitou a transferência fraudulenta de dinheiro. Diversos golpes são divulgados pela mídia como "golpes do Pix", pois utilizam a ferramenta, apesar de não serem associados diretamente ao Pix em si. É possível pedir reembolso do valor transferido, caso comprovada a fraude, através do Mecanismo Especial de Devolução (MED). A vítima do golpe deve registrar pedido de devolução na instituição bancária em até 80 dias da realização do Pix.[72][73] Em setembro de 2024, o BC introduziu um alerta para transações atípicas.[74] No entanto, conforme advertem pesquisadores, o MED apenas é viável quando o dinheiro permanece na conta destino, o que não ocorre na maioria dos casos de crimes cibernéticos, em que a única alternativa está na aplicabilidade das medidas assecuratórias per saltum[75] pela polícia judiciária.

O Pix proporcionou um ressurgimento dos sequestros-relâmpago, modalidade de crime até então "adormecida". Quadrilhas especializadas sequestram vítimas para forçá-las a fazer transferências bancárias de grande valor por meio do Pix.[76] Para combater isso, o Banco Central, em agosto de 2021, anunciou algumas medidas de segurança no aplicativo. Dentre elas, a mais importante é o limite de mil reais para transferências realizadas à noite.[77]

Outro problema relacionado ao uso do Pix é o envio de dinheiro para uma conta errada. Nessas situações, quem enviou pode solicitar a devolução do dinheiro. A não devolução pode ser considerada enriquecimento sem causa e apropriação indevida de valores, que pode resultar no crime de apropriação.[78] Em 2022, um advogado recebeu um Pix errado da Rede Globo no valor de R$ 318 mil, e foi condenado a devolver o valor.[79]

Operações policiais

Em 5 de julho de 2022, a Polícia Civil do Distrito Federal prendeu um jovem de 22 anos na Cidade Ocidental acusado de aplicar o golpe do Rei do Pix.[80] Em 24 de maio de 2023, a Polícia Civil de São Paulo prendeu 17 pessoas que faziam parte de uma quadrilha que usava a força para obrigar transferências por Pix. Eles agiam em Santo André, São Bernardo do Campo, Mauá, Ribeirão Pires e Mongaguá.[81] Em 13 de junho, a Polícia Civil prendeu doze pessoas na Operação Rei do Pix. Elas foram acusadas de integrar uma quadrilha homônima que roubava imóveis e exigia senhas para transferências e empréstimos.[82][83] O líder da quadrilha, Hércules Reinan de Oliveira, havia sido preso no início do mês na Vila Prudente.[84]

Lista parcial de golpes

Golpe Descrição Ref
Atendimento bancário falso O criminoso se passa por atendente de banco e pede para a vítima criar uma chave no Pix. Em seguida, pede uma transferência para teste. [85]
Bug do Pix O criminoso divulga fake news sobre uma suposta falha no Pix, onde o participante ganharia dinheiro após transferir para determinadas contas. [85]
Comprovante falso O criminoso emite um comprovante de pagamento falso para evitar realizar um pagamento. [86]
Pirâmide financeira O criminoso oferece pagamentos via Pix mediante o cumprimento de determinadas tarefas, geralmente ligadas ao marketing digital. Quando a vítima é convidada para entrar no esquema, ela precisa realizar pagamentos cada vez maiores para "evoluir" nas tarefas e resgatar os ganhos. [87]
Pix errado O criminoso transfere o dinheiro para uma conta e entra em contato pedindo o dinheiro de volta, mas utilizando outra chave. Assim, além do dinheiro retornado pela vitima, é possível usar o Mecanismo Especial de Devolução (MED) para solicitar o dinheiro de volta pelo banco. [88]
Pix Agendado falso O criminoso envia uma imagem falsa ou cortada de um Pix Agendado para evitar realizar um pagamento. [89]
QR Code falso O criminoso pede doações através de QR Codes em, por exemplo, livestreams falsas. [85]
Quiz do Pix O criminoso oferece um pagamento via Pix caso algumas perguntas sejam respondidas, porém a url enviada é maliciosa e rouba os dados da vítima. [90]
Rei do Pix O criminoso afirma que realizou algum ato fraudulento, como a clonagem de cartões de crédito, e que precisa de uma conta para transferir o dinheiro. A pessoa realiza uma transferência esperando que o dinheiro retorne multiplicado, porém isto nunca ocorre. Neste caso, a vítima também pode ser enquadrada por estelionato. Uma versão particularmente popular deste golpe foi o Urubu do Pix. O esquema é conhecido por outros nomes, como "Pix Online", "Esquema do Pix", "Pix do Dia", entre outros. [91][92]
WhatsApp clonado O criminoso pede dinheiro pelo Pix para conhecidos se passando pela vítima. [85]

Impacto nacional e internacional

Uso político

Em 2022, Jair Bolsonaro afirmou falsamente que teria sido responsável pela criação do Pix.[93][94][18] Na verdade, o conceito do meio de pagamento foi projetado em 2016 e teve suas principais diretrizes definidas em 2018, ainda durante a gestão de Michel Temer.[93][94] Quando o sistema foi lançado, Bolsonaro demostrou desconhecer o método.[95] A desinformação foi transmitida no horário eleitoral obrigatório, veiculada na plataforma de anúncios do Google e disseminada em redes sociais.[93][94][18]

Em duas oportunidades, o Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal) repudiou o uso eleitoral do Pix por parte de Bolsonaro e atribuiu a criação do meio de pagamento aos analistas e técnicos do Banco Central do Brasil.[19][96]

Uso social

Algumas pessoas passaram a enviar quantias muito pequenas de dinheiro para usar o Pix como mensageiro instantâneo. Também é possível enviar códigos de html pela plataforma.[97] Parte dessas mensagens são usadas para a paquera. Por vezes, o Pix é usado quando uma pessoa perde o contato por ser bloqueada de todas as redes sociais. Ainda, alguns usuários compartilham sua chave do Pix em redes sociais como o Twitter para receber dinheiro e flertes. Os usuários que assim procedem foram apelidados de pixsexuais, e a plataforma foi apeliadada de PixTinder.[98][99][100] O Banco Central pronunciou-se dizendo que “O PIX é um meio de pagamento, não uma rede social”. Também afirmou que não há como bloquear usuários, mas é possível desativar as notificações para não ser incomodado com as mensagens. Ainda, alertou dos riscos de vazamento de dados sensíveis ao compartilhar a chave pela internet.[101][102]

A possibilidade de enviar uma mensagem sabendo apenas o CPF da pessoa, caso ele tenha sido registrado como chave Pix, permite que o serviço auxilie na devolução de documentos perdidos. Basta enviar um Pix para a chave do CPF explicando onde o documento pode ser encontrado.[103]

Reconhecimento internacional

O Pix é considerado uma revolução nos sistemas de pagamentos mundiais. Segundo o vencedor do Nobel da Economia de 2008, Paul Krugman, o Pix pode ser considerado o futuro do dinheiro. O economista também completou dizendo: “Outras nações podem aprender com o sucesso do Brasil no desenvolvimento de um sistema de pagamento digital. Mas os Estados Unidos provavelmente permanecerão presos a uma combinação de interesses pessoais e fantasias cripto.”[104]

Ver também

Notas e referências

Notas

  1. A versão lançada em 5 de outubro era uma versão de testes; a versão integral do sistema foi lançada em 16 de novembro de 2020.[1][2]

Referências

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  7. «Pix: entenda o sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central». Conductor. 22 de outubro de 2019. Consultado em 29 de novembro de 2020. Cópia arquivada em 3 de agosto de 2021 
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  10. a b «Quem criou o Pix? Como nasceu o sistema de pagamentos que está na mira do governo Trump». BBC News Brasil. 4 de junho de 2026. Consultado em 4 de junho de 2026 
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