Dorian Leigh
| Dorian Leigh | |
|---|---|
| Nome completo | Dorian Elizabeth Leigh Parker |
| Nome artístico | Dorian Leigh |
| Nascimento | 23 de abril de 1917 San Antonio, Condado de Bexar, Texas, Estados Unidos |
| Morte | 7 de julho de 2008 (91 anos) Falls Church, Virgínia, Estados Unidos |
| Nacionalidade | americana |
| Ocupação | modelo |
| Altura | 1,70 m |
| Cônjuge | Marshall Hawkins (c.1937 d.1944) Roger W. Mehle (c.1948 d.1954) |
| Filhos | 5 |
| Carreira como modelo | |
| Cor do cabelo | Preto |
| Cor dos olhos | Azuis |
| Página oficial | |
| "Fire and Ice" da Revlon e Dorian Leigh | |
Dorian Elizabeth Leigh Parker, (San Antonio, 23 de abril de 1917 – Falls Church, 7 de Julho de 2008) mais conhecida por Dorian Leigh foi uma modelo norte-americana, amplamente considerada uma das primeiras supermodelos da história da moda. Tornou-se uma das principais figuras do mercado editorial nas décadas de 1940 e 1950, aparecendo em diversas capas de revistas internacionais e participando de campanhas publicitárias de grande impacto.[1][2]
Biografia e carreira
Modelagem
Dorian Leigh nasceu em San Antonio, no estado do Texas, sendo a mais simples das quatro irmãs Parker. Desde cedo, destacava-se por traços faciais marcantes que refletiam um ideal estético bastante específico da década de 1930, caracterizado pela valorização de sobrancelhas mais finas e lábios mais volumosos, elementos que se tornaram associados ao padrão de beleza da época. Ainda jovem, casou-se durante o período universitário e teve dois filhos, mas o casamento terminou em divórcio no ano de 1937.[3][4]
Após a separação, seus pais a acolheram novamente, junto com as crianças, na residência da família localizada no Queens, em Nova York. Seu pai, que trabalhava como químico, incentivou fortemente sua continuidade nos estudos e seu desenvolvimento intelectual. Seguindo esse incentivo, Dorian ingressou na Universidade de Nova York, onde estudou cálculo, além de participar de um programa de formação voltado para engenharia.[3]
Sua trajetória profissional inicial não esteve ligada ao mundo da moda. Ela trabalhou como desenhista para a Marinha dos Estados Unidos e, posteriormente, atuou na área de design de asas aeronáuticas na divisão de aviação da General Motors, no leste do país. No entanto, decidiu deixar esse emprego, alegando posteriormente que suas sugestões de melhorias técnicas nos projetos não haviam sido aceitas pela empresa.[3]
Após essa fase, passou a trabalhar como redatora publicitária em Nova York. Em busca de uma renda adicional, acabou visitando uma agência de modelos dirigida por Harry Conover. Conover percebeu nela um potencial alinhado com as tendências estéticas daquele período. Apesar de sua idade real ser 27 anos, um fator considerado desfavorável para o mercado de moda da época, ele a orientou a informar à influente editora de moda Diana Vreeland, da Harper's Bazaar, que tinha apenas 19 anos.[3]
Vreeland, por sua vez, solicitou que ela abandonasse o uso das sobrancelhas marcadas e retornasse no dia seguinte para uma sessão de fotos de chapéus com a fotógrafa Louise Dahl-Wolfe. Essa sessão resultou em sua aparição em uma capa da revista na edição de junho, marcando o início de sua projeção no universo da moda.[3]
Nesse período, o cinema e a cultura visual também exerciam forte influência sobre o imaginário feminino. Produções como Cover Girl, estrelada por Rita Hayworth, representavam uma idealização da beleza feminina associada ao glamour e à sofisticação. Nesse contexto, Dorian Leigh — que havia retirado o sobrenome Parker em respeito à família — passou a ser percebida como uma versão mais refinada desse ideal.[3]
Sua consolidação como figura icônica da moda ocorreu no ano seguinte. Charles Revson, fundador da Revlon, havia introduzido a ideia de combinar batons e esmaltes de unhas desde 1940. Com o crescimento econômico dos Estados Unidos durante o período da Segunda Guerra Mundial, e o consequente aumento do poder de compra das mulheres trabalhadoras, a empresa passou a investir em campanhas publicitárias mais ousadas, destacando cores vibrantes e combinações coordenadas de maquiagem.[3]
Em 1945, para a campanha intitulada Poison Apple, descrita como “a cor mais tentadora desde que Eva piscou para Adão”, Dorian Leigh foi escolhida como o rosto principal da marca, representando a figura da mulher sedutora e sofisticada. A partir desse momento, tornou-se uma das principais musas da Revlon, estrelando diversas campanhas publicitárias ao longo dos anos.[3]
Um dos marcos mais importantes de sua carreira publicitária ocorreu em 1952, com a campanha Fire and Ice, considerada uma das mais icônicas da história da publicidade de moda em Nova York. Na ocasião, foi fotografada por Richard Avedon usando uma capa escarlate inspirada em criações da Balenciaga, combinada com um vestido decorado com strass prateados na parte frontal. A campanha era acompanhada por perguntas provocativas que reforçavam uma imagem de personalidade ousada e enigmática, explorando a ideia de uma feminilidade sofisticada e, ao mesmo tempo, provocadora.[3]
Apesar do impacto visual e cultural da campanha, ela também gerou diferentes reações no meio publicitário. Alguns executivos consideraram a representação exagerada ou controversa, enquanto publicações como a Vogue destacaram a elegância da produção e deram grande visibilidade à matéria.[3]
Além disso, Dorian Leigh teve influência direta na carreira de sua irmã mais nova, Suzy Parker, apresentando-a à agência Eileen e Jerry Ford. Suzy posteriormente também se tornou uma das principais modelos da Revlon, consolidando a presença da família Parker no universo da moda internacional.[3]
Sua imagem e estilo contribuíram de forma significativa para a consolidação da estética da moda nas décadas de 1940 e 1950. Ao longo de sua carreira, é frequentemente citada como uma das primeiras figuras a serem descritas como “supermodelo”, embora essa designação seja aplicada retrospectivamente e varie conforme as fontes. Seu impacto no mercado editorial foi expressivo: em 1946, ela apareceu em sete capas da revista Vogue e, ao longo dos seis anos seguintes, acumulou mais de cinquenta capas em publicações de grande circulação, como Life, Look e McCall’s, consolidando-se como uma das modelos mais requisitadas de seu tempo.[5][6]
A visibilidade de Dorian Leigh não se limitava ao universo da moda. Sua vida pessoal também atraía atenção da imprensa, especialmente seus relacionamentos com figuras conhecidas da época, o que frequentemente a mantinha em evidência na mídia. Ela foi casada quatro vezes ao longo da vida. Tornou-se amiga do escritor Truman Capote, que lhe atribuía o apelido de “Despreocupada”. Há especulações de que Leigh tenha servido de inspiração parcial para a personagem Holly Golightly, protagonista da novela Breakfast at Tiffany’s (Bonequinha de Luxo), embora essa relação não seja unanimemente confirmada por biógrafos ou pelo próprio autor.[5]
Outros trabalhos
Na década de 1950, Dorian Leigh expandiu sua atuação para além da moda impressa. Em 1953, integrou o elenco da montagem da Broadway da comédia The Fifth Season, permanecendo na produção por mais de um ano. Posteriormente, participou de produções cinematográficas francesas, incluindo o curta-metragem Anna La Bonne (1958), inspirado em um poema de Jean Cocteau, e o longa Les Mauvais Coups (1961–1962), dirigido por François Leterrier e estrelado por Simone Signoret.[5]
Mais tarde, já estabelecida na Europa, mudou-se para Paris, onde iniciou uma nova fase de sua carreira ao lado de Eileen Ford, com quem esteve envolvida na criação de uma das primeiras agências de modelos na França, contribuindo para a profissionalização do setor no mercado europeu. Paralelamente, desenvolveu interesse pela gastronomia e estudou na renomada escola Le Cordon Bleu, em Paris. Essa formação levou à abertura do restaurante Chez Dorian, localizado nos arredores da capital francesa, que alcançou relativo sucesso durante seu período de funcionamento.[5][7]
Na década de 1970, Dorian Leigh retornou aos Estados Unidos, estabelecendo-se novamente em Nova York. Anos depois, em 1980, publicou sua autobiografia intitulada The Girl Who Had Everything (A Garota Que Tinha Tudo), na qual narra aspectos de sua carreira, vida pessoal e trajetória no mundo da moda e do entretenimento.[5]
Vida pessoal e morte
Casou-se pela primeira vez com Marshall Hawkins, com quem teve um filho e uma filha (ambos falecidos), tendo o casamento sido dissolvido em 1937. Posteriormente, contraiu matrimônio com Roger Mehle, união da qual nasceu uma filha, e que também terminou em divórcio. Em seguida, foi casada com Serge Bordat, com quem teve outra filha, sendo igualmente divorciada.[5]
Em 1964, casou-se pela quarta vez, com Iddo Ben Gurion, filho do ex-primeiro-ministro israelense David Ben-Gurion, permanecendo juntos até a dissolução do casamento em 1966. Além desses relacionamentos, teve um filho com Alfonso Cabeza de Vaca y Leighton, que também faleceu.[5]
Dorian Leigh faleceu em Falls Church, no estado da Virgínia, em 7 de julho de 2008.[5]
Referências
- ↑ Koda, Harold. «Dorian Leigh, 1917–2008». The New York Times
- ↑ Bumpus, Jessica. «Dorian Leigh remembered». British Vogue
- ↑ a b c d e f g h i j k Horwell, Veronica (11 de julho de 2008). «Dorian Leigh». The Guardian. Consultado em 26 de abril de 2026
- ↑ «Dorian Leigh: model obituary». The Times
- ↑ a b c d e f g h Horwell, Veronica (11 de julho de 2008). «Dorian Leigh: 'Supermodel' of the 1940s». The Independent. Consultado em 26 de abril de 2026
- ↑ «Dorian Leigh». The Daily Telegraph
- ↑ «Dorian Leigh». The Daily Telegraph
Ligações externas
- (em inglês)-Site belga em homenagem à Leigh
- (em inglês)-"Fire and Ice" da Revlon e Dorian Leigh
- (em inglês)-Obituário no The New York Times.
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