Marc Chagall
| Marc Chagall | |
|---|---|
Marc Chagall fotografado por Carl Van Vechten | |
| Nascimento | 6 de julho de 1887 |
| Morte | 28 de março de 1985 (97 anos) |
| Nacionalidade | Russo, Francês |
| Ocupação | Pintor, ceramista, gravurista |
| Prêmios | Prêmio Wolf de Artes (1981) |
| Movimento literário | Modernista, Escola de Paris |
Marc Chagall (Vitebsk, Império Russo (atualmente Bielorrússia), 6 de julho de 1887 — Saint-Paul-de-Vence, França, 28 de março de 1985) foi um pintor, ceramista e gravurista modernista judeu belaruso-francês.[1] Pioneiro do modernismo, esteve associado à Escola de Paris e a diversas correntes como o cubismo, o expressionismo e o fauvismo.[1] Criou obras em amplo espectro de formatos — pinturas, desenhos, ilustrações de livros, vitrais, cenários teatrais, cerâmicas, tapeçarias e gravuras.[1]
Biografia
Origens e formação
Nascido Mojša Zacharavič Šahałaŭ (em bielorrusso, Мойша Захаравіч Шагалаў; em russo, Мовшa Хацкелевич Шагалов, romanizado Movsha Zatskelevich Shagalov), no seio de uma família judaica em Vitebsk, então parte do Império Russo, era o mais velho de nove filhos. Seu pai trabalhava como carregador de arenques e sua mãe vendia mantimentos em casa.[2]
Na juventude, entrou para o ateliê do pintor acadêmico Iouri Pen, único estúdio de arte da cidade. De 1907 a 1909, estudou em São Petersburgo, onde frequentou diversas academias antes de trabalhar no ateliê de Léon Bakst, cenógrafo dos Ballets Russes. Foi nesse período que conheceu Bella Rosenfeld, filha de uma família judaica abastada de Vitebsk, que se tornaria sua grande musa e primeira esposa.[2]
Paris e a vanguarda (1911–1914)
Em 1911, graças a uma bolsa do advogado Vinaver, Chagall realizou o sonho de ir a Paris. Instalou-se na residência de artistas La Ruche, em Montparnasse, onde conviveu com os pintores Delaunay, Fernand Léger, Chaïm Soutine, Amedeo Modigliani, Lipchitz e Archipenko, e com os poetas Max Jacob, Blaise Cendrars e Guillaume Apollinaire.[2] A convivência com as vanguardas — do fauvismo ao cubismo — transformou radicalmente sua paleta e seu estilo.
Em 1912 e 1913, expôs no Salon des Indépendants e produziu suas primeiras obras-primas, entre elas Gólgota (1912, MoMA, Nova Iorque). Sua primeira exposição individual ocorreu em 1914, na galeria Der Sturm de Herwarth Walden, em Berlim, onde causou forte impressão nos círculos do expressionismo alemão.[1] Ao visitar a exposição, Chagall seguiu viagem a Vitebsk — e foi surpreendido pelo início da Primeira Guerra Mundial.
Rússia, revolução e escola de arte (1914–1922)
De volta a Vitebsk, casou com Bella Rosenfeld em 1915. Ela aparece em dezenas de suas pinturas a partir dessa data, incluindo O Aniversário (1915) e Duplo Retrato com Taça de Vinho (1917).[1] Permaneceu em São Petersburgo durante a guerra, tornando-se um dos mais destacados artistas da vanguarda russa.
Após a Revolução Russa, foi nomeado comissário para as belas-artes, tendo fundado a Escola de Arte Popular de Vitebsk, aberta a quaisquer tendências modernistas.[2] Entrou em confronto com Kazimir Malevich, que assumiu o controle da escola, e acabou se demitindo do cargo.
Entre guerras: Paris e a maturidade (1923–1941)
Em 1923, Chagall retornou a Paris com a família e passou a trabalhar para o grande marchante Ambroise Vollard, que lhe encomendou gravuras para ilustrar as Almas Mortas de Gogol e, depois, as Fábulas de La Fontaine — cem gravuras concluídas em 1927 e publicadas somente em 1952.[2] Vollard também o comissionou para ilustrar a Bíblia, o que levou Chagall a visitar a Palestina em 1931, publicando em seguida sua autobiografia, Ma vie ("Minha vida").
A partir de 1935, com a perseguição nazista aos judeus em escala crescente, Chagall passou a retratar a violência e o sofrimento em obras como Crucificação Branca (1938), resposta direta à Noite dos Cristais.[1]
Exílio nos Estados Unidos (1941–1948)
Em 1941, Chagall foi resgatado da França ocupada pelo Emergency Rescue Committee e chegou a Nova Iorque em junho daquele ano. Em 1944, Bella faleceu subitamente, mergulhando-o em profunda depressão. Em 1945, criou os cenários e figurinos para a produção nova-iorquina do balé Pássaro de Fogo de Igor Stravinsky.[3] Em 1946, o Museu de Arte Moderna de Nova Iorque organizou uma grande retrospectiva de sua obra.[3]
Retorno à França e grandes obras públicas (1948–1985)
Em 1948, Chagall instalou-se definitivamente na França, primeiro em Paris e depois na Riviera Francesa, em Vence e Saint-Paul-de-Vence. Em 1952, casou-se em segundas núpcias com Valentina (Vava) Brodsky, uma mulher de origem judaico-russa que havia gerido um negócio de chapelaria em Londres.[1]
Dominou a técnica do vitral a partir do final dos anos 1950, realizando obras monumentais em escala internacional: as janelas da Catedral de Reims e da Catedral de Metz (1958–1960), as Janelas de Jerusalém na sinagoga do Centro Médico Hadassah (1960–1961), o vitral da sede da Organização das Nações Unidas em Nova Iorque — memorial a Dag Hammarskjöld — e as cinco janelas da Fraumünster em Zurique (1970).[3] Também pintou parte do teto da Ópera Garnier de Paris, inaugurado em 1964, e criou os figurinos para A Flauta Mágica de Mozart na mesma casa de ópera em 1967.[3]
Em 1966, doou ao Estado francês a série de 17 pinturas da Mensagem Bíblica, que inspirou a criação de um museu dedicado exclusivamente à sua obra. Em 1973, o Museu Nacional da Mensagem Bíblica Marc Chagall foi inaugurado em Nice, em sua presença.[2] Em 1977, o governo francês o homenageou com uma grande retrospectiva no Museu do Louvre e o condecorou com a Grã-cruz da Legião de Honra.[3]
Marc Chagall faleceu em Saint-Paul-de-Vence em 28 de março de 1985, aos 97 anos, e está enterrado na cidade.
Estilo e legado
Chagall compunha suas imagens com base em associações emocionais e poéticas, e não nas regras da lógica pictórica convencional.[1] Antecipando o Surrealismo, obras de sua fase inicial — como Eu e a Aldeia (1911) — estão entre as primeiras expressões da realidade psíquica na arte moderna.[1] Ao longo da carreira, sintetizou elementos do cubismo, do fauvismo, do simbolismo e do folclore judaico belaruso numa linguagem inteiramente pessoal, sem jamais se filiar por completo a nenhuma corrente.[4]
O crítico de arte Robert Hughes descreveu Chagall como "o artista judeu por excelência do século XX". O historiador de arte Michael J. Lewis o considerou "o último sobrevivente da primeira geração de modernistas europeus".[1] Pablo Picasso afirmou, nos anos 1950: "Quando Matisse morrer, Chagall será o único pintor que entende o que é realmente a cor".[1]
Algumas obras

- Apocalipse em Lilás, Capricho
- Eu e a princesa, 1911
- O prometido, 1911
- A Chuva, 1911
- Maternidade, 1912
- O Violinista, 1912
- Calvário (Gólgota), 1912
- Paris à Janela, 1913
- Sobre Vitebsk, ca. 1914
- Mania cortando o pão, 1914
- Crucificação Branca, 1938
- O violinista verde, 1923–1924
- A sirene, 1945
- A Praça da Concórdia, Paris, 1960
- Vila cinzenta, 1964
- Cesta de frutas e ananás, 1964
- O círculo vermelho, 1966
- Alegria, 1980
- Canção: A tora vermelha, 1981
- O palhaço voador, 1981
- A Travessia do Mar Vermelho
Referências
- ↑ a b c d e f g h i j k «Marc Chagall». Britannica. Encyclopædia Britannica. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ a b c d e f «Biography of Marc Chagall». Musée National Marc Chagall. Musées Nationaux des Alpes-Maritimes. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ a b c d e «Marc Chagall – Late Career». Britannica. Encyclopædia Britannica. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ «Marc Chagall – Life and Legacy». The Art Story. Consultado em 17 de janeiro de 2026
Ligações externas
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