Classe Moltke
| Classe Moltke | |
|---|---|
O Goeben, a segunda embarcação da classe | |
| Visão geral | |
| Operador(es) | |
| Construtor(es) | Blohm & Voss |
| Predecessora | SMS Von der Tann |
| Sucessora | SMS Seydlitz |
| Período de construção | 1908–1912 |
| Em serviço | 1911–1950 |
| Construídos | 2 |
| Características gerais (como construídos) | |
| Tipo | Cruzador de batalha |
| Deslocamento | 25 400 t (carregado) |
| Comprimento | 186,6 m |
| Boca | 29,4 m |
| Calado | 9,2 m |
| Maquinário | 4 turbinas a vapor 24 caldeiras |
| Propulsão | 4 hélices |
| - | 52 000 cv (38 200 kW) |
| Velocidade | 25,5 nós (47,2 km/h) |
| Autonomia | 4 120 milhas náuticas a 14 nós (7 630 km a 26 km/h) |
| Armamento | 10 canhões de 283 mm 12 canhões de 149 mm 12 canhões de 88 mm 4 tubos de torpedo de 500 mm |
| Blindagem | Cinturão: 100 a 270 mm Convés: 25 a 76 mm Torres de artilharia: 180 a 230 mm Casamatas: 150 mm Torre de comando: 350 mm |
| Tripulação | 43 oficiais 1 010 marinheiros |
A Classe Moltke foi uma classe de cruzadores de batalha operada inicialmente pela Marinha Imperial Alemã, mas também pela Marinha Otomana e depois pela sucessora Forças Navais Turcas. Era composta pelo SMS Moltke e SMS Goeben. Suas construções começaram em 1908 e 1909 nos estaleiros da Blohm & Voss em Hamburgo, foram lançados ao mar em 1910 e 1911 e comissionados na frota alemã em 1911 e 1912. O projeto dos navios foi muito baseado no predecessor SMS Von der Tann, mas incorporando alguns pequenos melhoramentos, como por exemplo um esquema de blindagem mais pesado e também um poder de fogo maior por meio de uma torre de artilharia principal a mais.
Os cruzadores de batalha da Classe Moltke eram armados com uma bateria principal composta por dez canhões de 283 milímetros montados em cinco torres de artilharia duplas. Tinham um comprimento de fora a fora de 186 metros, boca de 29 metros, calado de nove metros e um deslocamento carregado de mais de 25 mil toneladas. Seus sistemas de propulsão eram compostos por 24 caldeiras a carvão que alimentavam quatro conjuntos de turbinas a vapor, que por sua vez giravam quatro hélices até uma velocidade máxima de 25 nós (46 quilômetros por hora). Os navios também eram protegidos por um cinturão principal de blindagem que tinha entre cem e 270 milímetros de espessura.
Os dois navios tiveram inícios de carreira tranquilos que consistiriam principalmente em exercícios de rotina e viagens internacionais. A Primeira Guerra Mundial começou em 1914 e o Goeben atuou durante todo o conflito como parte da Frota de Alto-Mar. Participou da maioria das ações navais alemãs, incluindo várias incursões contra o litoral britânico e as Batalhas de Dogger Bank e Golfo de Riga em 1915, a Batalha da Jutlândia em 1916 e a Operação Albion em 1917. A Alemanha foi derrotada no final de 1918 e o navio internado em Scapa Flow. Ficou no local até ser deliberadamente afundado em meados de 1919, com seus destroços sendo reflutuados em 1927 e depois desmontados.
O Goeben por sua vez estava no Mar Mediterrâneo quando a guerra começou, escapando de uma frota da Marinha Real Britânica e fugindo para Constantinopla. Foi transferido para o Império Otomano e renomeado para Yavuz Sultan Selim, atuando principalmente no Mar Negro em várias operações contra a Marinha Imperial Russa, incluindo na Batalha do Cabo Saric no final de 1914. Ele foi mantido pelo Império Otomano e depois pela sucessora Turquia após o fim da guerra, sendo renomeado para TCG Yavuz em 1936. Seu restante de carreira foi tranquilo e sem incidentes, servindo até ser descomissionado no final de 1950. Permaneceu inativo na reserva até ser desmontado entre 1973 e 1976.
Desenvolvimento
O comando da Marinha Imperial Alemã começou no início de 1907 a discutir ideias para um novo cruzador de batalha que sucederia o SMS Von der Tann, antes mesmo da construção deste navio começar. O novo navio foi provisoriamente chamado de "G" e seria encomendado sob os termos da Lei Naval de 1906. A questão do armamento principal logo veio à tona, parcialmente porque os correspondentes couraçados da Classe Helgoland tiveram seus canhões principais aumentados de 283 para 305 milímetros. O almirante Alfred von Tirpitz, o secretário de estado do Escritório Naval Imperial, emitiu em 23 de abril uma orientação geral que o novo cruzador de batalha deveria ser uma melhora em relação ao Von der Tann. O Departamento de Construção apresentou suas ideias em 2 de maio, argumentando que apesar do orçamento disponível permitir que os oito canhões de 283 milímetros fossem substituídos pelo menos número de armas de 305 milímetros, o fato da frota alemã provavelmente ficar em inferioridade numérica diante de seus oponentes significava que um número maior de canhões era mais importante, pois facilitaria enfrentar mais de um navio ao mesmo tempo. Desta forma, o departamento defendeu manter a arma de 283 milímetros e aumentar seu número para doze.[1]
Uma nova reunião ocorreu em 7 de maio e o capitão de mar August von Heeringen, o chefe do Departamento Naval Geral, afirmou que a lógica que levou ao aumento dos canhões dos couraçados também deveria ser aplicada aos cruzadores de batalha. Taticamente, a nova embarcação precisaria lutar na linha de batalha contra couraçados, assim um aumento do poder de fogo era necessário. Ele argumentou que dez canhões de 305 milímetros poderiam ser arranjados dentro do orçamento. Ele pediu que a equipe de projeto analisasse o potencial para tal navio com um armamento no mesmo padrão do couraçado britânico HMS Dreadnought. Heeringen especificou que a blindagem fosse a mesma do Von der Tann e que a velocidade máxima deveria ser de pelo menos 24,5 nós (45,4 quilômetros por hora).[1] Vários projetos preliminares foram preparados com configurações diferentes, incluindo um navio com oito canhões de 305 milímetros, um com dez armas de 283 milímetros e uma alternativa com oito de 283 milímetros mas com um esquema de blindagem aprimorado. Tirpitz concordou com o Escritório de Construção e recomendou a versão com dez canhões, que foi aprovada em 28 de maio pelo imperador Guilherme II.[2]
O projeto, chamado de "G2i", foi passado para que o Departamento de Construção produzisse um projeto final. Este trabalho durou mais do que o esperado, pois a equipe de projeto estava ocupada finalizando a Classe Helgoland e não havia arquitetos navais suficientes para trabalharem simultaneamente nos dois projetos. Alguns discussões ainda estavam ocorrendo sobre a alternativa "G5", que essencialmente seria uma repetição do Von der Tann com uma blindagem aprimorada. Tirpitz informou outros oficiais graduados durante uma conferência em 26 de março de 1908 que o projeto "G5" era politicamente inviável, pois o deslocamento aumentaria além do limite de 22 mil toneladas. Ele ordenou que a equipe de projeto prosseguisse com o "G2i", mas que fizesse melhoramentos na blindagem se possível. Dois projetistas escreveram um memorando para Tirpitz pouco depois em que se opunham à repetidos navios com projeto único, afirmando que essa prática criava uma carga de trabalho excessiva. Eles pediram que o próximo cruzador de batalha fosse simplesmente uma repetição do Von der Tann. Mesmo assim, a equipe de projeto logo terminou os trabalhos no "G2i", que por sua vez foram aprovados pelo imperador.[3]
Vários refinamentos à "G" foram incorporados durante o processo de projeto. Estes incluíram a adição de dois canhões secundários de 149 milímetros, a remoção de quatro canhões de 88 milímetros de posições que foram consideradas impraticáveis e substituição dos planejados mastros de treliça por mastros de poste mais leves. Além disso, a cidadela blindada foi revisada, a espessura da blindagem aumentada e carregamentos de munição reduzidos para economizar peso. Internamente, as salas das caldeiras foram rearranjadas em um planta mais larga, porém ao mesmo tempo mais curta, com o objetivo de encurtar a área que precisaria ser protegida pelo cinturão principal de blindagem lateral. Várias mudanças significativas foram feitas à forma do casco, incluindo o abandono da obsoleta proa com rostro. Por fim, Tirpitz decidiu alterar o tradicional arranjo lado a lado dos dois lemes para um projeto em que um ficava atrás do outro, o que reduzia perdas hidrodinâmicas, eliminava vibrações e melhorava a manobrabilidade e velocidade.[2][4]
Projeto
Características

Os navios da Classe Moltke tinham 186,6 metros de comprimento de fora a fora, uma boca de 29,4 metros e um calado máximo de 9,19 metros. O deslocamento normal era de 22 979 toneladas, enquanto o deslocamento carregado era de 25,4 mil toneladas. Seus cascos eram subdivididos em quinze compartimentos estanques e tinham um fundo duplo que cobria 78 por cento do comprimento da quilha. Tinham um castelo de proa longo com quase o mesmo comprimento dos navios, terminando a ré da quarta torre de artilharia. A superestrutura era pequena, consistindo de uma grande torre de comando blindada à vante e uma torre de comando menor à ré.[5] Mais adiante em sua carreira, o Moltke teve uma ponte de almirante fechada instalada em cima de sua torre de comando de vante. Os conveses interiores foram cobertos de linóleo e superfícies externas receberam 65 milímetros de pranchas de teca. As duas embarcações foram equipadas com oito holofotes para uso em combate noturno: quatro ficavam na primeira chaminé e as outras quatro ficavam na torre de comando de ré. O Moltke tinha outros dois holofotes menores para propósitos de sinalização, enquanto o Goeben tinha apenas um.[6]
A direção era controlada por dois lemes posicionados um atrás do outro.[2] Foi considerado que os dois navios eram bem estáveis e possuíam movimentos gentis mesmo quando enfrentando mares agitados. Entretanto, eram lentos para responder ao timão e não eram muito manobráveis em baixa velocidade. Tinham um círculo de virada fechado em velocidades elevadas; à dezessete nós (31 quilômetros por hora), o círculo de virada era de 620 metros, mas a 22 nós (41 quilômetros por hora) ele diminuía ligeiramente para 610 metros. Ao tentarem iniciar uma virada a partir de uma posição parada, os lemes não tinham efeito, assim a virada precisava ser iniciada ao virar as hélices em velocidades diferentes. Os dois navios perdiam até sessenta por cento da sua velocidade e alteavam em até nove graus com os lemes virados totalmente.[7][8]
Tinham uma tripulação padrão de 43 oficiais e 1 010 marinheiros. O Moltke serviu como capitânia do I Grupo de Reconhecimento e isto aumentou sua tripulação em treze oficiais e 62 marinheiros, mas quando capitânia do segundo em comando a tripulação crescia em três oficiais e 25 marinheiros. Levavam vários pequenos barcos, incluindo um barco de piquete, três barcaças, dois escaleres, dois yawls e dois botes. Eles ficavam guardados à meia-nau próximos das torres de artilharia centrais, o que os expunha os efeitos de disparo. Os barcos normalmente eram desembarcados durante operações de guerra. Equipamentos para operação de um hidroavião foram instalados no Moltke em 1915.[7][9]
Propulsão
O sistema de propulsão consistia em 24 caldeiras Schulz-Thornycroft a carvão divididas em quatro salas de caldeiras e que alimentavam quatro turbinas a vapor Parsons, cada uma girando uma hélice. As duas salas de caldeiras mais de ré eram divididas por anteparas internas a fim de conter inundações, mas restrições de espaço impediram que as duas de vante também fossem subdivididas. Cada caldeira tinha um tambor de vapor e três de água, funcionando a uma pressão de dezesseis atmosferas. Sua exaustão ocorria por duas grandes chaminés espaçadas. O Moltke teve uma cobertura instalada nas suas chaminés depois que ficou evidente que a fumaça interferiria com o primeiro mastro, enquanto o Goeben foi finalizado com coberturas. As caldeiras foram suplementadas após 1916 com borrifadores de óleo de piche para aumentar a taxa de queima do carvão de lignito de baixa qualidade disponível na Alemanha. As turbinas ficavam dividas em pares de alta e baixa pressão.[10][11] As de baixa pressão giravam as hélices internas e ficavam na sala de máquinas de ré. As de alta pressão giravam as hélices externas e ficavam em salas à vante e nas laterais daquelas de baixa pressão. As turbinas giravam quatro hélices de três lâminas com 3,74 metros de diâmetro. As hélices de estibordo giravam no sentido horário e as de bombordo no sentido anti-horário, quando observadas da popa.[5][8]
A potência indicada era de 52 mil cavalos-vapor (38,2 mil quilowatts) para uma velocidade máxima de 25,5 nós (47,2 quilômetros por hora). Entretanto, o Moltke alcançou 85 782 cavalos-vapor (63 075 quilowatts) e uma velocidade de 28,4 nós (52,6 quilômetros por hora) durante seus testes marítimos, já o Goeben alcançou valores de potência e velocidade máxima apenas ligeiramente menores que seu irmão.[12] Tinham uma autonomia de 4 120 milhas náuticas (7 630 quilômetros) a uma velocidade de catorze nós (26 quilômetros por hora). A energia elétrica dos navios provinha de seis turbogeradores que produziam 1,2 mil quilowatts a 225 volts.[13] As embarcações foram projetadas para carregarem mil toneladas de carvão, mas na prática podiam armazenar até 3,1 mil toneladas. O consumo de combustível nos testes forçados de seis horas foi de 667 gramas por cavalos-vapor por hora a uma potência de 76 795 cavalos-vapor para o Moltke, enquanto para o Goeben foi de 712 gramas por cavalos-vapor por hora a 71 275 cavalos-vapor.[5]
Armamento

O armamento principal era composto por dez canhões calibre 50 de 283 milímetros em cinco torres de artilharia duplas. Uma torre de artilharia ficava à vante da superestrutura, duas ficavam à meia-nau en echelon, e duas ficavam à ré, com uma sobreposta a outra. As armas ficavam em montagens C/1908 que permitiam uma elevação máxima de 13,5 graus, que era 7,5 graus a menos do que a das armas do Von der Tann, consequentemente o alcance máximo era ligeiramente menor, 18,1 contra 18,9 quilômetros.[14] Navios britânicos na Batalha de Dogger Bank em janeiro de 1915 foram capazes de abrir fogo primeiro, fora do alcance dos alemães, assim as torres do Moltke foram modificadas durante uma reforma em 1916 para aumentar a elevação para dezesseis graus, aumentando o alcance em um quilômetro.[15] Os canhões disparavam projéteis perfurantes e semiperfurantes de 302 quilogramas equipados com coberturas para melhorar sua penetração; a uma distância de dez quilômetros, esperava-se que os projéteis penetrassem 280 milímetros de aço-níquel, enquanto a doze quilômetros a penetração diminuía para duzentos milímetros. Tinham uma cadência de tiro de três disparos por minuto e uma velocidade de saída de 895 metros por segundo. O carregamento total era de 810 projéteis.[14]
O armamento secundário tinha doze canhões calibre 45 de 149 milímetros em montagens MPL C/06 dentro de casamatas. O número total de projéteis era de 1,8 mil, ou 150 por canhão; dois terços eram de projéteis perfurantes e os restantes de altamente explosivos. Tinham inicialmente um alcance de 13,5 quilômetros, mas isto foi depois aumentado para 18,8 quilômetros. A cadência de tiro era de seis a oito projéteis por minuto. A mira era feita com duas miras telescópicas por canhão. Cada arma tinha oito artilheiros.[16]
Inicialmente, as embarcações também foram equipadas por doze canhões de 88 milímetros para defesa contra barcos torpedeiros e contratorpedeiros. Ficavam em montagens giratórias C/01-06 com um carregamento total de 3,2 mil projéteis. A munição ficava em cartuchos autossuficientes, diferentemente dos canhões maiores que usavam projéteis e cargas de propelentes separados. Essas armas disparavam projéteis de nove quilogramas a uma cadência de tiro de 25 a trinta disparos por minuto, com o alcance máximo sendo de 10,7 quilômetros. Os canhões foram removidos dos dois navios no começo da Primeira Guerra Mundial, pois eram normalmente inutilizáveis, já que sofriam de interferência das baterias principal e secundária, ou eram molhadas por ondas na proa e popa. No Moltke, aquelas que ficavam na superestrutura de ré firam substituídas por quatro canhões antiaéreos calibre 45 de 88 milímetros, porém estes também foram removidos no final de 1916. O Goeben recebeu só duas armas antiaéreas.[12][16]
Tanto o Moltke quanto o Goeben foram armados com quatro tubos de torpedo de quinhentos milímetros submergidos no casco: um à vante, um à ré e um em cada lateral. Tinham um carregamento de onze torpedos do modelo G/7, que pesava 1 365 quilogramas e carregava uma ogiva de 195 quilogramas de trinitrotolueno. Estes torpedos possuíam duas configurações de alcance e velocidade: 9,3 quilômetros a 27 nós (cinquenta quilômetros por hora) ou quatro quilômetros a 37 nós (69 quilômetros por hora).[17][18]
Blindagem
A blindagem da Classe Moltke era feita de aço cimentado e aço-níquel Krupp. A blindagem lateral era dividida em três componentes: uma faixa longitudinal que se estendia pelo comprimento total do casco, que formava o cinturão de blindagem. Acima disso, outra faixa longitudinal que começava na armação 29, à ré da última torre de artilharia, e ia até a armação 126, à vante da primeira torre de artilharia, formando a cidadela blindada. Por fim, havia uma terceira faixa longitudinal acima da cidadela que cobria as casamatas da bateria secundária, tendo o comprimento da bateria secundária. O cinturão principal tinha 270 milímetros de espessura no comprimento da cidadela, diminuindo para 130 milímetros na extremidade inferior. Reduzia mais à ré para cem milímetros. A espessura da seção da proa do cinturão diminuía de 120 para cem milímetros, também diminuindo para oitenta milímetros na parte superior. A faixa longitudinal da cidadela tinha duzentos milímetros, com as duas extremidades sendo fechadas por anteparas transversais que tinham entre 170 e duzentos milímetros. Aço Krupp de 150 milímetros protegia as casamatas, enquanto duas anteparas de 120 milímetros conectava à blindagem da casamata.[19]
Um convés blindado curvado cobria todo o casco; a parte central era reta e ficava 1,6 metro acima da linha de flutuação, enquanto as laterais curvadas se estendiam até se conectarem com a extremidade inferior do cinturão de blindagem. Dentro da cidadela, o convés reto tinha 25 milímetros de espessura, enquanto a parte inclinada tinha cinquenta milímetros. As partes retas e inclinadas tinham uma espessura uniforme de cinquenta milímetros à vante da cidadela, enquanto na seção da popa a parte reta tinha oitenta milímetros e a inclinada cinquenta milímetros. Acima da casamata, um convés superior de 25 milímetros proporcionava uma proteção adicional. Os navios também eram protegidos por uma antepara antitorpedo de trinta milímetros de espessura que aumentava para cinquenta na altura das torres de artilharia de meia-nau.[19]
A torre de comando de vante era protegida por uma frente de 350 milímetros, laterais de trezentos milímetros e teto de oitenta milímetros, enquanto a torre de comando de ré tinha laterais de duzentos milímetros e teto de cinquenta. As torres de artilharia tinham frentes de 230 milímetros, laterais e traseiras de 180 milímetros e tetos de noventa milímetros na parte inclinada e sessenta na parte reta. Ficavam em cima de barbetas com duzentos milímetros nas laterais expostas, exceto na primeira barbeta, que tinha 230 milímetros na frente, e na quarta, que tinha apenas 170 milímetros. Abaixo do convés principal, onde eram protegidas pela cidadela e cinturão de blindagem, a espessura diminuía para oitenta milímetros na primeira, quarta e quinta barbetas, já as duas de meia-nau diminuíam para trinta milímetros. Os canhões secundários de 149 milímetros eram protegidos por escudos de oitenta milímetros, enquanto a maioria das armas de 88 milímetros tinham escudos de cinquenta milímetros, exceto para aquelas que ficavam na proa e na popa.[20]
Navios
A Marinha Imperial originalmente planejou construir apenas um navio, mas foi decidido construir dois pela sobrecarga sobre a equipe de projeto.[21] Foram designados pelos nomes de contrato de "Cruzador G" e "Cruzador H". O estaleiro da Blohm & Voss em Hamburgo fez o lance mais baixo para construir o "G" e assim também recebeu o contrato para a construção do "H". O primeiro foi alocado para o orçamento de 1908–09, enquanto o segundo ficou no orçamento de 1909–10.[12] O contrato do "G" foi firmado em 17 de setembro de 1908 sob o número de construção 200. Seu batimento de quilha ocorreu em 7 de dezembro de 1908 e foi lançado ao mar em 7 de abril de 1910. Foi comissionado em 30 de agosto de 1911 como SMS Moltke,[22] em homenagem ao marechal de campo Helmuth von Moltke, Chefe do Estado-Maior do Exército Prussiano em meados do século XIX.[13] O "H" foi encomendado em 8 de abril de 1909 com o número de construção 201. Seu batimento de quilha foi em 12 de agosto de 1909 e foi lançado ao mar em 28 de março de 1911. Foi comissionado em 2 de julho de 1912 como SMS Goeben,[22] em homenagem ao general de infantaria August Karl von Goeben, que lutou na Guerra Franco-Prussiana.[23]
| Navio | Construtor | Homônimo | Batimento | Lançamento | Comissionamento | Destino |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Moltke | Blohm & Voss | Helmuth von Moltke | 7 de dezembro de 1908 | 7 de abril de 1910 | 30 de agosto de 1911 | Desmontado em 1927–29 |
| Goeben | August Karl von Goeben | 12 de agosto de 1909 | 28 de março de 1911 | 2 de julho de 1912 | Desmontado em 1973–76 |
Carreiras
Moltke

O Moltke substituiu o cruzador blindado SMS Roon no I Grupo de Reconhecimento em 30 de setembro de 1911. O navio e os cruzadores rápidos SMS Stettin e SMS Bremen deixaram a Alemanha em 19 de abril de 1912 para uma visita diplomática aos Estados Unidos, chegando em 30 de maio. O Moltke escoltou no início de julho o imperador para uma viagem à Rússia a bordo do iate SMY Hohenzollern. Ao voltar se tornou a capitânia do contra-almirante Franz Hipper, o comandante do I Grupo de Reconhecimento, função que exerceu até ser substituído pelo novo cruzador de batalha SMS Seydlitz em junho de 1914.[24]
A Primeira Guerra Mundial começou no final de julho e o Moltke participou da maioria das ações realizadas pela Marinha Imperial durante o conflito, incluindo as Batalhas de Dogger Bank e Jutlândia no Mar do Norte, e também a Batalha do Golfo de Riga e Operação Albion no Mar Báltico. Também esteve envolvido em várias operações de bombardeio litorâneo contra o Reino Unido, incluindo um primeiro ataque contra Great Yarmouth, um bombardeio contra as cidades de Scarborough, Hartlepool e Whitby e depois um segundo ataque contra Great Yarmouth e também contra Lowestoft. O navio foi danificado várias vezes durante a guerra, sendo alvejado várias vezes durante a Batalha da Jutlândia e torpedeado duas vezes por submarinos em surtidas da frota.[25]
A Alemanha foi derrotada no final de 1918 e o Moltke foi internado na base britânica de Scapa Flow junto com a maior parte da Frota de Alto-Mar à espera de uma decisão dos Aliados sobre seu destino e dos outros navios alemães. Ele foi deliberadamente afundado por sua própria tripulação em meados de 1919 junto com o resto da Frota de Alto-Mar para que não fossem tomados pela Marinha Real Britânica.[23] Os destroços do Moltke foram reflutuados em 1927 e desmontados em Rosyth entre 1927 e 1929.[26]
Yavuz Sultan Selim

O Alto Comando Alemão decidiu em 1912 depois do início da Primeira Guerra Balcânica criar uma Divisão Mediterrânea em uma tentativa de exercer alguma influência na área. Esta formação seria composta pelo Goeben e pelo cruzador rápido SMS Breslau, com eles deixando a Alemanha no começou de novembro e chegando em Constantinopla mais de uma semana depois. Os dois visitaram vários portos na região, incluindo Veneza, Pola e Nápoles. A guerra terminou em maio de 1913 e foi considerado chamá-los de volta para casa, mas o começo da Segunda Guerra Balcânica um mês depois fez com que ambos permanecessem no Mar Mediterrâneo.[27]
O contra-almirante Wilhelm Souchon, comandante da Divisão do Mediterrâneo, reconheceu no final de junho de 1914 que o início da Primeira Guerra Mundial era iminente e assim navegou para Pola a fim de realizar reparos no Goeben. Em seguida os navios receberam ordens de fugir para Constantinopla, sendo no caminho perseguidos por forças britânicas, mas conseguiram chegar em segurança em seu destino em agosto.[27] O cruzador de batalha foi transferido para a Marinha Otomana e renomeado para Yavuz Sultan Selim, em homenagem ao sultão Selim I. Foi designado a nova capitânia da Marinha Otomana, mas manteve sua tripulação alemã. Ele bombardeou em outubro o porto russo de Sebastopol no Mar Negro e afundou um draga-minas, com o governo russo declarando guerra contra o Império Otomano, seguido dias depois por Reino Unido e França.[28] O Yavuz Sultan Selim participou da Batalha do Cabo Saric no final do ano e bloqueou qualquer avanço de pré-dreadnoughts russos, britânicos e franceses contra o Bósforo.[29] Embarcações mais modernas e poderosas destes dois últimos, capazes de derrotar o Yavuz Sultan Selim, não se arriscavam nas águas otomanas cheias de minas navais e submarinos.[30]
O navio permaneceu com o Império Otomano depois da guerra e com seu estado sucessor, a Turquia. Foi renomeado para TCGYavuz em 1936 e permaneceu como a capitânia das Forças Navais Turcas até 1950, porém desde 1948 ele permaneceu praticamente estacionário em İzmit. Foi descomissionado no final de 1950 e removido do registro naval quatro anos depois. O governo turco tentou vendê-lo para que fosse transformado em um navio-museu, inclusive oferecendo-o à Alemanha Ocidental em 1963, mas sem sucesso. Foi vendido para desmontagem em 1971 e desmontado entre 1973 e 1976, tendo sido o último navio da Marinha Imperial Alemã no mundo.[31]
Referências
- ↑ a b Staff 2014, p. 61.
- ↑ a b c Dodson 2016, p. 82.
- ↑ Staff 2014, pp. 61–62.
- ↑ Staff 2014, pp. 62–63.
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- ↑ Staff 2014, pp. 64, 71–72, 109.
- ↑ a b Gröner 1990, pp. 54–55.
- ↑ a b Staff 2014, p. 71.
- ↑ Staff 2014, pp. 70–72.
- ↑ Staff 2006, pp. 12, 14.
- ↑ Staff 2014, pp. 71–72, 110.
- ↑ a b c Campbell & Sieche 1986, p. 152.
- ↑ a b Staff 2006, p. 14.
- ↑ a b Staff 2014, pp. 17, 69–70.
- ↑ Schmalenbach 1993, p. 79.
- ↑ a b Staff 2014, pp. 17, 70, 108.
- ↑ Staff 2006, pp. 12–13.
- ↑ Staff 2014, p. 70.
- ↑ a b Staff 2014, pp. 64–65.
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- ↑ Staff 2006, p. 11.
- ↑ a b Staff 2006, p. 12.
- ↑ a b Staff 2006, p. 17.
- ↑ Staff 2006, p. 15.
- ↑ Staff 2006, pp. 15–16.
- ↑ Gröner 1990, p. 55.
- ↑ a b Staff 2006, p. 18.
- ↑ Staff 2006, p. 19.
- ↑ Staff 2006, pp. 18–19.
- ↑ Bennett 2005, p. 275.
- ↑ Sturton 1987, p. 147.
Bibliografia
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- Campbell, N. J. M.; Sieche, Erwin (1986). «Germany». In: Gardiner, Robert; Gray, Randal. Conway's All the World's Fighting Ships 1906–1921. Londres: Conway Maritime Press. ISBN 978-0-85177-245-5
- Dodson, Aidan (2016). The Kaiser's Battlefleet: German Capital Ships 1871–1918. Barnsley: Seaforth Publishing. ISBN 978-1-84832-229-5
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- Schmalenbach, Paul (1993). Die Geschichte der deutschen Schiffsartillerie. Herford: Koehler. ISBN 978-3-7822-0577-1
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- Staff, Gary (2014). German Battlecruisers of World War One: Their Design, Construction and Operations. Barnsley: Seaforth Publishing. ISBN 978-1-84832-213-4
- Sturton, Ian (1987). Conway's All The World's Battleships: 1906 to the Present. Annapolis: Naval Institute Press. ISBN 978-0-85177-448-0
Ligações externas
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