Força Nova

Força Nova
Forza Nuova
SiglaFN
Effene
PresidenteRoberto Fiore
Vice-presidenteLuca Castellini
FundadoresRoberto Fiore e Massimo Morsello
Fundação29 de setembro de 1997
SedeRua Giovanni Paisiello, 40 - 00198, Roma
IdeologiaNeofascismo[1]
Fascismo clerical[2]
Ultranacionalismo[3]
Conservadorismo social[4]
Euroceticismo
Espectro políticoExtrema-direita[5]
PublicaçãoFahrenheit2022
Ala de juventudeLotta Studentesca (Luta Estudantil)
Ala paramilitarCamicie Bianche
AntecessorTerza Posizione
Membros2.500 (2001)
5.000 (2013)
8.000 (2015)
13.000 (2018)
12.000 (2020)
15.000-20.000 (2021) antes da invasão a CGIL, repressão e investigação interna.
1.000 (2024)
1.500 (2025)
PaísItália, Espanha[6], Polônia[7], Brasil[8], Argentina[9], Kosovo[10]. (2026)
Afiliação nacionalAlternativa Social (2003-2006)
Itália aos Italianos (2018)
Afiliação internacionalAliança pela Paz e Liberdade
Retorno dos italianos do exterior
Câmara dos Deputados
0 / 630
Senado
0 / 320
Parlamento europeu
0 / 76
Cores     Preto
Hino"Fronte al sole"
Bandeira do partido
Página oficial
forzanuova1997.it
Militantes da Forza Nuova se manifestando em Verona em 2006.
Um insulto homofóbico (“Zapatero é viado”) do lado de fora das janelas de uma sede, em Perugia, Itália.

Força Nova (em italiano, Forza Nuova, FN) é um partido político nacionalista de extrema-direita italiano, fundado em 1997 por Roberto Fiore e Massimo Morsello. O partido é amplamente descrito por acadêmicos, jornalistas e organismos de monitoramento político como um movimento neofascista, tanto por sua simbologia quanto por suas referências ideológicas e históricas ao fascismo italiano do século XX.[11][12]

Embora tenha participação eleitoral limitada, a Força Nova tornou-se conhecida principalmente por sua atuação extraparlamentar, pela organização de manifestações de rua e pelo envolvimento recorrente em controvérsias políticas e judiciais.

Ideologia

A ideologia da Força Nova combina elementos do nacionalismo italiano, do catolicismo tradicionalista, do antieuropeísmo e de um forte discurso contrário à imigração. O partido rejeita explicitamente os princípios do liberalismo político contemporâneo, defendendo uma visão orgânica da nação baseada na identidade cultural, religiosa e na herança histórica.[13]

Entre suas principais posições estão:

  • Revogação das leis abortistas: Oposição direta à legalidade do aborto.
  • Família e crescimento demográfico no centro da política: Foco em políticas de incentivo à natalidade e estrutura familiar tradicional.
  • Bloqueio da imigração e início de um repatriamento humano: Interrupção de fluxos migratórios e retorno de imigrantes aos seus países de origem.
  • Banimento da maçonaria e de seitas secretas: Proibição de organizações maçônicas ou sociedades ocultas.
  • Erradicação da usura e zeramento da dívida pública: Combate a juros abusivos e medidas drásticas sobre a dívida do Estado.
  • Restauração da Concordata Estado-Igreja de 1929: Retorno aos termos originais dos Tratados de Latrão entre a Itália e o Vaticano.
  • Revogação das leis "liberticidas" Mancino e Scelba: Extinção das leis italianas que proíbem a apologia ao fascismo e crimes de ódio/discriminação.
  • Formação de Corporações para a defesa dos trabalhadores: Implementação de um modelo corporativista de organização do trabalho.[14]

Pesquisadores observam que a Força Nova se insere na tradição do neofascismo europeu do pós-Segunda Guerra Mundial, mantendo continuidade simbólica e discursiva com grupos da direita radical do pós-guerra italiano.[15]

História

Fundação e origens

A Força Nova foi fundada em 1997 por Roberto Fiore e Massimo Morsello, ex-integrantes do movimento neofascista Terza Posizione. Ambos haviam vivido no exterior durante os anos 1980, período marcado por investigações judiciais relacionadas à militância política radical na Itália.[16]

Nos primeiros anos, o partido concentrou suas atividades em protestos, campanhas culturais e mobilização juvenil, com presença mais significativa em regiões como Lácio, Sicília, Vêneto e Puglia.

Anos 2000

Durante os anos 2000, a Força Nova buscou ampliar sua influência política por meio de alianças com outros grupos da extrema-direita italiana e da participação em eleições locais e nacionais. Apesar disso, seus resultados eleitorais permaneceram marginais, e o partido não conseguiu eleger representantes para o Parlamento italiano.[17]

Controvérsias

A Força Nova esteve repetidamente envolvida em episódios de violência política, confrontos com manifestantes antifascistas e investigações judiciais. Analistas apontam que o partido frequentemente adota estratégias de confronto direto como forma de manter visibilidade midiática.[18]

Ataque à CGIL em 2021

Bandeira alternativa versão branca.

Em outubro de 2021, dirigentes da Força Nova foram presos após a invasão da sede nacional da CGIL, a maior central sindical da Itália, durante protestos contra as restrições sanitárias impostas durante a pandemia de COVID-19. O episódio gerou ampla condenação política e reacendeu o debate sobre a aplicação das leis italianas que proíbem a reorganização do Partido Fascista.[19]

Após os eventos de 2021, setores do parlamento italiano e da sociedade civil defenderam a dissolução da Força Nova com base na Constituição da Itália e na chamada Lei Scelba, que criminaliza a apologia ao fascismo. Até meados da década de 2020, o partido permaneceu formalmente ativo, embora sob vigilância judicial e com restrições a determinadas atividades públicas.[20]

Atuação internacional

A Força Nova mantém contatos ideológicos com grupos nacionalistas e de extrema-direita em outros países europeus e fora da Europa, integrando redes transnacionais da direita radical contemporânea.[21]

América do Sul

Relatórios jornalísticos indicam que o partido buscou apoio entre comunidades da diáspora italiana na Argentina e no Brasil, promovendo eventos culturais, encontros informais e campanhas digitais voltadas a descendentes de italianos.[22]

Brasil

No Brasil, pesquisadores identificaram a circulação de material ideológico associado à Força Nova em redes sociais e fóruns digitais. Estudos sobre extremismo político apontam a existência de simpatizantes e pequenos núcleos ideológicos sem status legal como partido político. A atuação ocorre predominantemente no ambiente virtual, com discursos voltados à identidade europeia, imigração e conservadorismo religioso.[23]

Especialistas destacam que essas conexões fazem parte de um fenômeno mais amplo de internacionalização da extrema-direita, caracterizado pelo intercâmbio de narrativas, símbolos e estratégias políticas.[24]

Filiais e seções no Brasil e Argentina

No final de 2025 para 2026, a Força Nova anunciou por meio de seus canais oficiais do Telegram e WhatsApp a abertura de uma seção no Brasil e na Argentina com o objetivo de promover o retorno de descendentes de italianos ao território italiano. Segundo a organização, a iniciativa estaria ligada ao que chamou de ‘2026, o ano do retorno dos italianos do exterior’, apresentado como uma resposta ao declínio demográfico da Itália. A proposta, assinada por seu secretário nacional Roberto Fiore, defende duas frentes principais: a criação de um salário estatal para mães italianas, tratando a maternidade como uma missão social, e o incentivo ao retorno anual de cerca de meio milhão de ítalo-descendentes, especialmente da América do Sul e dos Estados Unidos, para que se restabeleçam no país, formem famílias e reforcem os laços considerados tradicionais da nação italiana.

Desempenho eleitoral

Apesar de sua visibilidade midiática, a Força Nova nunca obteve representação significativa em eleições nacionais. Seu impacto político ocorre principalmente fora das instituições formais, por meio de mobilizações de rua, campanhas digitais e alianças informais.[25]

Referências

  1. «la forza nuova della fede antica». www.anpipianoro.it. Consultado em 29 de maio de 2026. Cópia arquivada em 14 de fevereiro de 2026 
  2. «Reggio Emilia - Contro ogni nazionalismo, per un'Europa di diritti e dignità». globalproject.info (em italiano). Consultado em 29 de maio de 2026. Cópia arquivada em 30 de dezembro de 2025 
  3. Alessandro, Trocino. ««Candideremo alle elezioni gli arrestati»». archiviostorico.corriere.it (em italiano). Consultado em 29 de maio de 2026. Cópia arquivada em 13 de fevereiro de 2009 
  4. (em inglês) [1]. APF.
  5. (em italiano) [2]. Site da Forza Nuova.
  6. (em italiano) [3]. Site da Forza Nuova.
  7. (em italiano) [4]. Site da Forza Nuova.
  8. (em italiano) [5]. Site da Forza Nuova.
  9. (em italiano) Forza Nuova e i suoi ragazzi. La Repubblica, 23 de dezembro de 2000.
  10. (em inglês) Italy far-right: Who are Forza Nuova?. BBC News.
  11. (em inglês) The rise of Italy’s far-right group Forza Nuova. The Guardian.
  12. (em italiano) 8 pontos do partido. Forza Nuova, 01 de Janeiro de 2026.
  13. (em inglês) A red-brown alliance for Syria. Qantara.
  14. (em italiano) Forza Nuova: il 25 aprile fiori in piazzale Loreto. Corriere della Sera, 22 de abril de 2001.
  15. (em italiano) Assalto alla sede di Forza Nuova, domani i neofascisti in piazza. La Repubblica, 18 de maio de 2007.
  16. (em inglês) Italy’s fringe far right. Politico Europe.
  17. (em inglês) Italy arrests far-right leaders after union HQ attack. BBC News.
  18. (em italiano) Assalto alla CGIL, l’ombra dello scioglimento di Forza Nuova. La Repubblica.
  19. (em inglês) Transnational far-right networks. Institute for Strategic Dialogue.
  20. (em italiano) Forza Nuova e i contatti all’estero. Il Post.
  21. (em português) A extrema-direita global e suas conexões. Nexo Jornal.
  22. (em inglês) Transnational far-right networks. Institute for Strategic Dialogue.
  23. (em inglês) Italy far-right: Who are Forza Nuova?. BBC News.
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