Maria de Montpellier
| Maria | |||||
|---|---|---|---|---|---|
| Viscondessa de Marselha Condessa de Comminges | |||||
| Senhora de Montpellier | |||||
| Reinado | 15 de junho de 1204 – 18 de abril de 1213 | ||||
| Antecessor(a) | Guilherme IX | ||||
| Sucessor(a) | Jaime I | ||||
| Rainha consorte de Aragão Condessa de Barcelona | |||||
| Reinado | 15 de junho de 1204 – 18 de abril de 1213 | ||||
| Predecessor(a) | Sancha de Castela | ||||
| Sucessor(a) | Leonor de Castela | ||||
| Dados pessoais | |||||
| Nascimento | 1175/1180/1182 Montpellier, Hérault, França | ||||
| Morte | 18 de abril de 1213 Roma, Itália | ||||
| Sepultado em | Capela de Santa Petronila, Roma Basílica de São Pedro, Vaticano (posteriormente) | ||||
| Cônjuge | Raimundo Godofredo (Barral) de Marselha Bernardo IV de Comminges Pedro II de Aragão | ||||
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| Casa | Guilhem (por nascimento) Barcelona (por casamento) | ||||
| Pai | Guilherme VIII de Montpellier | ||||
| Mãe | Eudócia Comnena | ||||
| Religião | Igreja Católica | ||||
Maria de Montpellier (em francês: Marie; Montpellier, 1175/1180/1182 — Roma, 18 de abril de 1213)[1][2][3] foi senhora soberana de Montpellier (suo jure) e rainha consorte de Aragão pelo seu terceiro casamento com Pedro II de Aragão.
Família
Maria foi a única filha nascida de Guilherme VIII de Montpellier e de Eudócia Comnena, sobrinha do imperador Manuel I Comneno,[4] fazendo de Maria sua sobrinha-neta.
Os seus avós paternos foram Guilherme VII de Montpellier e Matilde de Borgonha. Os seus avós maternos são desconhecidos.
Do segundo casamento do pai, teve vários meio-irmãos: Guilherme IX de Montpellier, Tomás, Raimundo, um monge, Bernardo Guilherme, Guido, monge em Cluny, Burgondião, Inês, esposa de Raimundo Rogério, visconde de Béziers e Adelaide ou Ermesinda, esposa de Godofredo II, visconde de Rocaberti.
Biografia
Como condição do casamento entre os pais, o primogênito, fosse homem ou mulher, sucederia ao título de senhor ou senhora de Montpellier. Portanto, ela foi a herdeira desde o seu nascimento.[5]
O pai de Maria repudiou a esposa, e se divorciou de Eudócia em abril de 1187. Eudócia se tornou uma freira da Ordem de São Bento, em Aniane. [4]Ele então se casou com Inês de Castela ou Inês Gonzalez de Maranon, com quem teve oito filhos. No entanto, o Papa declarou o casamento deles inválido, e os filhos frutos da união como ilegítimos.[5]
Primeiro casamento
Por volta de 1192, Maria se casou com o visconde Raimundo Godofredo de Marselha, também conhecido como Barral, de quem foi a segunda esposa. Ele era filho de Hugo Godofredo de Marselha e de Cecília d'Aurons. O dote for 100 marcos de prata, em troca da renúncia expressa de seus direitos ao senhorio. [6] Contudo, ele logo veio a falecer em dezembro 1192, e eles não tiveram filhos.
Segundo casamento
Em dezembro de 1197, ela se casou com o conde Bernardo IV de Comminges, filho de Bernardo III de Comminges. Ao se casar com ele, Maria foi obrigada pelo pai a renunciar novamente os seus direitos sob Montpellier em favor do meio-irmão, Guilherme. Maria teve pelo menos duas filhas com o segundo marido. Devido ao fato de que Bernardo tinha duas esposas anteriores ainda vivas, e também por razões de consanguinidade, os dois se divorciaram em 1201.[5][4] Portanto, ela novamente passou a ser herdeira, tornando a sua renúncia inválida, embora o seu pai não a tenha reconhecido como herdeira.[5]

Terceiro casamento
O pai de Maria faleceu em 1202, lhe deixando dinheiro no seu testamento datado de 4 de novembro de 1202,[1] e o seu meio-irmão passou a governar a cidade, apesar dos direitos de Maria.[5] Porém, alguns anos mais tarde, ela finalmente recuperou o território graças a uma revolta contra Guilherme IX, em 15 de junho de 1204.[1][4] Foi nessa mesma data que a senhora Maria se casou com o rei Pedro II de Aragão, na Ordem do Templo, em Montpellier. [6] Pedro era filho de Afonso II de Aragão e de Sancha de Castela. Curiosamente, a mãe de Maria, Eudócia, tinha sido noiva de Afonso II. [6]
Para Pedro, o casamento foi uma oportunidade de preservar o condado de Rossilhão e os territórios ocitanos. A união teve a aprovação dos cidadãos da cidade e o monarca aragonês aceitou um empréstimo do conde da Provença para casar. Durante os primeiros meses de união, o casal realizou atos de governo conjunto, embora o rei Pedro prometesse obter a aprovação de sua esposa. Mas não demorou a dispensá-la, despertando também a desaprovação das forças políticas da cidade, como ficou demonstrado em 1206 quando o povo de Montpellier se amotinou contra o monarca, que teve de refugiar-se no castelo de Lattes, de onde saiu com vida graças à intervenção do bispo. [6]
Como Pedro rejeitava Maria, os cônsules de Montpellier, cientes do infortúnio de sua senhora, armaram para ela: um encontro amoroso com seu amado que só precisava cumprir a condição de ocorrer na escuridão absoluta. [6]
O rei concordou de bom grado, mas a suposta amante não era outro senão sua legítima esposa. Do lado de fora do rancho havia uma importante comitiva rezando para que a união tivesse consequências, como aconteceu, pois nove meses depois, no palácio Tornamiras em Montpellier, nasceria daquele episódio o futuro herdeiro da Coroa de Aragão. A escolha do nome resultou de uma visita que Maria fez à capela de Nuestra Señora de Las Tablas, onde se guardavam as talhas dos doze apóstolos. [6]
A Rainha acendeu doze velas, prometendo que seu filho levaria o nome do apóstolo cuja vela demorou mais para se apagar, sendo esse o apóstolo Jaime, nome dado ao recém-nascido. [6]

Desde o início, Pedro quis se divorciar dela, para se casar com a rainha Maria de Jerusalém, além de desejar ficar com as terras da esposa.[5] Com Pedro, ela teve dois filhos, Sancha, que morreu jovem, e o futuro rei Jaime I de Aragão.
A rainha passou os últimos anos de sua vida lutando contra o marido. No final, ela saiu vitoriosa, pois o Papa Inocêncio III recusou-se a conceder um divórcio ao rei aragonês.[5] Um documento datado de janeiro de 1208 declarava a validade do casamento entre o rei a rainha.[1]
A rainha morreu enquanto voltava de Roma para Aragão, em 18 abril de 1213, como registrado no Thalamus de Montpellier.[1] Foi enterrada na Capela de Santa Petronila, em Roma, a qual não existe mais,[5] sendo reenterrada na Basílica de São Pedro, na cidade do Vaticano.[7]
No seu primeiro testamento datado de 1209, Maria nomeous os cavaleiros templários como guardiães de seu filho. Já no seu último testamento, de 1213, ela designa o Papa para essa tarefa.[1]
Além de rei de Aragão, Jaime I também sucedeu a mãe como senhor de Montpellier. Eventualmente, Montpellier tornou-se parte do Reino de Maiorca, até ser transferido para a França, em 1349.[1]
Descendência
Do segundo casamento:
- Filho de nome desconhecido, cuja existência é provada pelos vários testemunhos relacionados ao caso do divórcio de Maria com o terceiro marido;[8]
- Matilde de Comminges, esposa de Sancho III, visconde de la Barthe, com quem teve um filho;
- Petronila de Comminges, esposa de Centulo I, conde de Astarac, mas não teve filhos.
Do terceiro casamento:
- Sancha (1205 – 1206), esteve noiva de Raimundo de Tolosa, filho do conde Raimundo VI de Toulouse e da princesa Joana de Inglaterra;
- Jaime I de Aragão (1 de fevereiro de 1208 – 27 de julho de 1276), conhecido como o Conquistador, foi sucessor da mãe e do pai, e reinou por quase 63 anos. Foi casado três vezes, e deixou descendência.
Referências
- ↑ a b c d e f g «TOULOUSE - LANGUEDOC». fmg.ac
- ↑ «Marie de Montpellier (1175 - 1213)». wikitree.com
- ↑ «Maria de Montpellier». ancestors.familysearch.org
- ↑ a b c d «Marie of Montpellier». epistolae.ctl.columbia.edu
- ↑ a b c d e f g h «Marie of Montpellier – Heiress of Montpellier». historyofroyalwomen.com
- ↑ a b c d e f g «María de Montpellier». dbe.rah.es
- ↑ «Marie de Montpellier Aragón». findagrave.com
- ↑ «TOULOUSE - COMMINGES, FOIX». fmg.ac
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