Hassar affinis

Hassar affinis
Taxocaixa sem imagem
Classificação científica
Reino:
Animalia
Filo:
Chordata
Classe:
Actinopterygii
Ordem:
Siluriformes
Família:
Doradidae
Gênero:
Hassar
Espécies:
H. affinis
Nome binomial
Hassar affinis
(Steindachner, 1881)

Hassar affinis, conhecido popularmente como bacu, bacu-comum, bacu-pedra ou focinho-de-porco, é uma espécie de bagre de água doce da família Doradidae.[1] É uma espécie nativa de bacias hidrográficas do Brasil, com importância significativa na pesca comercial e de subsistência em sua área de ocorrência.[2]

Etimologia

Bacu provém do tupi antigo baku, nome de um peixe da família dos doradídeos naquela língua, de espécie não determinada.[3]

Descrição morfológica

O bacu possui um corpo alongado e robusto, que pode atingir cerca de 20 a 25 centímetros de comprimento padrão. O corpo é coberto por uma fileira de placas ósseas laterais, cada uma com um espinho afiado voltado para trás, que formam uma "armadura" característica da família Doradidae.[4] A coloração geral do corpo é prateada a acinzentada, com o dorso mais escuro e o ventre esbranquiçado. A cabeça é cônica e o focinho é proeminente. Possui três pares de barbilhões sensoriais ao redor da boca (um par maxilar e dois pares mentonianos), que auxiliam na localização de alimento no substrato. A nadadeira adiposa é bem desenvolvida.[1]

Distribuição e habitat

Hassar affinis é endêmico de bacias hidrográficas do Brasil, ocorrendo principalmente em rios do Nordeste e da transição para a região Norte. Sua distribuição abrange as bacias dos rios Parnaíba, Mearim, Itapecuru, Jaguaribe, Paraíba do Norte e Capibaribe.[5] No estado do Maranhão, a espécie é abundante nas bacias dos rios Mearim e Itapecuru, onde representa um importante recurso pesqueiro.[6]

Habita o leito de rios de médio a grande porte, preferindo áreas com substrato de areia e cascalho. É uma espécie de fundo (bentônica), que vive em cardumes.[4]

Biologia e ecologia

Alimentação

A dieta de Hassar affinis é onívora, com tendência à insetivoria. Alimenta-se principalmente de larvas de insetos aquáticos (como Chironomidae e Ephemeroptera), pequenos crustáceos e detritos orgânicos que encontra remexendo o substrato com o focinho e os barbilhões.[2]

Comportamento e reprodução

O bacu é uma espécie gregária que forma grandes cardumes, especialmente durante a época de reprodução, quando realiza migrações rio acima, um comportamento conhecido como piracema.[5] A reprodução está associada ao período chuvoso e ao aumento do nível dos rios. Acredita-se que, assim como outras espécies do gênero, construa ninhos com folhas e detritos vegetais para proteger seus ovos.[4] É conhecido por produzir sons audíveis através da rotação de suas nadadeiras peitorais, utilizados para comunicação dentro do cardume.

Importância econômica

Hassar affinis é uma das espécies de maior importância na pesca artesanal e de subsistência nas bacias onde ocorre, especialmente nos estados do Piauí e Maranhão. É altamente apreciado por sua carne saborosa, sendo consumido frito, cozido ou em caldos. Durante o período da piracema, sua captura se intensifica, tornando-se uma fonte de renda fundamental para muitas comunidades ribeirinhas. A pesca excessiva durante a migração reprodutiva, no entanto, representa uma ameaça às suas populações.[6]

Estado de conservação

A espécie Não foi Avaliada (NE) pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).[1] Apesar de ser localmente abundante, suas populações enfrentam ameaças significativas, como a sobrepesca (especialmente durante a piracema), a construção de barragens que interrompem suas rotas migratórias e o assoreamento dos rios. A gestão sustentável da pesca e a conservação dos habitats fluviais são essenciais para garantir a sobrevivência da espécie a longo prazo.[2]

Referências

  1. a b c «Hassar affinis (Steindachner, 1881)». FishBase (em inglês). Consultado em 10 de julho de 2025  Erro de citação: Código <ref> inválido; o nome "FishBase" é definido mais de uma vez com conteúdos diferentes
  2. a b c Soares, Elisabeth C.; et al. (2012). «Peixes do baixo rio Paraguaçu, Bahia, Brasil». Latin American Journal of Aquatic Research. 40 (4): 845-858 
  3. Navarro, Eduardo de Almeida (2013). Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo: Global. ISBN 978-85-260-1933-1  Informe a(s) página(s) que sustenta(m) a informação (ajuda)
  4. a b c «Hassar affinis • Doradidae • Cat-eLog». PlanetCatfish.com. Consultado em 10 de julho de 2025 
  5. a b Ramos, Telton P. A.; et al. (2014). «Freshwater fishes of the Parnaíba River basin, northeastern Brazil». Check List. 10 (5): 1046–1077. doi:10.15560/10.5.1046 
  6. a b Piorski, Nivaldo M. (2005). Ecologia e biologia da comunidade de peixes do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, Maranhão, Brasil (Tese). Universidade Federal de São Carlos. Consultado em 10 de julho de 2025 

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