Patoo Abraham
Patoo Abraham (nascida em 1966) é uma prostituta nigeriana e ativista pelos direitos das trabalhadoras do sexo, que defende a legalização do trabalho sexual na Nigéria e a descriminalização das mulheres em prostituição. Desde 2014, é líder da Aliança Africana de Trabalhadoras do Sexo (AAES) na Nigéria.[1][2] É também presidente da Women of Power Initiative (WOPI), ONG criada para melhorar as condições do trabalho sexual na Nigéria.[3][4] Organizou várias manifestações nas ruas de Lagos contra abusos e estigmatização sofridos pelas trabalhadoras do sexo.[5]
Ativismo
Abraham integrou e liderou duas organizações que defendem os direitos das trabalhadoras do sexo na África: a seção nigeriana da Aliança Africana de Trabalhadoras do Sexo e a Women of Power Initiative.[3]
Em 2014, como líder da seção nigeriana da AAES, conduziu vários protestos por direitos e proteção das trabalhadoras do sexo na Nigéria. Seu objetivo era garantir às profissionais do trabalho sexual os mesmos direitos e respeito atribuídos a qualquer outra profissão.[6] Em entrevista durante as manifestações em Lagos, declarou: “Estamos cansadas de morrer em silêncio. Queremos exercer nossa profissão com orgulho, como qualquer outra pessoa. Queremos o fim dos termos pejorativos e da estigmatização.”[6]
Além dos protestos de rua, Abraham manteve a defesa pela legalização do trabalho sexual por meio de sua atuação na AAES e na WOPI, onde atuou como presidente. A WOPI era uma ONG voltada a apoiar e valorizar a profissão das trabalhadoras do sexo.[6]
Aliança Africana de Trabalhadoras do Sexo
Em 2014, Abraham chefiou a seção nigeriana da AAES.[3][6] A AAES é dirigida por trabalhadoras do sexo; sua missão é apoiar os direitos dessas profissionais e “defender e promover a saúde e os direitos humanos de trabalhadoras do sexo de todos os gêneros”.[7] Fundada em 2009, uniu grupos de trabalhadoras do sexo, ativistas e ONGs em prol da igualdade de direitos.[8]
Sob sua liderança, a seção nigeriana da AAES organizou protestos de rua em Lagos em defesa da igualdade.[3][6]
A AAES pauta suas ações em seis valores principais: Prestação de Contas e Transparência; Igualdade e Justiça; Voz e Autonomia; Respeito; Diversidade e Inclusão; e Solidariedade. Esses princípios orientam todas as atividades da organização.[7]
Durante o período em que Abraham liderou a AAES, foi realizado o estudo qualitativo “We Fit in the Society by Force: Sex Work and Feminism in Africa”, que teve participantes da AAES como objeto de pesquisa.[9]
Protestos de rua em Lagos

Abraham liderou os protestos de rua em Lagos.[3][6] Todos os manifestantes vestiam camisetas com a inscrição “Trabalho sexual é trabalho, queremos nossos direitos”.[6] Carregaram guarda-chuvas vermelhos em homenagem ao projeto Red Umbrella, criado na Itália em 2001 como símbolo de resistência à discriminação. O símbolo foi registrado pela Aljazeera durante as manifestações.[3] As mobilizações tiveram cobertura de veículos como Aljazeera, Legit.ng e Daily Post Nigeria.[3][6][10] Apesar das manifestações, o Código Penal nigeriano continua criminalizando a prostituição.[10]
Referências
- ↑ «Nigerian Prostitute Leads Protest In Lagos». Naij. Consultado em 18 de novembro de 2016
- ↑ Orenuga, Adenike (4 de agosto de 2014). «"Sex is work too" – Nigerian prostitutes protest on the streets of Lagos [Photos]». Daily Post (Nigeria). Consultado em 18 de novembro de 2016
- ↑ a b c d e f g Ameh, Juliana (6 de agosto de 2014). «Nigerian prostitutes ramp up drive for rights». Aljazeera.com. Consultado em 31 de março de 2015. Arquivado do original em 7 de setembro de 2015
- ↑ Onikoyi, Ayo (20 de setembro de 2014). «I'm in trouble, Maheeda cries out». Vanguard. Consultado em 31 de março de 2015
- ↑ «Nigerian prostitutes to declare three days of free sex if Buhari wins». Daily Post. 9 de janeiro de 2015. Consultado em 31 de março de 2015
- ↑ a b c d e f g h Thabit, Khadijah (4 de agosto de 2014). «Nigerian Prostitutes Protest In Lagos». Legit.ng - Nigeria news. (em inglês). Consultado em 2 de outubro de 2024
- ↑ a b «About - ASWA ALLIANCE» (em inglês). 30 de julho de 2020. Consultado em 2 de outubro de 2024
- ↑ «African Sex Workers Alliance (ASWA)». Global Network of Sex Work Projects
- ↑ Yingwana, Ntokozo (2018). «"We Fit in the Society by Force": Sex Work and Feminism in Africa». Meridians. 17 (2): 279–295. ISSN 1536-6936. JSTOR 48674055. doi:10.1215/15366936-7176439
- ↑ a b Orenuga, Adenike (4 de agosto de 2014). «"Sex is work too" - Nigerian prostitutes protest on the streets of Lagos [PHOTOS]». Daily Post Nigeria (em inglês). Consultado em 2 de outubro de 2024
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