Moyses Chahon

Moyses Chahon
Dados pessoais
Nome de nascimentoMoyses Chahon
Nascimento27 de agosto de 1918
Rio de Janeiro, RJ
Morte24 de junho de 1981 (62 anos)
Rio de Janeiro, RJ
Carreira militar
ForçaExército Brasileiro
Anos de serviço1939–1971
Hierarquia
General de divisão
Unidade1.º Regimento de Infantaria
Comandos6ª Companhia, 2.º Batalhão (FEB)
GuerrasSegunda Guerra Mundial
HonrariasSilver Star (EUA)
Cruz de Combate (Brasil)
Medalha Sangue do Brasil

Moyses Chahon (Rio de Janeiro, 27 de agosto de 1918 — Rio de Janeiro, 24 de junho de 1981) foi um general de divisão do Exército Brasileiro, veterano da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Segunda Guerra Mundial. Serviu entre 1939 e 1971, tendo integrado o 1.º Regimento de Infantaria (Regimento Sampaio) e comandado uma companhia do 2.º Batalhão da FEB durante a Campanha da Itália.[1]

Como oficial de infantaria, participou de ações decisivas nas batalhas de Monte Castelo e de La Serra, destacando-se nesta última ao manter o comando de seu pelotão mesmo após ser ferido em combate. Por sua atuação, foi condecorado com a Estrela de Prata (Silver Star) do Exército dos Estados Unidos, além da Cruz de Combate e da Medalha Sangue do Brasil, figurando entre os poucos militares brasileiros agraciados com tal distinção estrangeira.[2][3]

No pós-guerra, desenvolveu uma trajetória singular pela formação multidisciplinar, graduando-se em Engenharia pelo Instituto Militar de Engenharia, em Arquitetura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e em Direito. Atuou em funções técnicas e de planejamento no Exército Brasileiro, sendo posteriormente reconhecido pela historiografia militar como um dos símbolos da participação judaica brasileira na FEB.[4]

Infância e formação

Moyses Chahon era filho de judeus sefarditas imigrantes: José Ascher Chahon, natural da Ilha de Rodes, e Mathilde Gammal, natural de Izmir, na Turquia. O casal estabeleceu-se no Rio de Janeiro no início do século XX. Após a morte prematura do pai, Moyses e seu irmão Alberto foram criados pela mãe.[5]

De acordo com registros da imprensa da época, Mathilde Gammal optou por não intervir para que apenas um dos filhos fosse dispensado do serviço militar obrigatório durante a Segunda Guerra Mundial.[6]

Cursou o ensino primário no Colégio Anglo-Americano e o ensino secundário no Colégio Pedro II, em regime de internato.

Carreira militar

Ingressou na Escola Militar do Realengo em 28 de abril de 1939, sendo declarado aspirante a oficial da infantaria em 1941. Sua primeira comissão foi em Florianópolis, Santa Catarina, onde exerceu a função de porta-bandeira da Guarda de Honra.[7]

Promovido a primeiro-tenente, foi transferido para o 1.º Regimento de Infantaria (Regimento Sampaio), sediado na Vila Militar do Rio de Janeiro, unidade que integrou o núcleo inicial da Força Expedicionária Brasileira (FEB).[8]

Segunda Guerra Mundial

Embarcou para a Itália em 22 de setembro de 1944, integrando o 2.º Escalão da Força Expedicionária Brasileira (FEB). Atuou como comandante de pelotão da 6.ª Companhia do Regimento Sampaio, sob comando operacional do V Exército dos Estados Unidos. Na condição de oficial judeu, estava sujeito a risco adicional em caso de captura, em razão da política de extermínio do regime nazista.[9]

Combates em Monte Castelo

Participou das ofensivas brasileiras contra Monte Castelo, posição estratégica da Linha Gótica. Esteve presente tanto no ataque inicial de 12 de dezembro de 1944, frustrado pelas condições climáticas e pela resistência alemã, quanto na ofensiva vitoriosa de 21 de fevereiro de 1945, no contexto da Operação Encore.[10]

Batalha de La Serra

Na sequência das operações após Monte Castelo, entre 23 e 24 de fevereiro de 1945, comandou o ataque ao Ponto Cotado 958, em La Serra, posição defensiva alemã. Ferido por estilhaços no início da ação, recusou evacuação médica e permaneceu no comando do pelotão durante sucessivos contra-ataques, assegurando a manutenção da posição conquistada.[11]

Em decorrência dessa ação, foi condecorado com a Estrela de Prata do Exército dos Estados Unidos, distinção concedida por bravura em combate.[12]

Pós-guerra

Após o retorno ao Brasil, em 1945, prosseguiu na carreira no Exército Brasileiro. Formou-se em Engenharia pelo Instituto Militar de Engenharia, em Arquitetura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e em Direito, aplicando sua formação em funções técnicas e de planejamento militar, incluindo atividades na Fábrica de Armas de Itajubá e no planejamento de instalações e vilas militares.[13]

Ascendeu sucessivamente na hierarquia militar, alcançando os postos de major, tenente-coronel e coronel, até ser promovido a general de divisão. Foi transferido para a reserva em 1969 e reformado em 1971, encerrando formalmente sua carreira militar após 32 anos de serviço.

Condecorações

Internacionais (Bravura em Combate)

Nacionais (Campanha e Bravura)

  • Cruz de Combate de 2ª Classe.[14]

Mérito e Carreira

Ver também

Referências

  1. Blajberg, Israel (2017). «Moyses Chahon, Um dos Maiores Heróis Brasileiros Judeus da II Guerra Mundial». Cuadernos Judaicos (em espanhol) (34): 196–205. ISSN 0718-8749. doi:10.5354/0718-8749.2017.48012 
  2. Blajberg, Israel (2015). Estrela de David no Cruzeiro do Sul. Resende, RJ: AHIMTB. p. 221 
  3. Comando da Força Expedicionária Brasileira (9 de abril de 1945). «Boletim Interno nº 99 da Força Expedicionária Brasileira» 
  4. Blajberg, Israel (2010). «A saga militar judaica do Brasil: cinco séculos de história». Revista do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil. 69 (97) 
  5. «Mensagem familiar da Sra. Mathilde Gammal Chahon ao 1.º Tenente Moysés Chahon» (PDF). O Globo Expedicionário. 28 de dezembro de 1944. p. 17. Consultado em 9 de janeiro de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 9 de janeiro de 2026 
  6. «Movimento de Oficiais» (PDF). Diário de Notícias. 24 de outubro de 1948. p. 5. Consultado em 9 de janeiro de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 9 de janeiro de 2026 
  7. Blajberg, Israel (2008). «Soldados que Vieram de Longe: Os 42 Heróis Brasileiros Judeus da 2ª Guerra Mundial». Calaméo. Consultado em 11 de janeiro de 2026 
  8. Blajberg, Israel (2008). «Soldados que Vieram de Longe: Os 42 Heróis Brasileiros Judeus da 2ª Guerra Mundial». Calaméo. Consultado em 11 de janeiro de 2026 
  9. Blajberg, Israel (2017). «Moyses Chahon, Um dos Maiores Heróis Brasileiros Judeus da II Guerra Mundial». Cuadernos Judaicos (em espanhol) (34): 196–205. ISSN 0718-8749. doi:10.5354/0718-8749.2017.48012 
  10. Associação dos Expedicionários Campineiros (9 de agosto de 2018). «A Operação Encore e a vitória de Monte Castelo». Consultado em 10 de janeiro de 2026 
  11. Blajberg, Israel (2015). Estrela de David no Cruzeiro do Sul. Resende, RJ: AHIMTB. p. 221 
  12. Comando da Força Expedicionária Brasileira (9 de abril de 1945). «Boletim Interno nº 99 da Força Expedicionária Brasileira» 
  13. Blajberg, Israel (2010). «A saga militar judaica do Brasil: cinco séculos de história». Revista do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil. 69 (97) 
  14. «Presidente cria novas medalhas» (PDF). Página 2. Manhã. Rio de Janeiro. 11 de abril de 1945. p. 2. Consultado em 10 de janeiro de 2026 

Bibliografia

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