John Kenneth Galbraith

John Kenneth Galbraith
Nascimento15 de outubro de 1908
Iona Station
Morte29 de abril de 2006 (97 anos)
Cambridge
SepultamentoIndian Hill Cemetery
CidadaniaCanadá, Estados Unidos
CônjugeCatherine Galbraith
Filho(a)(s)Peter Galbraith, James K. Galbraith
Alma mater
Ocupaçãoeconomista, diplomata, político, professor universitário, escritor de não ficção, escritor, embaixador, romancista, cientista
Distinções
  • Bolsa Guggenheim (1955)
  • The Hillman Prize for Book Journalism (1959)
  • Doutor honorário da Universidade Católica de Leuven (1972)
  • doutor honorário da Universidade Pantheon-Assas (1, 1974)
  • Humanista do Ano (1985)
  • Medalha de Ouro Lomonossov (1993)
  • prêmio Lysenko (pour sa défense du salaire minimum et des politiques socialistes de lutte contre le chômage, 1994)
  • Medalha Presidencial da Liberdade (Bill Clinton, 2000)
  • Lenda Viva da Biblioteca do Congresso (2000–)
  • Leontief Prize for Advancing the Frontiers of Economic Thought (2000)
  • Oficial da Ordem do Canadá
  • Four Freedoms Award – Freedom from Want
  • cidadania honorária (Palau)
  • Padma Vibhushan na literatura e educação
  • Membro distinto da Associação Econômica Americana
  • Padma Bhushan
  • Medalha da Liberdade (1946)
Empregador(a)Universidade de Princeton, Universidade Harvard, Office of Price Administration, Fortune
Orientador(a)(es/s)George M. Peterson
Obras destacadasHistory of Economics: The Past as the Present
Movimento estéticoeconomia institucional, escola keynesiana

John Kenneth Galbraith (Iona Station, Ontário, 15 de outubro de 1908Cambridge, 29 de abril de 2006) foi um consagrado economista, filósofo, cientista político e escritor norte-americano. Politicamente alinhado ao liberalismo americano (ou seja, a esquerda daquele país), e crítico do pensamento econômico conservador, Galbraith foi autor de alguns dos best-sellers de economia e sociologia mais vendidos e lidos da era moderna, tais como o seu O Grande Crash de 1929, A Sociedade Afluente, O Novo Estado Industrial, Capitalismo Americano: O Conceito do Poder Compensatório, A Anatomia do Poder e Economia, Paz e Humor, nos quais direciona críticas intensas a seus pares economistas pelo excesso de matematização e a desconexão da realidade, oferece uma análise crítica da economia de mercado sem regulação estatal.

Galbraith foi um Democrata bastante ativo, participando, como conselheiro, dos governos de John Kennedy, Lyndon Johnson e Bill Clinton e como vice-presidente da Comissão de Preços do governo de Franklin Delano Roosevelt.

As escolas keynesiana e institucionalista foram as duas tradições econômicas que mais influência exerceram sobre Galbraith, muito embora ele costumasse conceder importância a conservadores como Adam Smith e a comunistas como Karl Marx, pela sua relevância histórica. Galbraith também foi presidente da American Economic Association, a principal agremiação de economistas nos EUA.

O economista e cientista político morreu aos 97 anos, em 2006, mesmo ano em que faleceu Milton Friedman, um de seus mais conhecidos adversários.[1][2]

Biografia

Galbraith foi cético perante as extravagâncias da "teoria econômica quando não justificadas pelos dados empíricos". Por exemplo, no seu livro intitulado "In The New Industrial State" (1967), afirma que muito poucas indústrias nos Estados Unidos enquadram-se no modelo da concorrência perfeita.[3]

Pensador de rara compreensão, foi assessor econômico do presidente John Kennedy e publicou diversos livros, entre os quais The Affluent Society (A sociedade opulenta), no ano de 1958, em que critica a política econômica dos Estados Unidos. Aposentado como professor universitário em 1957, publicou em 1981 a autobiografia A Life in Our Times: Memoirs (Uma vida em nosso tempo).[3]

Galbraith era filho de canadenses de ascendência escocesa, William Archibald Galbraith e Sarah Catherine Kendall. Nasceu em Iona Station, Ontário, e cresceu em Dutton, Ontário. Seu pai era fazendeiro e professor de escola, e sua mãe era ativista política.[3]

Galbraith licenciou-se pelo Colégio de Agricultura do Ontário, hoje Universidade de Guelph, tendo depois feito o mestrado e doutoramento na Universidade da Califórnia em Berkeley.[3][4]

Em 1937 se tornou cidadão dos Estados Unidos (nessa época os Estados Unidos e o Canadá não aceitavam a dupla nacionalidade), mas foi homenageado pelo seu país nativo até o fim de sua vida, e suas origens canadenses foram frequentemente citadas.[3]

Durante a Segunda Guerra Mundial Galbraith pertenceu à administração pública, no cargo de vice-diretor do gabinete da administração de preços (deputy head of the Office of Price Administration). No final da guerra foi-lhe pedido que executasse um inquérito sobre o bombardeamento estratégico aliado, que concluiu que ele não teve efeitos e não encurtou a guerra. Após a guerra tornou-se conselheiro da administração do pós-guerra na Alemanha e Japão.[3]

Em 1949 Galbraith foi nomeado professor de economia na Universidade de Harvard. Foi então também editor da revista Fortune.

Foi amigo do presidente John F. Kennedy, por quem foi nomeado embaixador na Índia entre 1961 e 1963, onde teve um papel no apoio econômico ao governo indiano e ao desenvolvimento do país. No país asiático, ajudou a estabelecer uma das primeiras faculdades de ciências de computação no Instituto Indiano de Tecnologia em Kanpur, Uttar Pradesh.[3]

Galbraith morreu aos 97 anos de causas naturais no Hospital Mount Auburn em Cambridge, Massachusetts, depois de duas semanas internado.[3]

Escritos

Antes mesmo de se tornar presidente da Associação Econômica Americana, Galbraith já era considerado por muitos economistas como um iconoclasta. Isso se deve em parte ao fato de ele ter rejeitado a análise técnica e a modelagem matemática da economia neoclássica por considerá-las divorciadas da realidade. Seguindo Thorstein Veblen, ele acreditava que a atividade econômica não poderia ser destilada em leis invioláveis, mas era, em vez disso, um produto complexo do ambiente cultural e político no qual ocorre. Em particular, ele postulou que fatores importantes, como a separação entre propriedade corporativa e gestão, oligopólio e a influência dos gastos do governo e militares, foram amplamente negligenciados pela maioria dos economistas porque não são passíveis de descrições axiomáticas. Nesse sentido, ele trabalhou tanto na economia política quanto na economia clássica.[5]

Seu trabalho incluiu vários livros best-seller durante as décadas de 1950 e 1960. Sua principal contribuição para o campo da economia é a chamada trilogia do capitalismo americano: The Affluent Society (1958), The New Industrial State (1967) e Economics and the Public Purpose (1973). Escritos em um estilo claro e conciso, eles eram compreensíveis para leigos, não apenas para economistas.[5]

Após se aposentar de Harvard como Professor Emérito Paul M. Warburg de Economia,[5] ele permaneceu no centro das atenções do público continuando a escrever 21 novos livros, além de completar um roteiro em 1977 para uma importante série sobre economia para a televisão da PBS e BBCThe Age of Uncertainty, transmitida em 38 países.[5]

Além de seus livros, ele escreveu centenas de ensaios e vários romances. Entre seus romances, A Tenured Professor alcançou particular aclamação crítica. Galbraith escreveu resenhas de livros, por exemplo, de The Report from Iron Mountain on the Possibility and Desirability of Peace, uma sátira política de 1967, sob o pseudônimo de Herschel McLandress, um nome de um mentor escocês fictício apresentado em Tenured Professor.[6][7] Ele também usou o pseudônimo Mark Épernay quando publicou The McLandress Dimension em 1963.[8]

Livros de economia

Galbraith foi uma figura importante na economia institucional do século XX e forneceu uma perspectiva institucionalista exemplar sobre o poder econômico.[9] Entre seus numerosos escritos, Galbraith apreciava The New Industrial State e The Affluent Society como seus dois melhores.[10] Quanto aos trabalhos posteriores, o economista e amigo de Galbraith, Mike Sharpe, o visitou em 2004, ocasião em que Galbraith deu a Sharpe uma cópia do que seria seu último livro, The Economics of Innocent Fraud. Galbraith confessou a Sharpe que "este é meu melhor livro", uma afirmação que Galbraith fez "um pouco maliciosamente".[11]

Após o início da Grande Recessão de 2008, The Great Crash, 1929 (1955) de Galbraith e outros livros contendo advertências sobre os perigos de um clima especulativo desenfreado sem a supervisão governamental adequada encontraram novamente um público atento. Em 2010, a Library of America publicou uma nova edição das principais obras de Galbraith, editada por seu filho, James K. Galbraith: The Affluent Society & Other Writings, 1952–1967: American Capitalism, The Great Crash, 1929, The Affluent Society e The New Industrial State.[12] Nesta ocasião, Bill Moyers entrevistou James K. Galbraith sobre seu pai, suas obras e seu legado.[13]

Economia americana

Em American Capitalism: The Concept of Countervailing Power, publicado em 1952, Galbraith concluiu que a economia americana era gerida por um triunvirato formado pelas grandes empresas, pelos grandes sindicatos e por um governo ativista. Galbraith definiu as ações dos grupos de lobby da indústria e dos sindicatos como poder de contrapeso. Ele contrastou esse arranjo com o período anterior à Depressão anterior, quando as grandes empresas tinham rédea relativamente solta sobre a economia.

Seu best-seller de 1955, The Great Crash, 1929, descreve o colapso dos preços das ações em Wall Street e como os mercados progressivamente se desconectam da realidade em um boom especulativo. O livro também é uma plataforma para o humor de Galbraith e suas percepções aguçadas sobre o comportamento humano quando a riqueza é ameaçada. Nunca saiu de catálogo.

Em The Affluent Society (1958), que se tornou um best-seller, Galbraith delineou sua visão de que, para se tornar bem-sucedida, a América do pós-Segunda Guerra Mundial deveria fazer grandes investimentos em itens como rodovias e educação, usando fundos da tributação geral.

Galbraith também criticou a suposição de que o aumento contínuo da produção material é um sinal de saúde econômica e social. Por causa disso, Galbraith é às vezes considerado um dos primeiros pós-materialistas. Neste livro, ele popularizou a antiga frase "sabedoria convencional".[14] Galbraith trabalhou no livro enquanto estava na Suíça e originalmente o intitulou Why The Poor Are Poor, mas mudou para The Affluent Society por sugestão de sua esposa. The Affluent Society contribuiu (provavelmente em um grau significativo, dado que Galbraith tinha a atenção do presidente Kennedy[15]) para a Guerra contra a Pobreza, a política de gastos governamentais introduzida pelas administrações Kennedy e Johnson.

Novo estado industrial

Em 1966, Galbraith foi convidado pela BBC para apresentar as Reith Lectures,[16] uma série de transmissões de rádio, que ele intitulou The New Industrial State.[17] Em seis transmissões, ele explorou a economia da produção e o efeito que as grandes corporações poderiam ter sobre o estado.

Na edição impressa de The New Industrial State (1967), Galbraith expandiu sua análise do papel do poder na vida econômica, argumentando que muito poucas indústrias nos Estados Unidos se encaixavam no modelo de concorrência perfeita. Um conceito central do livro é a sequência revisada. A 'sabedoria convencional' no pensamento econômico retrata a vida econômica como um conjunto de mercados competitivos governados, em última análise, pelas decisões de consumidores soberanos. Nesta sequência original, o controle do processo produtivo flui dos consumidores de commodities para as organizações que produzem essas commodities. Na sequência revisada, este fluxo é invertido e as empresas exercem controle sobre os consumidores por meio da publicidade e atividades de vendas relacionadas.

O conceito de sequência revisada aplica-se apenas ao sistema industrial — ou seja, ao núcleo manufatureiro da economia no qual cada indústria contém apenas um punhado de corporações muito poderosas. Não se aplica ao sistema de mercado na economia dual galbraithiana. No sistema de mercado, composto pela grande maioria das organizações empresariais, a concorrência de preços continua sendo a forma dominante de controle social. No sistema industrial, no entanto, composto por cerca de 1 000 grandes corporações, a teoria dos preços competitivos obscurece a relação destas grandes e poderosas corporações com o sistema de preços. Na visão de Galbraith, a função principal das relações de mercado neste sistema industrial não é restringir o poder dos gigantes corporativos, mas servir como um instrumento para a implementação de seu poder. Além disso, o poder dessas corporações se estende à cultura comercial e à política, permitindo-lhes exercer influência considerável sobre atitudes sociais populares e julgamentos de valor. Que este poder seja exercido no interesse de curto prazo de expandir a produção de commodities e o status de poucos é inconsistente com a democracia e uma barreira para alcançar a qualidade de vida que o novo estado industrial com sua afluência poderia proporcionar.

The New Industrial State não apenas forneceu a Galbraith outro livro best-seller, mas também estendeu, mais uma vez, a circulação do pensamento econômico institucionalista. O livro também preencheu uma necessidade muito premente no final dos anos 1960. A teoria convencional do poder de monopólio na vida econômica sustenta que o monopolista tentará restringir a oferta para manter o preço acima do seu nível competitivo. O custo social deste poder de monopólio é uma diminuição tanto na eficiência alocativa quanto na equidade da distribuição de renda. Esta análise econômica convencional do papel do poder de monopólio não abordou adequadamente a preocupação popular sobre as grandes corporações no final dos anos 1960. A preocupação crescente concentrou-se no papel da corporação na política, nos danos causados ao meio ambiente natural por um compromisso irrestrito com o crescimento econômico e na perversão da publicidade e outros aspectos pecuniários da cultura. The New Industrial State forneceu uma explicação plausível da estrutura de poder envolvida na geração desses problemas e encontrou um público muito receptivo entre a crescente contracultura americana e ativistas políticos.

Um terceiro trabalho relacionado foi Economics and the Public Purpose (1973), no qual ele expandiu esses temas discutindo, entre outras questões, o papel subserviente das mulheres na gestão não recompensada do consumo cada vez maior e o papel da tecnostrutura na grande empresa em influenciar as percepções dos objetivos de política econômica sólida.

Bolhas financeiras

Em A Short History of Financial Euphoria (1990), ele traça bolhas especulativas ao longo de vários séculos e argumenta que elas são inerentes ao sistema de livre mercado por causa da "psicologia de massa" e do "interesse estabelecido no erro que acompanha a euforia especulativa". Além disso, a memória financeira é "notoriamente curta": o que atualmente parece ser um "novo instrumento financeiro" é inevitavelmente nada disso. Galbraith adverte: "O mundo das finanças saúda a invenção da roda repetidas vezes, frequentemente em uma versão ligeiramente mais instável." Crucial para sua análise é a afirmação de que o fator comum no boom-and-bust é a criação de dívida para financiar a especulação, que "torna-se perigosamente fora de escala em relação aos meios de pagamento subjacentes."

Legado

As principais ideias de Galbraith concentravam-se na influência do poder de mercado das grandes corporações.[18] Ele acreditava que esse poder de mercado enfraquecia o princípio amplamente aceito da soberania do consumidor, permitindo que as corporações fossem formadoras de preços, em vez de tomadoras de preços,[19] permitindo que as corporações com o poder de mercado mais forte aumentassem a produção de seus bens além de uma quantidade eficiente. Ele acreditava ainda que o poder de mercado desempenhava um papel importante na inflação.[18] Ele argumentou que as corporações e os sindicatos só poderiam aumentar os preços na medida em que seu poder de mercado permitisse. Ele argumentou que, em situações de poder de mercado excessivo, os controles de preço efetivamente controlavam a inflação, mas alertou contra o uso deles em mercados que eram basicamente eficientes, como produtos agrícolas e habitação.[20] Ele observou que os controles de preço eram muito mais fáceis de aplicar em indústrias com relativamente poucos compradores e vendedores.[20]:244 A visão de Galbraith sobre o poder de mercado não era inteiramente negativa; ele também observou que o poder das empresas americanas desempenhou um papel no sucesso da economia dos EUA.

Em The Affluent Society, Galbraith afirma que a teoria econômica clássica era verdadeira para as eras anteriores ao presente, que eram tempos de "pobreza"; agora, no entanto, passamos de uma era de pobreza para uma era de "afluência", e para tal era, uma teoria econômica completamente nova é necessária.

O principal argumento de Galbraith é que, à medida que a sociedade se torna relativamente mais afluente, os negócios privados devem criar demanda do consumidor por meio da publicidade, e enquanto isso gera afluência artificial por meio da produção de bens e serviços comerciais, o setor público torna-se negligenciado. Ele aponta que, embora muitos americanos pudessem comprar itens de luxo, seus parques estavam poluídos e seus filhos frequentavam escolas mal conservadas. Ele argumenta que os mercados sozinhos fornecerão insuficientemente (ou deixarão de fornecer completamente) muitos bens públicos, enquanto os bens privados são tipicamente "superfornecidos" devido ao processo de publicidade que cria uma demanda artificial acima das necessidades básicas do indivíduo. Essa ênfase no poder da publicidade e no consequente consumo excessivo pode ter antecipado a queda nas taxas de poupança nos EUA e em outros lugares do mundo em desenvolvimento.[18]

Galbraith propôs conter o consumo de certos produtos através do maior uso de impostos pigouvianos e impostos sobre o valor da terra,[21] argumentando que isso poderia ser mais eficiente do que outras formas de tributação, como impostos sobre o trabalho. A principal proposta de Galbraith foi um programa que ele chamou de "investimento em homens" — um programa de educação em larga escala, financiado publicamente, destinado a empoderar os cidadãos comuns.

Um simpósio internacional para homenagear John Kenneth Galbraith, patrocinado pela l'Université du Littoral Côte d'Opale, Dunquerque e pelo Institut de Gestion Sociale, Paris, França, foi realizado em setembro de 2004 em Paris.[22]

Uma edição especial Commemorating John Kenneth Galbraith's Centenary da Review of Political Economy foi dedicada em 2008 à contribuição de Galbraith para a economia.[23]

Três dias antes de sua morte, Galbraith instou seu filho, o economista James K. Galbraith, a "escrever um pequeno livro sobre a predação corporativa"; o Galbraith mais jovem completou The Predator State em 2008.

Recepção

O trabalho de Galbraith em geral, e The Affluent Society em particular, atraíram duras críticas dos defensores do laissez-faire desde o momento de suas publicações. O economista ganhador do Prêmio Nobel Milton Friedman em "Friedman on Galbraith, and on curing the British disease" vê Galbraith como uma versão do século XX do radical Tory do início do século XIX da Grã-Bretanha. Ele argumenta que Galbraith acredita na superioridade da aristocracia e em sua autoridade paternalista, que os consumidores não deveriam ter escolha, e que tudo deveria ser determinado por aqueles com "mentes superiores", comentando: "Muitos reformadores — Galbraith não está sozinho nisso — têm como sua objeção básica a um mercado livre que ele os frustra em alcançar suas reformas, porque permite que as pessoas tenham o que querem, não o que os reformadores querem. Portanto, todo reformador tem uma forte tendência a ser avesso a um mercado livre."[24]

O economista ganhador do Prêmio Nobel Robert Solow, em uma resenha de The New Industrial State, aponta a falta de empirismo de Galbraith e a seletividade em seu uso de evidências. Ele aponta que "Pode ser injusto e sem propósito considerar o grau de verdade literal de cada uma das afirmações que compõem este argumento. Dificilmente se discutiria as Viagens de Gulliver debatendo se realmente existem pessoas pequenas, ou criticaria a Grande Jatte porque os objetos não são feitos de pequenos pontos. No entanto, pode ajudar a julgar a verdade de Galbraith."[25]

Richard Parker, em sua biografia, John Kenneth Galbraith: His Life, His Economics, His Politics, caracteriza Galbraith como um pensador mais complexo. O objetivo principal de Galbraith em Capitalism: The Concept of Countervailing Power (1952) era, ironicamente, mostrar que as grandes empresas eram agora necessárias para a economia americana para manter o progresso tecnológico que impulsiona o crescimento econômico. Galbraith sabia que o "poder de contrapeso", que incluía a regulação governamental e a negociação coletiva, era necessário para mercados equilibrados e eficientes. Em The New Industrial State (1967), Galbraith argumentou que as corporações americanas dominantes haviam criado uma tecnostrutura que controlava rigorosamente tanto a demanda do consumidor quanto o crescimento do mercado por meio da publicidade e marketing. Embora Galbraith defendesse a intervenção governamental, Parker observa que ele também acreditava que o governo e as grandes empresas trabalhavam juntos para manter a estabilidade.[26]

Paul Krugman minimizou a estatura de Galbraith como economista acadêmico em 1994. Em Peddling Prosperity, ele coloca Galbraith como um entre muitos "empreendedores de políticas" — sejam economistas ou escritores de think tanks, de esquerda e direita — que escrevem apenas para o público, em oposição àqueles que escrevem para outros acadêmicos, e que são, portanto, passíveis de fazer diagnósticos injustificados e oferecer respostas super simplistas para problemas econômicos complexos. Krugman afirma que Galbraith nunca foi levado a sério por colegas acadêmicos, que em vez disso o viam mais como uma "personalidade da mídia". Por exemplo, Krugman acredita que o trabalho de Galbraith, The New Industrial State, não é considerado "teoria econômica real", e que Economics in Perspective é "notavelmente mal informado".[27]

Thomas Sowell em seu livro de 1995 The Vision of the Anointed, criticou as afirmações de Galbraith em The Affluent Society e The New Industrial State de que as grandes corporações são invencíveis à concorrência, citando a Toyota e a Honda assumindo o controle do mercado automobilístico dos Estados Unidos às custas da General Motors, o declínio da revista Life e, no geral, o deslocamento de quase metade das empresas da Fortune 500 de 1980 na edição de 1990. Sowell também criticou a afirmação de Galbraith de que a gestão corporativa bem-sucedida era imune a reviravoltas corporativas. Sowell acreditava que o desprezo de Galbraith pela ideia de um empreendedor individual iniciar uma nova empresa poderosa não resistiu ao teste do tempo; Sowell usou Steve Jobs e Bill Gates como contraexemplos.[28]

Memórias

A primeira edição de The Scotch foi publicada no Reino Unido sob dois títulos alternativos: como Made to Last e The Non-potable Scotch: A Memoir of the Clansmen in Canada.[29] Foi ilustrada por Samuel H. Bryant. O relato de Galbraith sobre seu ambiente de infância em Elgin County, no sul do Ontário, foi adicionado em 1963. Ele o considerou seu melhor trabalho de escrita.[30]

A memória de Galbraith, A Life in Our Times, foi publicada em 1981.[31] Contém discussão sobre seus pensamentos, sua vida e sua época. Em 2004, a publicação de uma biografia autorizada, John Kenneth Galbraith: His Life, His Politics, His Economics por um amigo e colega economista progressista Richard Parker renovou o interesse pela jornada de vida e legado de Galbraith.[32]

Publicações em português

  • A Era da Incerteza, (1977);[33]
  • A Sociedade da Pobreza, (1979);[34]
  • "O Novo Estado Industrial", São Paulo: Abril Cultural (1982).
  • "A Sociedade Afluente", São Paulo: Pioneira, (1987).
  • A Economia e o Interesse Público, (1988);[35]
  • Uma Breve História da Euforia Financeira, (1992);[36]
  • Moeda: De Onde Veio, Para Onde Foi, (1997);[37]
  • A Sociedade Justa: Uma Perspectiva Humana, (1997);[38]
  • Contando Vantagem, (2000);[39]
  • A Economia ao Alcance de Quase Todos, (2000);[40]
  • A Economia das Fraudes Inocentes: Verdades Para o Nosso Tempo, (2004);[41]
  • A Anatomia do Poder, (2007);[42]
  • Capitalismo Americano: o Conceito do Poder Compensatório, (2008);[43]
  • A Grande Crise de 1929, (2009);[44]
  • O Triunfo (1964), de ficção política, traduzido no Brasil por Carlos Lacerda e publicado em duas edições pela Editora Nova Fronteira

Publicações em inglês

  • Modern Competition and Business Policy (com Henry S. Dennison), 1938
  • National Resources Planning Board, The economic effects of the federal public works expenditures, 1933–1938 (1940) online
  • A Theory of Price Control, 1952
  • American Capitalism: The Concept of Countervailing Power, 1952
  • The Great Crash, 1929, 1954
  • Economics and the Art of Controversy, 1955
  • The Affluent Society, 1958
  • Journey to Poland and Yugoslavia, 1958
  • Perspectives on Conservation, 1958
  • The Liberal Hour, 1960
  • Economic Development in Perspective, 1962
  • The Scotch, 1963
  • The McLandress Dimension (sob o pseudônimo Mark Épernay), 1963
  • Economic Development, 1964
  • The New Industrial Estate (Palestras BBC Reith),[16] 1966
  • The New Industrial State, 1967 online
  • Beginner's Guide to American Studies, 1967
  • How to get out of Vietnam, 1967
  • The Triumph (novel), 1968
  • Ambassador's Journal, 1969
  • How to control the military, 1969
  • Indian Painting (com Mohinder Singh Randhawa), 1969
  • Who needs democrats, and what it takes to be needed, 1970
  • The American Left and Some British Comparisons, 1971
  • Economics, Peace and Laughter, 1972
  • Power and the Useful Economist, 1973
  • Economics and the Public Purpose, 1973
  • A China Passage, 1973
  • John Kenneth Galbraith introduces India (Editor), 1974
  • Money: Whence It Came, Where It Went, 1975
  • Socialism in rich countries and poor, 1975
  • The Economic effects of the Federal public works expenditures, 1933-38 (com G. Johnson), 1975
  • The Age of Uncertainty (série de televisão de 13 episódios da PBS e BBC), 1977
  • The Galbraith Reader, 1977
  • Almost Everyone's Guide to Economics (com Nicole Salinger), 1978
  • Annals of an Abiding Liberal, 1979
  • The Nature of Mass Poverty, 1979
  • A Life in Our Times, 1981 online
  • The Voice of the Poor, 1983
  • The Anatomy of Power, 1983
  • Essays from the Poor to the Rich (com Paul McCracken), 1983
  • Reaganomics: Meaning, Means and Ends, 1983
  • A View from the Stands, 1986
  • Economics in Perspective: A Critical History, 1987
    • A History of Economics: The Past as the Present, 1987 online
  • Capitalism, Communism and Coexistence (com Stanislav Menshikov), 1988
  • Unconventional Wisdom: Essays on Economics in Honour of John Kenneth Galbraith (Editor), 1989 online
  • A Tenured Professor, 1990
  • The Culture of Contentment, 1992 online
  • Recollections of the New Deal: When People Mattered (Editor), 1992
  • A Journey Through Economic Time, 1994
  • The World Economy Since the Wars: A Personal View, 1994 online
  • A Short History of Financial Euphoria, 1994
  • The Good Society: the humane agenda, 1996
  • Letters to Kennedy, 1998
  • The socially concerned today, 1998
  • Name-Dropping: From F.D.R. On, 1999
  • The Essential Galbraith, 2001
  • The Economics of Innocent Fraud, 2004

Referências

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  2. «John Kenneth Galbraith, writer, economist, dies - The Boston Globe». archive.boston.com (em inglês). Consultado em 1 de fevereiro de 2019 
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