Kobo Abe

Kobo Abe
Nascimento
Morte
22 de janeiro de 1993 (68 anos)

NacionalidadeJaponês
OcupaçãoEscritor e dramaturgo
PrémiosPrémio Tanizaki (1967)
Magnum opusSuna no onna

Kobo Abe (安部 公房, Abe Kōbō), pseudónimo de Kimifusa Abe (安部 公房, Abe Kimifusa) (Tóquio, 7 de março de 1924 — Tóquio, 22 de janeiro de 1993), foi um romancista e dramaturgo japonês. Foi um dos líderes do vanguardismo. Seu conhecimento da literatura ocidental, do existencialismo, do surrealismo e do marxismo moldaram sua posição ante aos problemas de perda de identidade no Japão do pós-guerra.

Em sua obra destacam-se o romance Suna Na Onna (「砂の女」 - Mulher Nas Dunas, 1962) e peças teatrais minimalistas, entre elas, Bo Ni Natta Otoko (「棒になった男」 - O Homem que se Transformou num Pau, 1969).

Biografia

Kobo Abe nasceu em Tóquio e passou a infância e a adolescência na região de Manchukuo, atual Manchúria, então ocupada pelos japoneses, onde seu pai era professor de medicina.[1] A distância do seu país natal propiciou que não tenha desenvolvido laços tão fortes com a cultura nipónica como outros escritores japoneses seus contemporâneos.[2] Em vez disso, o jovem Kobo Abe interessou-se não só pela matemática e pela entomofilia, como também pela filosofia ocidental, sobretudo a de Jaspers, Nietzsche e Heidegger.[1]

Kobo Abe retornaria ao Japão em guerra em 1941, ingressando, dois anos mais tarde, na Universidade de Tóquio como estudante de Medicina.[1][2] Dado como inapto para o serviço militar devido a problemas respiratórios, regressou à Manchúria e, após a derrota do Japão, foi repatriado juntamente com as tropas em retirada da China.[1] Retomou então o seu curso universitário, mas a experiência da guerra determinou as suas vocações. Licenciou-se em Medicina em 1948, com a promessa de nunca vir a exercer a sua profissão.[1][2] Em vez disso, decidiu dar início a uma carreira como escritor. Kobo Abe tornou-se membro da tertúlia literária Yoru no kai (夜の会 - Associação da Noite) liderada por Kiyoteru Hamada, inspirada pela tentativa de fusão da estética surrealista com a ideologia marxista,[1][2] e a se interessar por teatro e cinema de vanguarda.

A sua primeira obra, uma coletânea de poemas intitulada Mumei Shishu (「無名詩集」 - Poemas de um Poeta Desconhecido), que havia escrito em 1943, foi publicada em edição do autor em 1947.[1] Ganharia uma certa reputação em 1948, com a publicação do romance Owarishi Michi No Shirube Ni (「終りし道の標に」 - O Sinal no Fim da Rua), que não primava pela técnica literária, rígida e formal, mas que assumia uma certa preferência pelo mundo das ideias.[1] Seu experimentalismo foi bem acolhido pelas gerações mais jovens e recebeu prémios pelos seus três contos Akai Mayu (「赤い繭」 - O Casulo Vermelho, 1950), Kabe (「壁」 - O Muro, 1951) e S.Karuma-shi no Hanzai (「S・カルマ氏の犯罪」 - O Crime de S.Karuma, 1951). Por este último, em que utilizou um estilo e um tema de género kafkiano,[1] Kobo Abe foi distinguido com o Prémio Akutagawa, o mais prestigiado prémio literário do Japão.

Essa tendência prosseguiu e veio a caracterizar definitivamente a obra do autor. Assim, em 1959, publicou Daí-Yon Kampyoki ( 「第四間氷期」 - Quarta Era Glaciar Intermédia), um romance complexo, cuja ação decorre no futuro, num Japão ameaçado pelo degelo dos pólos terrestres, e cujas personagens se vão deparando com situações bizarras. Seguir-se-lhe-iam, entre outros, Suna No Onna (「砂の女」 - Mulher Nas Dunas, 1962), sua obra mais conhecida, que seria passado para o cinema pelo realizador Hiroshi Teshigahara, que igualmente adaptaria, em estreita colaboração com Abe, algumas das suas obras posteriores mais celebradas: Tanin No Kao (「他人の顔」 - O Rosto de Outrem, 1964) e Moetsukita Chizu (「燃え尽きた地図」 - O Mapa Arruinado, 1967), obras em que estabelece um panorama da Humanidade cada vez mais alienada e buscando formas incongruentes de reutilização dos objetos de uso quotidiano. Em Hako Otoko (「箱男」 - O Homem-Caixa, 1973), conta a história de um homem que se retira da sua vida normal para se dedicar à observação da azáfama da cidade de Tóquio através de uma caixa de cartão que enfiou na cabeça, e Mikkai (「密会」 - Encontro Secreto, 1977).

Dedicando-se também ao teatro, Kobo Abe tornou-se, na década de 1970 e com a morte de Yukio Mishima, novelista e dramaturgo de forte reputação, proeminente nas décadas precedentes, assegurada por peças como Tomodachi (「友達」 - Amigos, 1967), Bo Ni Natta Otoko (「棒になった男」 - O Homem que se Transformou num Pau, 1969) e The Suitcase (A Mala, 1973).[1] A sua companhia de teatro fez digressões pelos Estados Unidos, chegando a atuar em Nova Iorque.

Referências

  1. a b c d e f g h i j «Kobo Abe». Litweb.net. Cópia arquivada em 22 de setembro de 2007 
  2. a b c d «abekobo». Ibiblio.org 


Outros projetos Wikimedia também contêm material sobre este tema:
Wikiquote Citações no Wikiquote

Content Disclaimer

Informasi ini disarikan dari Wikipedia dan disajikan kembali untuk tujuan edukasi. Konten tersedia di bawah lisensi CC BY-SA 3.0. Kami tidak bertanggung jawab atas ketidakakuratan data yang bersumber dari kontribusi publik tersebut.

  1. The information displayed on this website is sourced in part or in whole from Wikipedia and has been adapted for the purpose of restating it. We strive to provide accurate and relevant information, however:
  2. There is no guarantee of absolute accuracy. Wikipedia is an open, collaborative project that can be edited by anyone, so information is subject to change.
  3. It is not intended to constitute professional advice. The content displayed is for informational and educational purposes only. For important decisions (e.g., medical, legal, or financial), please consult a professional.
  4. Content copyright. Wikipedia is licensed under the Creative Commons Attribution-ShareAlike License (CC BY-SA). This means that content may be reused with appropriate attribution and shared under a similar license.
  5. Responsible use. Any risk arising from the use of information from this website is entirely the responsibility of the user.