Design computing
Os termos design computacional e outros termos correlatos, como design e computação e computação em design, referem-se ao estudo e à prática de atividades de design por meio da aplicação e do desenvolvimento de novas ideias e técnicas em computação. Um dos primeiros grupos a cunhar essa terminologia foi o Key Centre of Design Computing and Cognition, da Universidade de Sydney, na Austrália, que por mais de cinquenta anos — desde o final da década de 1960 — foi pioneiro na pesquisa, no ensino e na consultoria em design e tecnologias computacionais. Esse grupo organizou a série de conferências acadêmicas Artificial Intelligence in Design (AID),[1] publicada pela Springer. A AID foi posteriormente renomeada Design Computing and Cognition (DCC)[2] e é atualmente uma das principais conferências bienais da área. Outros grupos de destaque são o grupo Design and Computation da Escola de Arquitetura e Planejamento do [[Instituto de Tecnologia de Massachusetts]] (MIT)[3] e o grupo Computational Design do Instituto de Tecnologia da Geórgia (Georgia Tech).[4]
Embora esses termos compartilhem, em geral, o interesse em tecnologias computacionais e na atividade projetual, existem diferenças importantes nas abordagens, teorias e aplicações. Enquanto em alguns contextos "design computacional" se refere à criação de novas ferramentas e métodos no âmbito do pensamento computacional,[5] o design computing se ocupa da articulação entre esses dois campos com o objetivo de ampliar a compreensão do processo de design.[6]
O Bacharelado em Design Computacional (Bachelor of Design Computing — BDesComp)[7] foi criado em 2003 na Universidade de Sydney e permanece um curso de referência em design de interação e tecnologias criativas, atualmente sediado no Design Lab. Nesse contexto, o design computing é definido como o uso e o desenvolvimento de modelos computacionais de processos de design e de mídia digital para apoiar e/ou automatizar diferentes aspectos do processo projetual, com o objetivo de produzir formas de design de maior qualidade e caráter inovador.[8]
Áreas
Nos últimos anos, diversas áreas de pesquisa e ensino passaram a ser agrupadas sob o termo "design computacional". Entre elas estão a inteligência artificial em design, os sistemas especialistas e sistemas baseados em conhecimento, a criatividade computacional, o projeto assistido por computador, a arquitetura digital, a morfogênese digital, a modelagem visual e espacial, a analogia computacional, os sistemas automatizados de design, os sistemas de apoio ao design, o trabalho cooperativo apoiado por computador (CSCW), a modelagem da informação da construção (BIM), a realidade estendida (XR)[9][10] e a computação espacial, bem como a criação digital de lugar (digital place-making).[11]
Grupos de pesquisa
Os principais grupos de pesquisa atuantes na área distribuem-se por faculdades de Arquitetura, Engenharia e Ciência da Computação. A Austrália tem sido pioneira nesse campo: por mais de cinco décadas, o Key Centre of Design Computing and Cognition (KCDC), hoje conhecido como Design Lab, da Universidade de Sydney, contribuiu para consolidar a área de pesquisa e ensino. A Universidade de Sydney oferece o Bacharelado em Design Computacional, e a Universidade de New South Wales, também em Sydney, o Bachelor of Computational Design. Nos Estados Unidos, a área é também conhecida como "Design and Computation", especialmente no MIT e no Georgia Tech.
No Brasil, a área tem experimentado crescimento institucional significativo. Na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a professora Gabriela Celani — doutora pelo MIT — fundou o Laboratório de Automação e Prototipagem para Arquitetura e Construção (LAPAC) e o grupo de pesquisa "Teorias e Tecnologias Contemporâneas Aplicadas ao Design", sendo uma das pesquisadoras mais citadas do país na área.[12] Na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), pesquisadores do Laboratório de Experimentação Digital (LED) publicaram estudos mapeando o design computacional como área em formação no campo do design brasileiro, identificando como subáreas centrais o design paramétrico e generativo, a fabricação digital, os artefatos computacionais e as tecnologias de realidade virtual, aumentada e mista.[13] Outras instituições brasileiras com grupos ativos na área incluem a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).
Entre os demais grupos relevantes no mundo encontram-se instituições como a Universidade Carnegie Mellon, o University College London, a Universidade Técnica de Delft, o Instituto de Design Computacional da Universidade de Stuttgart e o Centro de IT e Arquitetura (CITA) da Real Academia Dinamarquesa de Belas Artes, em Copenhague.
Conferências
A Conferência Internacional de Design Computing e Cognição (DCC), de periodicidade bienal, reúne pesquisas de alta qualidade na área, assim como as conferências anuais da Association for Computer Aided Design In Architecture (ACADIA) e outros eventos acadêmicos da especialidade.
No âmbito ibero-americano, destaca-se a Sociedade Ibero-Americana de Gráfica Digital (SIGraDi), fundada em 1997, que realiza um congresso anual em diferentes países da América Latina e da Península Ibérica, promovendo o intercâmbio de pesquisas em computação gráfica e tecnologias digitais aplicadas à arquitetura, ao design e à arte.[14] A SIGraDi mantém colaboração com sociedades congêneres na Europa (eCAADe), América do Norte (ACADIA), Ásia e Oceania (CAADRIA) e Oriente Médio e Norte da África (ASCAAD). O Brasil já sediou edições do congresso em São Carlos (2018, pela USP) e em Florianópolis (2015, pela UFSC), entre outras.
Ver também
- Projeto assistido por computador
- Arquitetura digital
- Modelagem da informação da construção
- Criatividade computacional
- Pensamento computacional
- Sociedade Ibero-Americana de Gráfica Digital
Referências
Referências
- ↑ Artificial Intelligence in Design '92 | John S. Gero | Springer (em inglês). [S.l.: s.n.]
- ↑ Gero, John. «Eighth International Conference on Design Computing and Cognition DCC'18». dccconferences.org. Consultado em 13 de novembro de 2017
- ↑ architecture.mit.edu/computation/program/overview
- ↑ «Computational Design | School of Architecture | Georgia Institute of Technology». arch.gatech.edu (em inglês). Consultado em 13 de novembro de 2017
- ↑ «Ubiquity: Computational design». ubiquity.acm.org. Consultado em 13 de novembro de 2017
- ↑ Design Computing and Cognition '14 | John S. Gero | Springer (em inglês). [S.l.: s.n.]
- ↑ «Bachelor of Design Computing». The University of Sydney. Consultado em 18 de abril de 2018
- ↑ «Faculty of Architecture Handbook 2004» (PDF). University of Sydney Library. Consultado em 11 de novembro de 2017
- ↑ Zellner, Peter (1999). Hybrid space: new forms in digital architecture. Londres: Thames & Hudson. ISBN 0500341737
- ↑ Baradaran Rahimi, Farzan; Levy, Richard M.; Boyd, Jeffrey E. (1 de fevereiro de 2021). «Hybrid Space: An Emerging Opportunity That Alternative Reality Technologies Offer to the Museums». Space and Culture. 24 (1): 83–96. ISSN 1206-3312. doi:10.1177/1206331218793065
- ↑ Hespanhol, Luke; Haeusler, Hank; Tomitsch, Martin; Tscherteu, Gernot (2017). Media architecture compendium: digital placemaking. Stuttgart: Avedition. ISBN 9783899862515
- ↑ «Gabriela Celani». FAPESP
- ↑ Mineiro, Érico; José da Silva, Fernando (2024). «Design computacional: escopo e alcance de uma área em formação». Pensamentos em Design. 3 (2): 123–133. doi:10.36704/pendes.v3i2.8585
- ↑ «About SIGraDi». SIGraDi
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