Macaco

 Nota: Para outros significados, veja Macaco (desambiguação).
Como ler uma infocaixa de taxonomiaMacaco
Ocorrência: Priaboniano–Recente
Indivíduos dos platirrinos, ou macacos do Novo Mundo, que habitam boa parte do continente Americano
Indivíduos dos platirrinos, ou macacos do Novo Mundo, que habitam boa parte do continente Americano
Indivíduos dos cercopitecídeos, ou macacos do Velho Mundo, grupo mais intimamente aparentado aos hominídeos
Indivíduos dos cercopitecídeos, ou macacos do Velho Mundo, grupo mais intimamente aparentado aos hominídeos
Classificação científica
Reino: Animalia
Superfilo: Vertebrata
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Infraclasse: Eutheria
Ordem: Primates
Subordem: Haplorrhini
Infraordem: Simiiformes

Macaco, símio ou mono são designações genéricas e ambíguas para vários mamíferos da infraordem dos simiiformes, que por sua vez pertencem à subordem dos haplorrinos dos primatas. Atualmente, os biólogos tendem a distinguir os macacos em dois grupos, ou seja, os macacos propriamente ditos, que apresentam cauda e são estruturalmente menores, e os grandes macacos ou grandes símios antropoides, em cujo grupo estão compreendidas as espécies pertencentes à família dos hominídeos (chimpanzés, orangotangos, gorilas e humanos). Nessa reinterpretação do termo, os macacos, enquanto conjunto biológico, tornaram-se um agrupamento parafilético incompleto. Muitas espécies de macacos são arborícolas, embora algumas vivam principalmente no solo, como os babuínos. A maioria das espécies é predominantemente diurnal. Os macacos são geralmente considerados inteligentes, especialmente os macacos do Velho Mundo. Lêmures, lorisídeos e galagos não são macacos, mas primatas estrepsirrinos. O grupo irmão dos símios, os társios, também são haplorrinos, mas não são macacos.

Em 1812, Étienne Geoffroy agrupou os grandes símios e os macacos da família dos cercopitecídeos e estabeleceu o nome catarrinos (os ditos "macacos do Velho Mundo"). O grupo irmão atual dos catarrinos dentro dos macacos é o dos platirrinos (macacos do Novo Mundo). Cerca de nove milhões de anos antes da divergência entre os cercopitecídeos e os grandes símios, os platirrinos surgiram dentro dos "macacos" após migração para a América do Sul, provavelmente através do oceano. Os símios divergiram do grupo irmão dos társios há cerca de 70 milhões de anos. Os macacos do Novo Mundo e os macacos catarrinos surgiram dentro dos símios há cerca de 35 milhões de anos. Os macacos do Velho Mundo e os grandes símios surgiram dentro dos catarrinos há cerca de 25 milhões de anos. Símios basais extintos, como Aegyptopithecus ou Parapithecus (35–32 milhões de anos atrás), também são considerados macacos por primatólogos.

s grandes símios surgiram dentro dos macacos como grupo irmão da família dos cercopitecídeos; portanto, cladisticamente, também são macacos. No entanto, há resistência em classificar diretamente os grandes símios (e, consequentemente, os humanos) como macacos, de modo que "macacos do Velho Mundo" pode se referir tanto aos Cercopithecoidea (sem incluir os grandes símios) quanto aos catarrinos (incluindo os grandes símios). A classificação dos grandes símios como macacos já havia sido reconhecida por Georges-Louis Leclerc, Comte de Buffon no século XVIII. Carlos Lineu colocou esse grupo em 1758, junto com os társios, em um único gênero Simia (sem incluir Homo), conjunto hoje reconhecido como haplorrinos.

Etimologia e uso

A palavra "macaco" possui origem duvidosa. Geralmente considera-se uma origem banta, tendo sido difundido para outras línguas através do português. Nei Lopes menciona o termo quinguana (dialeto do suaíli) makako, no sentido de "pequeno símio", também atribuído ao lingala, além do quicongo (vili ou cabinda) makaku, plural de kaku ou kaaku.[1] José Pedro Machado, no Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa (DELP), considera que a palavra foi introduzida no português pelos escravos capturados em Angola e levados para o Brasil.[2] Seu primeiro registro em português ocorreu em ca. 1550-1568.[1] "Mono" também possui origem obscura. Segundo Joan Corominas, deriva de mona, com alteração da vogal temática -a para -o, interpretada como desinência masculina, resultando nas formas masculinas mono, em português e espanhol, com significado mais restrito ao sentido de "símio" ou "macaco", em oposição às formas femininas mona, em português e espanhol (c. 1400), que possuíam sentido mais amplo, incluindo "macaco", "símio", "bebedeira" e "comportamento semelhante ao dos macacos". Seu primeiro uso conhecido ocorreu ca. 1537-1583.[3] Por fim, "símio" derivou do latim simĭus, -ĭi, no sentido de "macaco" ou "mono". Foi registrado no século XIV como symeas e symia, no século XVI como simio e no século XVII como ximio.[4]

Atualmente, as classificações científicas são mais frequentemente baseadas em grupos monofiléticos, isto é, grupos compostos por todos os descendentes de um ancestral comum. Os macacos do Novo Mundo (platirrinos) e os macacos do Velho Mundo (cercopitecídeos, excluindo os grandes símios) são, cada um, grupos monofiléticos, mas sua combinação não o era, pois excluía os hominoides (grandes símios e humanos). Assim, o termo "macaco" deixou de se referir a um táxon científico reconhecido. O menor táxon aceito que contém todos os macacos é a infraordem dos simiiformes, que por sua vez pertencem à subordem dos haplorrinos dos primatas. Contudo, ela também inclui os hominoides; portanto, em termos dos táxons atualmente reconhecidos, os macacos são símios não hominoides. Coloquialmente e na cultura popular, o termo é ambíguo, e às vezes "macaco" inclui hominoides não humanos.[5] Além disso, há argumentos em favor de um uso monofilético da palavra "macaco", sob a perspectiva de que o uso deveria refletir a cladística.[6][7] Ainda sob a perspectiva que distingue esses grupos, vários biólogos têm adotado nomes compostos como "grandes símios", "grandes símios antropoides",[8] "grandes macacos",[9] "grandes macacos antropoides"[10] ou até mesmo "grandes primatas"[11] para se referirem aos primatas que pertencem à família dos hominídeos dos simiiformes (chimpanzés, orangotangos, gorilas e humanos). Os demais simiiformes são, por exclusão, referidos como "macacos comuns" ou simplesmente macacos.[8]

Descrição

Como os grandes símios surgiram dentro do grupo dos macacos como grupo irmão dos macacos do Velho Mundo, características que descrevem os macacos geralmente também são compartilhadas pelos grandes símios. Williams et al. descreveram características evolutivas, inclusive em agrupamentos basais, contrastando-os com outros primatas, como os társios e os lemuriformes.[12] Os macacos variam em tamanho desde o sagui-pigmeu (Cebuella pygmaea), que pode medir apenas 117 milímetros (4⁵/₈ polegadas) com uma cauda de 172 milímetros (6³/₄ polegadas) e pouco mais de 100 gramas (3½ onças) em peso,[13] para o mandril macho, quase um metro (três pés e três polegadas) de comprimento e pesando até 36 quilos (79 libras).[14] Algumas espécies são arborícolas, enquanto outras vivem na savana; suas dietas variam entre as espécies, podendo incluir frutas, folhas, sementes, nozes, flores, ovos e pequenos animais (incluindo insetos e aranhas).[15] Algumas características são compartilhadas entre os grupos; a maioria dos macacos do Novo Mundo possui caudas longas, sendo as da família dos atelídeos preênseis, enquanto os macacos do Velho Mundo possuem caudas não preênseis ou nenhuma cauda visível.[16] Os macacos do Velho Mundo possuem visão de cores tricromática semelhante à dos humanos, enquanto os macacos do Novo Mundo podem ser tricromáticos, dicromáticos ou — como em Aotus e Otolemurmonocromáticos. Embora tanto os macacos do Novo Mundo quanto os do Velho Mundo, assim como os grandes símios, possuam olhos voltados para frente, os rostos desses grupos diferem consideravelmente, embora cada um compartilhe certas características, como os tipos de nariz, bochechas e nádegas.[15]

Taxonomia

Em 1812, Étienne Geoffroy agrupou os grandes símios e os macacos da família dos cercopitecídeos e estabeleceu o nome catarrinos (os ditos "macacos do Velho Mundo").[17][18] O grupo irmão atual dos catarrinos dentro dos macacos é o dos platirrinos (macacos do Novo Mundo).[19] Cerca de nove milhões de anos antes da divergência entre os cercopitecídeos e os grandes símios,[20] os platirrinos surgiram dentro dos "macacos" após migração para a América do Sul,[21][22] provavelmente através do oceano.[23][24] Dentro dos haplorrinos, os símios são grupo irmão dos társios, com divergência ocorrida há cerca de 70 milhões de anos.[25] Os símios divergiram do grupo irmão dos társios há cerca de 70 milhões de anos. Os macacos do Novo Mundo e os macacos catarrinos surgiram dentro dos símios há cerca de 35 milhões de anos. Os macacos do Velho Mundo e os grandes símios surgiram dentro dos catarrinos há cerca de 25 milhões de anos. Símios basais extintos, como Aegyptopithecus ou Parapithecus (35–32 milhões de anos atrás), também são considerados macacos por primatólogos.[23][26][27] Os grandes símios surgiram dentro dos macacos como grupo irmão da família dos cercopitecídeos; portanto, cladisticamente, também são macacos. No entanto, há resistência em classificar diretamente os grandes símios (e, consequentemente, os humanos) como macacos, de modo que "macacos do Velho Mundo" pode se referir tanto aos Cercopithecoidea (sem incluir os grandes símios) quanto aos catarrinos (incluindo os grandes símios).[28] A classificação dos grandes símios como macacos já havia sido reconhecida por Georges-Louis Leclerc, Comte de Buffon no século XVIII.[29] Carlos Lineu colocou esse grupo em 1758, junto com os társios, em um único gênero Simia (sem incluir Homo), conjunto hoje reconhecido como haplorrinos.[30]

A lista a seguir mostra onde as diferentes famílias de macacos (destacadas em negrito) estão posicionadas na classificação dos primatas vivos (extantes).[31][32][33]

Cladograma com famílias extintas

Abaixo está um cladograma com algumas famílias extintas de macacos.[34][35][36] Em geral, símios extintos não hominoides, incluindo os primeiros catarrinos, também são discutidos como macacos, além de símios ou antropoides,[37][23][38] o que, em termos cladísticos, significa que Hominoidea também são macacos, restaurando os macacos como um único agrupamento. O cladograma indica aproximadamente há quantos milhões de anos (Mya) os clados divergiram em clados mais recentes.[39][40][41][42] Acredita-se que os macacos do Novo Mundo tenham se originado de um grupo de “macacos do Velho Mundo” que derivou do Velho Mundo (provavelmente da África) para o Novo Mundo (América do Sul).[23]

Haplorhini (64)

Tarsiiformes

Símios

Eosimiidae s.s. (†37)

Phileosimias (†46)

Amphipithecidae (†35)

(45)

Parapithecoidea (†30)

Proteopithecidae (†34)

Coroa
Platyrrhini (30)
(29)

Chilecebus (†20)

(26)

Tremacebus (†20)

(24)

Homunculus (†16)

Dolichocebus (†20)

Platyrrhini Coroa (macacos do Novo Mundo)

Catarrhini (35)

Oligopithecidae (†34)

(35)

Propliopithecoidea (†30)

(34)

Pliopithecoidea (†6)

(32)

Micropithecus (†15)

Coroa
Hominoidea (30)

Proconsulidae (†18)

(29)

Equatorius (†16)

(29)
Afropithecidae (28)

Morotopithecus (†20)

(28)

Afropithecus (†16)

Nyanzapithecinae (†7)

Hominoidea Coroa (22)

Hominidae

Hylobatidae

(29)

Saadanioidea (†28)

Cercopithecoidea (24)

Victoriapithecinae(†19)

Cercopithecoidea Coroa (macacos do Velho Mundo)

Catharrhini (31)
Símios (40)
(Macacos, antropoides, 47)

Relação com os humanos

Macaco em uma placa de “Por favor, não alimente os macacos” em Ko Chang, na Tailândia
Macacos como Juízes de Arte, uma pintura satírica de 1889 de Gabriel von Max

Em algumas regiões, certas espécies de macacos são consideradas pragas agrícolas, podendo causar danos extensivos a plantações comerciais e de subsistência.[43][44] Isso pode ter implicações importantes para a conservação de espécies ameaçadas, que podem tornar-se alvo de perseguição. Em alguns casos, a percepção dos agricultores sobre os danos pode exceder os prejuízos reais.[45] Macacos habituados à presença humana em locais turísticos também podem ser considerados pragas, chegando a atacar turistas.[46] Muitos zoológicos mantêm instalações em que macacos e outros primatas são mantidos em recintos para entretenimento do público. Comumente conhecidos como casas de macacos ou primatários, exemplos notáveis incluem o Vale do Macaco do Zoológico de Londres;[47][48] a Casa dos Macacos do Zoológico de Basileia; a Casa Tropical dos Macacos do Zoológico de Krefeld; a Casa do Macaco do Zoológico do Bronx; a Selva do Macaco, na Flórida; a Casa do Macaco do Zoológico de Laore; o Monkey World, em Dorset, na Inglaterra; e a Casa do Macaco do Jardim Zoológico de Edimburgo. O antigo cinema The Scala, Kings Cross chegou a funcionar brevemente como um primatário.[49]

Como alimento, os cérebros de macaco são consumidos como iguaria em partes do Sul da Ásia, da África e da China.[50] Os macacos também são ocasionalmente consumidos em partes da África, onde podem ser vendidos como carne de animal silvestre, mas seu consumo é proibido no Islã.[51] Ele é o símbolo do quarto Tirtancara no jainismo, Abinandananata.[52][53] Os Sanzaru, ou três macacos sábios, são reverenciados no folclore japonês; juntos, incorporam o princípio proverbial de "não ver, não ouvir e não falar o mal".[54] Entre os moches do antigo Peru, que cultuavam a natureza[55] e davam grande importância aos animais, os macacos aparecem com frequência em sua arte.[56] O Macaco (猴) é o nono animal no ciclo de doze anos do zodíaco chinês, relacionado ao calendário chinês.[57]

Como animais de assistência

Algumas organizações treinam macacos-prego como animais de assistência para auxiliar tetraplégicos e outras pessoas com lesões graves na medula espinhal ou deficiências de mobilidade. Após serem socializados em lares humanos ainda filhotes, os macacos passam por treinamento extensivo antes de serem entregues às pessoas com deficiência. Dentro de casa, os macacos auxiliam em tarefas cotidianas, como alimentação, busca e manipulação de objetos e cuidados pessoais.[58] Macacos auxiliares geralmente são treinados por organizações privadas em escolas especializadas, levando cerca de sete anos para completar o treinamento, e podem atuar por 25–30 anos (duas a três vezes mais que um cão-guia).[59] Em 2010, o governo federal dos Estados Unidos revisou sua definição de animal de assistência sob o Americans with Disabilities Act (ADA). Primatas não humanos deixaram de ser reconhecidos como animais de assistência pelo ADA.[60] A Associação Americana de Medicina Veterinária não apoia o uso de primatas não humanos como animais de assistência devido a preocupações com o bem-estar animal, ao potencial de ferimentos graves em pessoas e ao risco de os primatas transmitirem doenças perigosas aos humanos.[61]

Na ciência

Diversos países utilizaram macacos como parte de seus programas de exploração espacial, incluindo os Estados Unidos e a França. O primeiro macaco no espaço foi Albert II, que voou em um foguete V-2 lançado pelos Estados Unidos em 14 de junho de 1949.[62] Além disso, várias espécies de macacos são comuns em pesquisas com animais, como Chlorocebus aethiops, Macaca mulatta e Macaca fascicularis, que são obtidas tanto na natureza quanto por criação controlada.[63] Elas são utilizadas principalmente devido à relativa facilidade de manejo, ao rápido ciclo reprodutivo (em comparação aos grandes símios) e à semelhança psicológica e física com os humanos. Em todo o mundo, estima-se que entre 100 mil e 200 mil primatas não humanos sejam usados anualmente em pesquisas,[64] dos quais 64,7% são macacos do Velho Mundo e 5,5% macacos do Novo Mundo.[65] Esse número representa apenas uma pequena fração de todos os animais utilizados em pesquisas.[64] Entre 1994 e 2004, os Estados Unidos utilizaram em média 54 mil primatas não humanos, enquanto cerca de 10 mil primatas não humanos foram usados na União Europeia em 2002.[65]

Referências

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