Diflufenicão

O diflufenicão (C₁₉H₁₁F₅N₂O₂) é uma substância ativa herbicida pertencente à classe química das piridino-carboxamidas (ou fenoxipiridino-carboxamidas), amplamente utilizada na agricultura contemporânea para o controlo de infestantes dicotiledóneas (de folhas largas) e algumas gramíneas. Sintetizado originalmente para oferecer uma solução residual e seletiva, este composto atua principalmente em aplicações de pré-emergência ou pós-emergência precoce em culturas de cereais de inverno, como o trigo, a cevada, o centeio e o triticale. A sua eficácia reside na capacidade de impedir o desenvolvimento de plantas indesejadas desde as primeiras fases do seu ciclo vegetativo, garantindo que a cultura principal se estabeleça sem a competição direta por luz, nutrientes e água, o que é fundamental para a otimização do rendimento agrícola final.[1][2][3]
O mecanismo de ação biológico do diflufenicão é classificado pelo Comité de Ação contra a Resistência aos Herbicidas (HRAC) no Grupo 12 (anteriormente Grupo F1), caracterizando-se como um inibidor da biossíntese de carotenoides ao nível da enzima desidrogenase de fitoeno (PDS). Ao bloquear esta enzima, o herbicida impede a formação de pigmentos carotenoides, que desempenham um papel vital na proteção da clorofila contra a foto-oxidação. Na ausência desta proteção, a luz solar intensa provoca a destruição da clorofila, resultando no sintoma visual mais distintivo da aplicação desta substância: o branqueamento ou «albinismo» intenso dos tecidos foliares das plantas sensíveis. Este processo de clorose progressiva leva à necrose total e à morte da infestante em poucos dias após a emergência ou contacto, sendo um processo irreversível uma vez que a maquinaria fotossintética da planta é comprometida.[4][5][6]
Do ponto de vista físico-químico e ambiental, o diflufenicão é conhecido pela sua baixa solubilidade em água e uma elevada afinidade para ser adsorvido pelas partículas do solo, o que lhe confere uma mobilidade reduzida e um perfil de lixiviação muito baixo, minimizando o risco de contaminação de águas subterrâneas. Esta característica de forte adsorção cria uma espécie de «barreira herbicida» na superfície do solo, que é ativada pela humidade, controlando as infestantes à medida que estas germinam e atravessam a camada tratada. A sua persistência no solo é moderada, garantindo um período de proteção prolongado durante o inverno, embora exija atenção aos intervalos de segurança e à rotação de culturas para evitar efeitos fitotóxicos em plantações subsequentes mais sensíveis. Em termos de toxicidade, é geralmente considerado de baixo risco para mamíferos, aves e abelhas quando utilizado nas doses recomendadas, embora apresente toxicidade para organismos aquáticos, o que exige a implementação de zonas de segurança (buffer zones) durante a sua aplicação em campo.[7][8][9][10]
Referências
- ↑ PubChem. «Diflufenican». pubchem.ncbi.nlm.nih.gov (em inglês). Consultado em 28 de abril de 2026
- ↑ «Zenite® | Selectis». selectis.pt. Consultado em 28 de abril de 2026
- ↑ Gregório, Daniel Filipe Sousa (22 de março de 2023). «Controlo de infestantes em pré e pós-emergência na cultura do trigo mole (Triticum aestivum L.)»
- ↑ «Global Herbicide Classification Lookup». Herbicide Resistance Action Committee (em inglês). Consultado em 28 de abril de 2026
- ↑ Ashton, Ian P.; Abulnaja, Khalid O.; Pallett, Kenneth E.; Cole, David J.; Harwood, John L. (1 de maio de 1992). «Diflufenican, a carotenogenesis inhibitor, also reduces acyl lipid synthesis». Pesticide Biochemistry and Physiology. 43 (1): 14–21. ISSN 0048-3575. doi:10.1016/0048-3575(92)90014-Q
- ↑ «Why diversifying herbicide modes of action is crucial». cropscience.bayer.co.uk (em inglês). Consultado em 28 de abril de 2026
- ↑ Hertfordshire, University of. «Diflufenican (Ref: AE 088657)». sitem.herts.ac.uk. Consultado em 28 de abril de 2026
- ↑ https://www.sigmaaldrich.com/PT/en/product/sial/45751
- ↑ Svendsen, Sif B.; Carvalho, Pedro N.; Bollmann, Ulla E.; Ellegaard-Jensen, Lea; Albers, Christian N.; Strobel, Bjarne W.; Jacobsen, Carsten S.; Bester, Kai (1 de maio de 2020). «A comparison of the fate of diflufenican in agricultural sandy soil and gravel used in urban areas». Science of The Total Environment. 715. 136803 páginas. ISSN 0048-9697. doi:10.1016/j.scitotenv.2020.136803
- ↑ European Food Safety Authority (EFSA) (fevereiro de 2008). «Conclusion regarding the peer review of the pesticide risk assessment of the active substance diflufenican: Conclusion regarding the peer review of the pesticide risk assessment of the active substance diflufenican». EFSA Journal (em inglês). 6 (2): 122r. doi:10.2903/j.efsa.2008.122r
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